
São nove horas da noite e hoje é dia de publicar um artigo neste meu espaço de blog. No entanto, minha cabeça está completamente fechada, obnubilada, em branco. Terminei um livro que estava escrevendo desde meados de julho e fiquei contente de, finalmente, tê-lo entregado dentro do prazo, conforme prometido. O prazer de escrevê-lo foi tão grande que sinto uma espécie de vazio por ter-me separado dele.
Embora eu não fizesse só isso, as coisas paralelas que fui obrigada a fazer não são suficientes para constituir um artigo, nesta noite. Então, sou compelida a falar desse vazio que sinto, por ter saído de dentro de mim alguma coisa que me preencheu o sentimento e a alma nos últimos quarenta dias.
Fui ao cinema, vi DVD em casa, li dois livros e levantei de madrugada para ver as meninas do Brasil jogarem vôlei no Grand Prix. Mas, sempre que me desocupava, voltava para o micro e para as páginas da minha criação, já nas duas últimas semanas em fase de revisão.
Tenho inveja dos articulistas da Folha de São Paulo, como Ruy Coelho, Heitor Cony e alguns outros que, quando não têm um assunto específico sobre o qual discorrer, conseguem falar com facilidade do que está acontecendo agora, do que estão sentindo – ou tiram lá do fundo do baú uma história antiga, trazem-na para a realidade e recriam algo em cima dela. Tenho inveja. Gostaria de saber fazer isso. Às vezes, até acho que consigo. Mas hoje, não. Está muito tarde. Gosto de escrever no blog pela manhã, quando estou mais lúcida, mais acordada.
Sempre que acabo de ler um romance do qual gostei muito, sinto esse vazio de hoje, um torpor por me despedir daquelas personagens de quem gostava tanto. E o remédio para curar esse mal-estar é um só: começar a ler imediatamente outro romance, fazer amizade com as novas personagens e acompanhar seu desenvolvimento durante as trezentas ou quatrocentas páginas que durarem o livro. Pois, então, a cura para esse vazio de hoje há-de ser bem parecida: começo amanhã mesmo a me envolver com o preparo e a escrita de um novo livro. Assim, me apaixono por novas histórias e novas figuras humanas e, quando perceber, já estarei a braços com uma nova tarefa – e voltando a sentir o prazer que tive nas últimas semanas, escrevendo e revisando meu trabalho.
Agora, vou-me deitar, porque quero levantar às 3:15 h da madrugada, para ver o vôlei feminino do Brasil versus a Holanda. Você vem comigo?
Estarei de volta na próxima segunda-feira, dia 24 de agosto.
margamourablogadora // rimatambémcomescritora

Ando encantada, ultimamente, com a capacidade de fazer melhores versos. Antigamente, minha maior preocupação eram as rimas e o tamanho dos versos. Por exemplo, se eu começava a construção de uma poesia com sete sílabas poéticas, achava que precisaria ir assim até o final. Mas eu não percebia a importância da acentuação das sílabas poéticas.
Se se considerar “o ritmo do poema como uma sucessão de sons fortes (sílabas tônicas) e sons fracos (sílabas átonas), repetidas com intervalos regulares ou variados, se verá que é ele quem dá a musicalidade à poesia. No poema, as pausas existem não necessariamente por meio de sinais de pontuação, mas as palavras provocam a melodia e o ritmo é determinado por elas e pela sequência de sons”.
Então, de repente, à força de construir quadrinhas, poemas, poesias para amigas que fazem anos, para festas de comemoração, me dei conta de que não bastava prestar atenção ao tamanho dos versos e nem apenas às rimas, mas era preciso cuidar do ritmo dos versos. Agora, estou fazendo isso como um experimento e me divertindo bastante. Se se trata de versos em redondilha maior, por exemplo – sete sílabas poéticas, o acento poderá cair na 2ª., na 3ª. ou na 4ª. sílaba e na 7ª. Mas do jeito que se começa é preciso ir em frente, para que, por meio da leitura em voz alta, se perceba a melodia que está por detrás dos versos.
Vejamos um exemplo:
Eu não te vi no salão,
E concluí que não foste,
Mas eu estava enganado.
Meus olhos não te buscaram,
Nem eu estava ligado
Em te encontrar de repente.
Soube, depois, que te viram,
Com teu vestido amarelo,
Muito bonita e atraente.
Aqui, versos em redondilha maior, acentos todos na 4ª. e na 7ª. sílabas poéticas. Ao se lerem as linhas, percebe-se uma ondulação, algo que sobe e que desce e que flui, que é o ritmo, como se fosse uma melodia.
Vivendo e aprendendo. Eu, que sempre gostei de lidar com versos e com rimas, só recentemente aprendi que as poesias têm musicalidade. E você, também faz versos? Diverte-se com isso?
Volto na próxima 6ª. feira. Venha comigo!
blogqueéquasediário // témerececomentário
Hoje vou falar do livro e do filme “Berlin Alexanderplatz”, uma obra-prima da literatura e do cinema alemães. Alfred Döblin escreveu o livro, em 1929, depois de ter trabalhado como psiquiatra, atendendo seus pacientes naquela praça de Berlim. Depois da Segunda Guerra e da divisão de Berlim em duas partes, a praça Alexander ficou na área que pertencia a Berlim Oriental. O livro trata da história de Franz Biberkopf, um homem de mais de trinta anos que, egresso da prisão de Tegel, jura que a partir dali será uma pessoa decente. E pretende levar esse juramento a sério. Porém, o contexto em que está inserido – a Berlim dos anos 1930 e 1940 – o livro começa em 1928 – é de tal forma rude, insensível, cheio de corrupção, que se torna praticamente impossível a um homem ser decente e honesto. Para começar, o desemprego grassava e ele tem a maior dificuldade em conseguir dinheiro por meios honestos. Pode ser vendedor, mas parece que não leva jeito para isso. São os tempos que antecedem o nazismo, embora o partido nacional-socialista já exista e já apronte algumas das suas. Werner Rainer Fassbinder, cineasta alemão, adaptou essa obra para a televisão, em 1980, dividindo-a em treze capítulos e um epílogo. Fassbinder nasceu em 1945 e morreu em 1982, de uma overdose de drogas, aos 36 anos, sem que se saiba se foi voluntária ou não. Cineasta de talento, ele produziu muitos filmes em sua vida tão curta. Foi um gay assumido e recheava seus filmes com os maiores problemas da vida em sociedade, como o medo, a solidão, o amor entre mulheres, a busca da própria identidade, o amor não correspondido, entre outros. Berlin Alexanderplatz é considerado uma obra-prima no trabalho de Fassbinder. Foi ao ar para a televisão, mas depois tornou-se uma obra para o cinema, passada em 15 horas. Atualmente, o filme foi remasterizado e pode ser visto em DVD, o que valorizou bastante o trabalho feito nos anos 1980. Vale a pena ler o livro e assistir ao filme. Embora Alfred Döblin tenha carregado nas tintas e nos mantenha em constante suspense, a sordidez humana que ele relata faz parte da nossa realidade. E o filme de Fassbinder não deixa por menos, pintando a falta de decência e a desonestidade humanas como partes de nossa identidade de seres humanos. Tudo o que Biberkopf tinha jurado não voltar a ser. Estarei de volta na quarta-feira. Venha comigo! blogqueéquasediário // témerececomentário 
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