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Blog da margamoura


UM ARTIGO SOBRE “ESTRELAS ALÉM DO TEMPO”

 

 

 


Marcelo Gleiser* tem um artigo interessante, hoje, na Folha Ilustrada (da Folha de São Paulo), por causa do filme que está sendo levado nos cinemas paulistanos, “Estrelas Além do Tempo”, sobre as três mulheres negras que trabalharam nos projetos da NASA no início dos anos de 1960 (havia várias outras, mas não tiveram papel de destaque na época de que trata o filme):.

 

Começa falando da NASA, de seu início em 1958, e da grande competitividade desenvolvida em relação à União Soviética, pois estava em jogo a conquista do espaço.  Quando os soviéticos lançaram a sonda Sputnik, em outubro de 1957 e, em menos de um mês, lançaram a Sputinik 2, com a cadela Laika a bordo, os Estados Unidos estavam se ralando de dor.  E a competição explodiu quando a União Soviética saiu na frente, lançando ao espaço o cosmonauta Yuri Gagarin, que completou uma órbita em torno da Terra, em 12 de abril de 1961.

 

É neste momento que começa o filme.  Escrevi sobre ele em meu blog, na segunda-feira passada, porque tínhamos ido vê-lo no cinema.  O diretor Theodore Melfi trata com destaque do desempenho de três mulheres negras, cada qual num ramo, trabalhando ao lado de homens brancos, e todas elas se destacando pelo trabalho realizado. 

 

Dorothy Vaughan começou a estudar por conta própria o sistema Fortran, já que a IBM estava começando a ser instalada nas dependências da NASA.  Mary Jackson encarou o desafio de ser a primeira negra no Estado de Virgínia a entrar na escola dos brancos e saiu vitoriosa, formando-se a primeira engenheira negra da NASA.  E Katherine Goble (depois, Johnson, pelo casamento) foi a especialista em cálculos espaciais, que calculava a mão com uma rapidez incrível e uma inteligência acima do normal.  As três tiveram empenho, valentia e ousadia suficientes para se manterem em suas posições como cientistas, apesar de a discriminação racial ainda ser muito forte no país e muito bem caracterizada, no filme.  Início dos anos de 1960: um banheiro para mulheres brancas, outro, para negras; uma cafeteira para os brancos, outra, para os negros -- mesmo que a única negra naquela sala Especial da NASA fosse Katherine.

 

Marcelo Gleiser explica que as contratações dessas mulheres não foram exatamente como disse o filme.  O diretor arrumou um pouco as datas, para aproximá-las. Mas isso não afeta os fatos na forma como são contados. E termina dizendo que o filme celebra o espírito humano e a necessidade de um país trabalhar junto para superar desafios sociais e políticos.  Diz ele que a América segregada que vemos no filme envergonha. E que, num momento histórico em que as instituições democráticas dos Estados Unidos estão sendo postas em cheque, o filme mostra que o sucesso de uma nação depende de sua união -- sem segregação e violência, mas com abertura e inclusão de todos.

 

Eu também disse em meu blog, há dois dias, que a discriminação mostrada no filme é odiosa.  Melhorou, mas não foi eliminada, ao longo das últimas décadas.  O ódio foi cultivado durante muitas décadas, para que pudesse desaparecer de uma hora para outra.

 

*Marcelo Gleiser é brasileiro, físico, astrônomo, professor, escritor e roteirista.  Estudou fora e lecionou durante vários anos em Universidades norte-americanas.     Seus livros são muito interessantes e no Brasil ele é popular por suas colunas.

 

Estarei de volta na próxima sexta-feira.  Venha comigo!

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Escrito por margamoura às 21h33
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“ESTRELAS ALÉM DO TEMPO”

 

 

Este é o título em português de “Hidden Figures”, um filme norte-americano de Theodore Melfi, que fomos ver no último sábado.  Com protagonistas negras em cena, ele conta a história dessas três mulheres afiadas em matemática, que integraram a equipe da NASA no início dos anos de 1960.  Baseado em fatos reais.

 

É mais um que considero como filme-denúncia.  Narra com sutilezas as diferenças flagrantes entre brancos e negros naqueles anos, em que, por exemplo, havia um banheiro só para mulheres negras.  Quando Katherine, chamada para compor o Departamento Especializado, tal sua performance como calculadora manual -- e rápida -- integrou uma sala onde havia puros homens, engenheiros, matemáticos, físicos, foi proibida de usar a cafeteira que a sala toda usava.  Criaram para ela uma mesinha especial, onde se lia Café para Negros. Só que não havia ninguém fazendo café para negros e a cafeteira vivia vazia.

 

Três mulheres negras, inteligentes, decididas e afiadas em cálculos, fizeram parte do desenvolvimento da NASA, quando a União Soviética lançou seu primeiro homem ao espaço.  Os norte-americanos se ralaram de inveja. Já havia inúmeras mulheres negras trabalhando nos escritórios da instituição, mas nenhuma que tivesse um destaque especial, até o momento em que a história começa.

 

O filme, enquanto técnica e arte cinematográfica, deixa um bocado a desejar.  Interessado em acentuar as diferenças entre brancos e negros, acho que o diretor exagera e algumas partes ficam pouco verossímeis.  Por exemplo, Katherine carrega consigo várias pastas, para não perder tempo, enquanto se desloca por 800 metros para usar o banheiro feminino.  Faz isso inclusive numa tarde de chuva, o que não dá para crer. E está sempre correndo.

 

Porém, essas coisas se perdoam, dado que o filme expõe uma etapa da vida norte-americana de que ela deve se envergonhar. Não que a segregação entre negros e brancos tenha desaparecido mas, naquela época, as leis demoraram para interceder na aproximação das duas populações.  No Estado de Virgínia, por exemplo, embora já houvesse a lei a favor da integração, negro não podia estudar em escolas de brancos.  Eu vi, em Washington D.C., em 1965, a parte de trás dos ônibus urbanos sendo utilizada apenas pelos negros.

 

Hoje em dia, ainda é comum haver revolta entre os negros cada vez que um policial branco mata um homem negro e é, pouco depois, absolvido.  Um ódio escondido embaixo de cada pele, gerado por séculos de discriminação e ofensas.

 

Estarei de volta na próxima quarta-feira.  Venha comigo!

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Dormeànoite,compõeduranteodia

 



Escrito por margamoura às 09h59
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