
Ontem havia um artigo no UOL, de um assessor de comportamento na empresa, em que ele dava dicas de quais as boas formas de se comportar no setor de trabalho. O artigo era sobre a demissão, como escapar dela. Elencava uma série de qualidades, como estar disponível, ser afável, não ficar conhecido como encrequeiro, criador de casos. De fácil comunicação, deve agregar os colegas em torno de um ideal, de um projeto. De preferência, ser solidário, inventivo e organizador. Diz ele que essas pessoas que se destacam por sua coragem, amabilidade e bom desempenho são as preferidas e as que não entram na lista de demissões.
Não gostei. Achei aquelas palavras de uma idealização a toda prova. Ninguém é assim tão perfeito e nem eu acho que sejam essas características positivas que o ajudarão a galgar os degraus da promoção e realizar-se na empresa. Pelo menos, na minha experiência, o que vivi foi todo o contrário. Essas pessoas que se destacam pela honradez e solidariedade chamam a atenção das chefias e dos colegas de modo negativo, que as tacham de “intrometidas” e “gostando de aparecer”. Muita confiança em si e propostas de novos projetos significam, na cabeça dos que estão à volta, querer valer mais do que a chefia. Agregar pessoas e estimular novos projetos, atuando como o líder, prejudicam demais o andamento dos trabalhos, pois provocam uma competição à sua volta, a todo vapor.
Não recortei o artigo, de modo que agora não detenho as informações sobre ele. Não sei de que empresas o articulista está falando, mas certamente não é das nossas. No Brasil, nossas chefias não estão preparadas para lidar com os empregados brilhantes. Do profissional íntegro e organizado geralmente emana uma aura de perfeição que não agrada, nem aos poderosos, que querem mostrar a ele que valem mais, nem aos medíocres, que se ralam de inveja por não conseguirem comportar-se como ele.
Infelizmente, quanto mais os profissionais, homens e mulheres, se mantiverem na média, trabalharem acomodados no meio do grupo, dando poucos palpites e criticando menos ainda o que se passa na empresa, maiores suas chances de serem elogiados como “prudentes” e “cautelosos”, promovidos, como “sagazes” e “administradores”, mesmo quando as chefias sabem que a produtividade deles tenderá a ser bem menor, do que a do “intrometido e desabusado Roberto”, que eles acabaram de pôr na rua.
E quando o Rei saiu à rua com os trajes feitos pelo tecido finíssimo e invisível que lhe venderam os alfaiates bajuladores e espertalhões, o menino não teve dúvida e gritou: “O rei está nu”. Mas só uma criança, inocente e descompromissada, pode dizer uma verdade como essa.
Sairei de férias. Volto em agosto. Me aguarde!
margamourablogadora // rimatambémcomescritora

Os contos populares estão na moda e a Editora Landy se especializa em lançar livros de quase todos eles, pesquisando os contos da Inglaterra, de Angola, da Irlanda, da Terra Santa, enquanto outras editoras também lançam com entusiasmo seus livros de contos, lendas, fábulas e parábolas. Como contar histórias está valorizado, esses livros têm feito muito sucesso entre os professores, as pedagogas, as psicólogas e outros tantos profissionais da área de Humanas.
O folclore brasileiro também é muito rico. Há aqui muito material escrito, a partir da tradição oral que os portugueses trouxeram e que se mesclaram às tradições indígenas e, pouco mais tarde, às dos africanos. Dispomos de centenas de lendas e contos de fadas, contos populares e lendas indígenas, mitos sobre o surgimento da vida na terra, a forma como os deuses se entenderam para criar o céu, a lua, as estrelas, os animais, as plantas e o homem, passando por crenças, crendices, visões e toda uma mitologia que, por sinal, não pertencem apenas ao Brasil, mas se vê que se mesclaram com outras tradições e percorreram o mundo.
Estou lendo o livro “Contos Populares do Brasil”, de Sílvio Romero, e apreciando os contos que ele traz, divididos entre as heranças portuguesa, indígena e africana. E é muito curioso ver como os animais são vistos pelo ser humano. Entre os matreiros, espertos, sagazes, ágeis e inteligentes, estão a raposa, o coelho, o macaco e o jabuti. Já a onça, que representa a força bruta, é vista sempre como uma figura de raciocínio lento, podendo ser facilmente ludibriada. O leão é o rei dos animais, tem cetro e coroa, é imbatível e, reconhecidamente, o maioral. O burro é visto como um animal que pensa e não diz bobagem. Alguns são frívolos, como o pavão e o papagaio. Outros, sérios, como a coruja.
Também Monteiro Lobato nos ajudou a conhecer essas fábulas, na medida em que leu os contos de Sílvio Romero e os repassou às crianças, nas vozes de D. Benta, a avó, e Tia Nastácia, a fada dos bolinhos gostosos. O autor nos levou a passear pelo sítio do Pica-Pau Amarelo e a ouvir das velhas senhoras toda sua sabedoria, erudita e popular, aprendendo, ao lado de Narizinho, Pedrinho, Emília e o Visconde de Sabugosa, essa tradição deliciosa que nossos antepassados souberam criar.
As fábulas nos chegaram, primeiro, por meio de Esopo, o escravo grego do século VI a.C., que não sei se as inventou ou se, simplesmente, passava adiante as lendas e histórias que tinha ouvido de seus antepassados. Fedro foi um fabulista romano, nascido no tempo de Cristo, na Macedônia, Grécia. Também ele contava fábulas e deve ter enriquecido o repertório que veio de Esopo. Outro fabulista de renome foi La Fontaine, que em 1668 publicou seu volume de “Fábulas Escolhidas”, com sucesso imediato.
O acervo é grande e vale a pena conhecê-lo. Mas é preciso ter tempo, para parar e se pôr a ler.
Voltarei na próxima quarta-feira. Venha comigo!
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
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