A FESTA

 

Organizar uma festa tem uma série de vantagens.  Além de você se preparar psicologicamente para curtir o evento, no dia você se encontrará com seus parentes e amigos, celebrará a data e terá prazer tanto nos cumprimentos como nos comes e bebes, além da emoção de se sentir abraçado e homenageado.  É muito gostoso receber cumprimentos e ouvir as pessoas dizerem que gostam muito de você.

 

E há, ainda, os subprodutos da organização, que você só descobre fazendo:

 

1. Na seleção dos convidados, você se demora um tempão escolhendo quais os que chamará para a festividade e quais os que deixará de lado.  Não é possível chamar todos os seus parentes e amigos, então, terá que haver forçosamente uma seleção.  Não é fácil.  Chama só aqueles a quem você quer de coração ou é obrigado a estender o convite também àqueles que virão junto com os amigos? E, ao fazer isso, você aproveita para repassar sua agenda e se dar conta de como andam suas relações com os outros.

 

2. Outro subproduto interessante é que você atualiza sua agenda, em matéria de endereços, telefones e e-mails.  Lembrando-se das pessoas que quer convidar, é preciso ver se o fará por e-mail, por telefone ou por correio.  Depende, é claro, do tipo de evento.  Se for uma reunião familiar, com apenas quinze convidados, você irá para o telefone.  Mas, se for um evento maior, se, por exemplo, está lançando uma noite de autógrafos de seu segundo livro, será preciso organizar-se e atualizar sua agenda.  E aí será preciso verificar se os endereços os números de telefone e os e-mails estão valendo.

 

3. O outro subproduto muito rico de organizar uma festa é que você vai se aproximar de alguns parentes e colegas que não via há tempos e até se reconciliar com eles.  Você perceberá, por exemplo, que aquele grande amigo seu ficou no passado.  Então, está mais do que na hora de resgatar aquela afetividade.  Bom momento para fazer um contato pelo telefone, dizer algumas palavras amáveis e chamá-lo para o evento.  Às vezes, houve até uma ruptura nas relações, no passado.  Nada melhor do que fazer o telefonema, justificar-se, desculpar-se e recuperar uma amizade que foi tão bom naquele tempo.

 

Agora, com sua relação de convidados pronta e todos já convidados, é hora de você se preparar para o evento, curti-lo, aceitar os cumprimentos de modo adequado, regalar-se com os presentes ganhos, trocar beijos e abraços bem carinhosos e voltar para casa cansado, mas agraciado.  Alimentado.

 

Boa festa!

 

Voltarei na próxima segunda-feira.  Venha comigo!

 

margamourablogadora // rimatambémcomescritora

APRENDIZAGEM, EDUCAÇÃO, UNIVERSIDADES

Na Folha de São Paulo desta semana, há alguns artigos interessantes, que nos levam a refletir sobre o papel da educação no preparo de crianças e jovens para a vida. 

 

Na segunda-feira, Luiz Felipe Pondé, em “Um relatório para a Academia”, comenta sobre o papel das universidades, hoje, pouco interessadas na produção do conhecimento e da reflexão e mais voltadas para a importância da própria carreira do professor, como garantia de emprego e ascensão social; a aquisição de uma verba maior para a realização de seus projetos; a formação do corporativismo e, tão importante quanto, a implantação da burocracia, que é a necessidade de organização, controle e avaliação. E isso em resposta a um artigo de Clóvis Rossi e concordando com ele, que dizia que hoje, na vida universitária da Espanha, notam-se o desinteresse dos alunos e a asfixia burocrática dos professores.

 

Em artigo de hoje, Antonio Matias, vice-presidente da Fundação Itaú Social, em “Tendências e Debates”, no artigo “O direito de aprender em primeiro lugar”, relata a existência de dois documentos em poder do Brasil, que relatam como se elevaram os índices de aprendizagem em Nova York e em Cuba, recentemente, depois que foram tomadas determinadas medidas de qualidade. Um deles é o estudo “A reforma educacional de Nova York: possibilidades para o Brasil”, publicado pela Fundação Itaú Social e pelo Instituto Fernand Braudel, e o outro,  “A vantagem acadêmica de Cuba”, estudo do pesquisador Martin Carnoy, patrocinado pela Fundação Lemann.

 

Basicamente, trata-se aqui de fazer um acompanhamento sistemático do trabalho do professor em sala de aula, de desenvolver sistemas de avaliação que possibilitem mensurar sua eficácia e de se estabelecer um mesmo parâmetro curricular básico em todas as escolas da rede. O primeiro estudo traz uma reflexão sobre a importância de se colocar no foco das políticas educacionais o direito de aprender de crianças e adolescentes. 

 

E, em outro artigo de hoje, Ruy Castro fala de sua visita à Bienal do Livro, no Rio de Janeiro, e aproveita para lançar uma pergunta sobre a durabilidade e extensão dos livros de papel: aguentarão eles a concorrência com as outras formas de livro que já existem e que se multiplicarão, no futuro?  Sim, porque os livros são pequenos, fáceis de carregar e de ler em qualquer lugar e não tão caros, quando se pensa que há inúmeras lojas de sebo.

 

São reflexões que nos levam a meditar sobre o direito de aprender, de crianças e jovens, e sobre o direito da sociedade em exigir das universidades uma atuação eficaz e eficiente.

 

Estarei de volta na próxima sexta-feira.  Venha comigo!

 

blogqueéquasediário // témerececomentário

É OU DEVERIA SER?

 

É muito interessante como é diferente o é do deve ser.  A diferença é enorme.  É é tudo o que acontece, a realidade a nossa volta, o modo de ser, a forma de se comportar.  Deve ser é o sonho, a ilusão, a idealização. Em vez de vivermos no real, naquilo que é, que existe, que se oferece aos nossos olhos, estamos acostumados a idealizar, a sonhar, a inventar, a criar.  E isso vale para os vários planos da vida.

 

No plano do comportamento humano, por exemplo, temos dificuldade em aceitar os outros como eles são e, se pudéssemos, nós mudaríamos seu modo de ser, seu jeito de se comportar.  Vale para os pais, em relação aos filhos, mas vale para os filhos, em relação a seus pais.  Vale para o esposo, quando olha para sua esposa, vale para a esposa, quando observa seu marido.  Vale para os amigos, os colegas de escola, os companheiros de trabalho. Sonhamos uma coisa diferente para o outro.  Lamentamos que ele seja apenas um balconista, quando poderia ser o gerente da loja; que ela tenha ficado noiva daquele imbecil, quando queríamos que ela se casasse com o vizinho, muito mais inteligente e mais rico; que ela aceite sair debaixo de chuva, quando poderia estar dirigindo seu próprio carro.  E vai por aí afora.  Dificilmente levamos em conta o desejo do outro, suas aspirações, sua vontade, seus medos, suas restrições.

 

E isso por quê?  Porque o deveria ser ainda está por ser alcançado, é o sonho, é a expressão do desejo.  E quem pensa em deveria está fazendo o quê? Simplesmente, dizendo para o outro o que é certo para ele.  Ah!  Entramos em cheio nos conceitos de certo e errado, quando damos conselhos ao outro e queremos conduzir e controlar sua vida.  O conselheiro é aquele que enxerga mais longe, que conhece a verdade, que sabe o que é certo. 

 

Aplicado ao campo da educação, podemos comparar um método de ensino antigo e tradicional com outro, moderno e libertador.  Suponha que você coordenasse um debate com um grupo, em que se levantassem as vantagens e as desvantagens de se ser mulher ou homem, nos dias de hoje.  O professor antigo haveria de querer que, cada vez que se descobrisse um ponto negativo, os participantes absorvessem a importância de corrigir aquilo.  Então, ele apontaria para o grupo a necessidade de mudar.  O grupo precisaria perceber o que está errado e qual deveria ser a postura correta.  O professor moderno não aponta isso.  Ele simplesmente ajuda o grupo a perceber as diferenças, os modos de ser, como seria se fosse assim, como seria se fosse de outro jeito.  E cada participante vai, então, recebendo os feedbacks do grupo e introjetando aquilo que serve de conclusão para ele – e não aquilo que o professor antigo disse que serve para ele.

 

Deve ser.  Deveria ser.  Seu comportamento deveria ser... melhor... mais adequado... mais solidário... É ou deveria ser?

 

Estarei de volta na próxima 4ª. feira.  Venha comigo!

margamourablogadora // rimatambémcomescritora




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