É interessante como a Segunda Guerra Mundial é um tema que não sai de cena. Seja por meio do cinema, seja por meio da literatura ou do teatro, os filmes, os livros, as peças chamam constantemente nossa atenção, trazendo à luz os temas relacionados aos problemas vividos antes, durante e depois da Segunda Guerra Mundial na Europa. A ascensão de Hitler, na Alemanha, se deu em 31 de janeiro de 1933, quando ele foi nomeado Chanceler por Hindenburg, o presidente. O novo Chanceler fez seus poderes aumentarem de forma desmedida, até 1939, quando o exército alemão desencadeia a guerra. Seus males, bombardeios, destruição, conflitos políticos e competições duram até maio de 1945, quando os aliados se unem e saem vencedores os Estados Unidos, a Inglaterra, a França e a Rússia. Continuam os tormentos da Alemanha derrotada, que assistirá ao bombardeio de Berlim pelos vencedores e, posteriormente, à cisão do país em duas partes, a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental, com a própria cidade de Berlim cindida. O pós-guerra trouxe inúmeras transformações à Europa e ao mundo todo, de caráter geopolítico, econômico, social e cultural. Morreram 6 milhões de judeus, mas morreram também milhares de russos, fato de que se fala relativamente pouco. Pobreza, destruição, enfraquecimento de potências, como a Inglaterra, ganho de hegemonia econômica, como aconteceu com os Estados Unidos, esse é um assunto de que não nos fartamos de falar, ler e assistir nas telas, na literatura e no teatro.
Dentre os filmes, foram e continuam sendo inúmeros, a perder de vista. Desde a época em que a guerra ainda acontecia, como o genial Casablanca, de Michael Curtiz, e Ano Zero, de Roberto Rossellini, passando pelos famosos A um passo da eternidade, de Fred Zinnemann, de 1953, A ponte do rio Kwai, de David Lean, e Agonia e Glória, de Samuel Fuller, de 1980, até os dias de hoje, em que a produção sobre o tema continua muito grande. Recentemente, tivemos Operação Walkíria, de Bryan Singer, em 2008, e, do mesmo ano, O Leitor, de Stephen Daldry. Destaque para Os Deuses Malditos, de Luchino Visconti, de 1969.
Na literatura, enquanto a obra mais importante sobre o papel da Alemanha na guerra continuam sendo os quatro volumes de Ascensão e queda do III Reich, de William Shirer, de 1960, inúmeros outros livros tratam do assunto e falam sobre os horrores da guerra, ora, com um caráter histórico, ora, misturados com ficção. Recentemente, destaque para O menino do pijama listrado, excelente trabalho de John Boyn, de 2008, que também virou filme.
BerlinAlexanderplatz, livro de Alfred Döblin, de 1929, virou um filme para a televisão alemã, em 1980, em catorze capítulos, sendo treze deles baseados no livro e o último, o epílogo, criado por Fassbinder, o diretor de cinema que levou a história para as telas da TV. Posteriormente, a obra foi passada no cinema e atualmente está à venda em sua forma masterizada, em 35 mm. Trabalho de fôlego, para ninguém deixar de assistir – quer dizer, aqueles que gostam de sofrer na poltrona sob as garras de um mestre da narração, como Döblin, e um gênio do cinema, como Fassbinder, acompanhando as agruras na Berlim de 1928, onde grassavam o desemprego, a angústia, a corrupção e o cinismo. Uma história passada antes da ascensão de Hitler e do estouro da guerra, acaba sendo uma versão antecipada dos tempos que virão.
Vou viajar. Estarei de volta na 4ª. feira, 09 de setembro. Venha comigo!
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
Está no suplemento The New York Times, da Folha de hoje, um artigo de Pamela Bloom a respeito de como se pode lidar com a dor, a raiva, a angústia, a impotência, o mal que nos fazem situações que acontecem e que, muitas vezes, não dependem de nós, como o ataque terrorista de 11 de setembro, a forma como muitos foram lesados por Bernie Madoff, a situação de guerra injusta no Iraque e outras, inúmeras, que vivemos ou presenciamos no dia-a-dia. Em seu livro Atos de Compaixão Budistas, a autora reuniu histórias que apontam para novas formas de se lidar com isso, em vez de, simplesmente, ficarmos curtindo raiva e ódio durante tanto tempo. Existe no budismo um slogan que nos ajuda a iniciar uma meditação: “Assim como eu”. Os outros também sofrem, os outros também desejam os fundamentos da felicidade. Pamela, no artigo, narra a visita que o dalai-lama exilado fez a Auschwitz e a oração que fez ali, diante das pilhas de sapatos gastos, deixados pelas vítimas do campo de extermínio: “.... ciente de que, assim como todos nós possuímos a capacidade de agir com altruísmo, movidos pela preocupação com o bem-estar dos outros, todos nós possuímos o potencial de sermos assassinos e torturadores, jurei fazer tudo o que eu pudesse para assegurar que nada como isso jamais se repetisse”. A proposta para uma situação nova é abrir o coração para que possam caber mais pessoas do que apenas nós mesmos. Ao incluir rivais em nossas orações, começamos a nos dispor a acolher e a perdoar. É como se o coração se alargasse para receber mais gente. Aprender a desejar a felicidade a todos os seres e não apenas àqueles a quem queremos bem. Quando o sofrimento parece insuportável, o budismo sugere que dediquemos a dor a todos os que estiverem sofrendo. São essas práticas de meditação, perdão e solidariedade que vêm ajudando monges e monjas budistas tibetanos a suportar anos de tortura. E a autora termina com uma meditação de Zopa Rinpoche, mestre lama: “Enquanto você não mudar sua mente, sempre haverá um inimigo para lhe fazer mal”. blogqueéquasediário // témerececomentário
Estarei de volta na próxima 4ª. feira. Venha comigo!
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