A FESTA É NOSSA (2ª. parte)

 

                                                                margamoura

 

Você provavelmente idealizou uma festa em que o forte sejam o salão, os trajes, o jantar, os vinhos, a mesa de doces...

 

Pois eu não fiz nada disso.

 

Neste evento organizado,

Deixamos tudo de lado

E escolhemos bonito:

Nosso amigo, o convidado.

Fomos pondo por escrito

Cada nome bem lembrado,

Fomos até a Internet,

Ao telefone, ao correio,

Resgatando, sem receio,

Aqueles nomes lindinhos,

Que sempre nos foram caros.

 

Foi uma bela prioridade

E nós saímos ganhando.

Rodamos toda a cidade,

Muitos parentes, amigos,

Demos um pulo em Campinas,

Telefonamos pra Minas

E ficamos bem contentes.

“Olá, você, como vai?

Não quer vir à nossa festa?”

“Meu amigo, há quanto tempo,

Desde a última seresta!

“Nossa, menina, eu me lembro,

Quando era mesmo?  Setembro?”

 

Assim foi, de prosa em prosa,

Que construímos a lista,

Um grande rol de eleição

Disto que é o mais importante:

As relações sociais

Não têm preço, valem mais.

São desta festa o adoçante

E nos deixam bem felizes.

Vocês, de todos matizes,

Vieram ao nosso encontro.

 

Sem me esquecer do Maestro,

Que trouxe o brilho do evento.

Sem seu profissionalismo,

Empenho e dedicação,

Não há festa que sustente

A força da relação.

(Para os músicos):

A vocês, meus cumprimentos.

 

Voltarei na próxima segunda-feira.  Venha comigo!

 

margamourafazpoesia // porqueissodáprazer

21/10/2009

 

A FESTA É NOSSA  (1ª. parte)

 

                margamoura                     

                                         

Você já deu uma festa?

Você sonhou com o salão,

A lista de convidados...

Baile, jantar, comoção,

Encenação na floresta...

Um bom bufê contratado,

Cavaquinho, um violão

Afinado,

Um bando de enamorados,

Pura magia, seresta?

Oh! que delícia de festa.

 

Você decerto pensou

Que o forte dessa sua festa

Bem que podia incidir

Nas roupas finas, nas joias,

Naquele belo pingente

Que ostenta sempre na testa

Uma indiana, sem problema.

Não foi você que sonhou

Com o vestido atraente

De uma artista de cinema?

 

Talvez você seja o tipo

De organizar um jantar,

Tudo bem proporcionado,

Um bom vinho do lagar,

Como aprendeu com o avozinho:

“Vinho que é bom vem do Minho”,

Não é você que prefere

Um jantar bem refinado,

Guardanapos de tecido

E um pessoal bem treinado?

 

Quem sabe a festa-requinte

Tenha que ter chocolate

Um bom creme de abacate,

Festa boa tem que ter

Um belo bolo de coco,

Só vovó sabe fazer!

Nada de refrigerante,

Não que eu seja intolerante!

Mas vai bem bebida quente,

Um bom chá de erva-mate.

Uma mesa de docinhos

Feitos com todo o carinho.

 

Pois eu não fiz nada disso.

 

Voltarei na sexta-feira, com a segunda parte.  Venha comigo!

 

margamourafazpoesia // porqueissodáprazer

19/10/2009

 

E FOI-SE A FESTA

 

Lá vai uma barquinha carregada de... 70 anos.

Lá vai uma barquinha carregada de... uma festa de aniversário.

Lá vai uma barquinha carregada de... canções que eu gosto de cantar.

Lá vai uma barquinha carregada de... um marido muito companheiro.

 

Juntei esses ingredientes e fiz uma festa de aniversário pra ninguém botar defeito.  Afinal, hoje é meu dia, eu completo 70 anos – muito bem vividos, muito bem aproveitados.

 

Com meu marido, planejamos a realização de uma festa em que eu pudesse cantar as canções de que gosto muito.  Sempre invejei a Nara Leão, que fez um disco cheio de músicas de animação, um repertório leve, desses que a gente canta desde pequena.  Pois lá estavam muitas de minhas músicas preferidas, do “meu” repertório.  Como ela ousava passar na minha frente e gravar um disco que tinha tudo para ser o “meu” disco?  Mas isso já faz muitos anos e aquela inveja passou.  Agora, achamos que estava na hora de eu realizar meu grande sonho de consumo: cantar com microfone diante de uma platéia amiga e contratar um maestro para fazer os arranjos.

 

Deu muito certo.  Reunimos cento e vinte pessoas num auditório de colégio, um maestro muito competente, com teclado, flauta e saxofone, acompanhado de três integrantes de conjunto, um guitarrista elétrico, um violoncelista e um baterista, e apresentamos as dez canções que eu tinha gravado para um CD.

 

Amigos e parentes convidados, vários cujo contato resgatei pelo telefone, amigos que eu não via há cinquenta anos, pessoas de idade que era preciso ter comigo naquela hora, meus irmãos e irmãs, primos, tias, foi muito divertido: cantoria, no auditório, e um coquetel, no salão.  Pouco tempo de festa, muita emoção, choros (de leve), abraços, presentes, comoção.

 

 

 

Pus um vestido comprido e penteei o cabelo.  Passei uma pintura no rosto,  estava irreconhecível.  Jamais eu havia feito uma pintura no cabeleireiro, vestido comprido jamais fora meu estilo.  Mas, quando você faz setenta anos, tudo fica muito diferente.  Então, você aproveita para aparecer, comemorar, se pintar, brincar, cantar, fazer tudo aquilo a que tem direito.

 

Valeu!  Foi muito divertido.  Foi original.  Vai ficar na lembrança para sempre.  Matou alguns de inveja, outros, de raiva, por não terem pensado numa celebração desse jeito.  Metade da platéia era feita de gente que também gosta de cantar e de aparecer.  Minha terapeuta tinha dito, há muitos anos, que não se deve fazer inveja para os outros.  Mas eu tenho culpa?  Dei o exemplo.  Quem quiser, que me siga.

 

A todos vocês que nos honraram com suas presenças.  Ao Maestro e aos músicos que o acompanharam.  A todos os que concorreram para que essa festa pudesse acontecer, meu muito obrigada.  A meu marido, que me ofereceu a festa, meu carinho.

 

Estarei de volta na próxima 4ª. feira.  Venha comigo!

margamourablogadora // rimatambémcomescritora

 




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