Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, JARDIM PAULISTA, Mulher, Portuguese, Spanish, Livros, Games e brinquedos



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 GTPOS


 
Blog da margamoura


DA RECIPROCIDADE

 

 

 

Não é visível, não está na cara.  Nem sempre as pessoas percebem que a reciprocidade é uma exigência da vida em sociedade.  É muito comum fazer de conta que aquilo não é comigo, que eu não tenho nada com isso, que posso esquecer e ir-me embora.

 

As relações interpessoais são uma rede que se tece diariamente, em casa, na rua, na quitanda, no trabalho, na igreja, na excursão.  As relações têm uma dinâmica implícita, invisível mas real, sempre presente quando duas ou mais pessoas interagem entre si.  Essa teia é uma pista de mão dupla, quer dizer, de eventos que vão e vêm, que fazem perguntas e dão respostas, que oferecem carinho e recebem ternura ou agressividade, que procuram e às vezes não encontram, que se satisfazem quando há entre as pessoas um bom entendimento.  É por isso que é difícil fazer de conta que aquilo não é comigo, que não tenho nada a ver com isso.

 

Me explico: um e-mail enviado merece uma resposta, acusando que a pessoa o recebeu.  Um pacote deixado em sua portaria precisa de um telefonema, deixando claro ao emissor que o pacote foi recebido.  Um convite para jantar espera uma resposta do convidado, se ele poderá ou não aceitar o convite.  Um livro emprestado precisa ser lido e devolvido.  Um presente recebido requer um agradecimento. 

 

É desse tipo de reciprocidade que estou falando.  Da manutenção do caminho de mão dupla.  Do retorno positivo a um sinal recebido.  Isso se faz gratuitamente, com rapidez, sem que seja preciso que, depois de uma semana, a pessoa emissora tenha que checar se o destinário recebeu a mensagem ou o pacote.

 

Evidentemente, as relações interpessoais são muito mais complexas do que isso.  Limitei-me aos exemplos corriqueiros, do dia-a-dia.  É claro que quando as mensagens são de agressividade e rancor, quando as pessoas discutem entre si, saem batendo as portas ou rompem as relações de parentesco, de coleguismo ou de amizade, a retomada é mais complicada.  Mas também nesses casos cabe a reciprocidade: a pessoa ofendida pode ir procurar a outra e tentar uma aproximação; ou o ofensor pode sair em busca do ofendido e tentar redimir-se da agressão ou do mal entendido. É isso ou amargar um afastamento, em geral cheio de culpas.  Pelo que disse ou deixou de dizer.  É muito mais fácil quando uma pessoa próxima e amiga tenta juntar as partes separadas e buscar uma conciliação.  Quando isso acontece, as pazes são feitas e a alegria volta aos corações.  Quando isso não acontece, geralmente as consequências são bem tristes.

 

A verdade, meu amigo e minha amiga, é que o macaco só coça as costas de quem coça as suas.

 

Estarei de volta na próxima segunda-feira.  Venha comigo!

MargaMourafazblogcomalegria

Dormeànoite,compõeduranteodia

 



Escrito por margamoura às 11h08
[] [envie esta mensagem] [ ]



DA PÓS-VERDADE

 


Que interessante este conceito de pós-verdade, que anda pela crista da onda.  Fui encontrar seu significado na Wikipédia do Google, que diz que é um neologismo de 2016.  Que graça!  Velhos significados, velhas enganações, com novas roupagens.  Diz que “algo que aparente ser verdade é mais importante do que a verdade”.  Ora, ora, não estaremos diante da velha frase consagrada de que “a versão vale mais do que o fato?”

 

Não é de hoje que se percebem as versões valendo como verdades, passando por cima do que teriam sido os fatos reais.  Uma prova superficial disso você tem quando vê três ou quatro pessoas descrevendo o acidente que viram na rua:  cada uma acentua o seu ponto de vista, com razão, pois foi daquele ângulo que ela viu quando o motorista saiu correndo do carro.  Mas ela não viu, por exemplo, o esforço anterior que ele tinha feito para evitar que seu veículo batesse no outro.  Como nossa percepção é seletiva, não é difícil entender que haja diferentes pontos de vista num tema de discussão.

 

Mas a questão é mais profunda.  Daí a acreditar que a sua versão seja a certa, a verdadeira, são muitos passos a dar.  Veiculam-se as versões, sem nenhuma preocupação em sair averiguando os fatos.  O que foi que realmente aconteceu?  O que foi que ele disse?  Qual a frase do magistrado quando se referiu àquele caso?  Como a moça entrevistada se comportou junto ao jornalista: o que foi que ela disse, de fato?

 

Apenas alguns dias após tomar posse como prefeito de São Paulo, em 1986, Jânio Quadros pendurou atrás da porta de seu gabinete as chuteiras que tinha ganhado de Vicente Mateus, seu colega de partido, com um bilhete, dizendo que não mais se elegeria a cargo eletivo.  Na época, era um típico exemplo de “versão valendo mais do que o fato”, pois se se candidataria ou não, no futuro, era uma incógnita. Parece que, quanto maior o estardalhaço, maior a chance de a versão sobrepujar o fato.

 

E a pós-verdade?  Significa que os fatos objetivos têm menos importância do que as crenças pessoais.  Que os boatos podem, muitas vezes, valer mais do que o fato real.  E, eu diria, a facilidade com que as notícias voam pela Internet e pelas redes sociais fazem com que se tenda a acreditar em tudo o que se diz e, por outro lado, não se tenha tempo de xecar se o que está sendo dito aconteceu, mesmo. 

 

Há um blog no Google que diz que essa expressão surgiu em 1992, mas que vem sendo empregada politicamente cada vez mais, com forte utilização no ano passado.  E aí?  Vamos continuar convivendo pacificamente com esse paradoxo?

 

Estarei de volta na próxima sexta-feira.  Venha comigo!

MargaMourafazblogcomalegria

Dormeànoite,compõeduranteodia

 



Escrito por margamoura às 19h38
[] [envie esta mensagem] [ ]



FILME DE GUERRA CANDIDATO AO OSCAR

 

 


Mel Gibson vem com “Até o Último Homem”, tradução ruim do original inglês Hacksaw Ridge -- pela falta de um título melhor que, ao pé da letra, seria Espinhaço do Hacksaw, uma dura escalada que as tropas norte-americanas tinham que fazer para derrotar o inimigo japonês, que estava lá em cima, à espera delas -- candidato ao Oscar 2017.

 

Filme de guerra, baseado numa história natural, em que Mel Gibson apresenta todos os horrores dos massacres, com toda a intenção do mundo de nos mostrar o sangue que rolava, as chamas que engoliam os homens, as granadas que explodiam lá do alto, sem deixar de apresentar algumas lutas corpo-a-corpo, em que as facas punham fim àquilo que as granadas não tinham conseguido.

 

O filme é bom e traz à tona um problema de crenças e convicções de Desmond Doss, que viveu de verdade e que levou ao exército norte-americano seu desejo de participar da guerra não para matar, mas para salvar os que necessitassem de ajuda.  Por isso, não punha mão em armas.  Lá, isso tem o nome de “Opositor Consciente”.  Foi um verdadeiro escândalo entre seus superiores e colegas, mas o filme mostra que deu certo.

 

Bem filmado, muito longo, com um elenco à altura do que se exigia, o filme causa dois impactos: a personalidade inflexível de Doss e, para os espectadores, as cenas incríveis de guerra e estripamentos.  Ou melhor, três: nas Forças Armadas de Mel Gibson, na Segunda Guerra Mundial, em 1944, depois do ataque japonês a Pearl Harbor, não há militantes negros.

 

Estarei de volta na próxima quarta-feira.  Venha comigo!

MargaMourafazblogcomalegria

Dormeànoite,compõeduranteodia

 



Escrito por margamoura às 10h43
[] [envie esta mensagem] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]