GETÚLIO VARGAS

Getúlio voltou ao poder em 31 de janeiro de 1951 e de novo instalou-se com a família no Palácio do Catete. Mas encontrou um Brasil política e economicamente mudado. Cinco anos de um governo na democracia, como foi o período do Marechal Eurico Gaspar Dutra, tinham dado uma nova feição ao país.  E não só isso: terminara a Segunda Guerra Mundial, em 1945, e o mundo todo passava por transformações.  Nos Estados Unidos, as mulheres tinham assumido o trabalho nas empresas, fábricas e escritórios, dificultando o retorno dos veteranos de guerra ao mercado de trabalho. A hegemonia econômica se bandeara da Inglaterra para os Estados Unidos, líderes incontestáveis da ação dos aliados. O Brasil também saíra ganhando com a guerra, uma vez que a Europa, invadida e esgotada, já não produzia suas matérias-primas como antes.   Mas essas reservas acumuladas nas mãos de Dutra num instante iriam ser gastas nas atividades de rotina do país.

A oposição não deixava Getúlio se esquecer dos tropeços que ele criara na década de 50, com a censura férrea do DIP e os anos em que atuara como ditador.  Em 1954, seu nome veio à tona como o mentor do assassinato do Major Vaz, incidente ocorrido com o maior rival político de Getúlio, o jornalista Carlos Lacerda, o que deixou Getúlio mais desgastado, física e emocionalmente.  Os militares se reuniram várias vezes e foram a Getúlio pedir que renunciasse ao mandato, com o que o presidente não concordou.

Seu suicídio, em 24 de agosto de 1954, deu-lhe na História do Brasil o lugar de mártir e frustrou profundamente todos aqueles que o queriam ferir, achincalhar, pôr contra a parede.  O Rio de Janeiro em peso compareceu a seu enterro, mais as pessoas que vieram de outras regiões do país para despedir-se do presidente morto. Sucedeu-o Café Filho, seu Vice, que nem de longe tinha o carisma, o vigor político e a habilidade do presidente morto.

Foi muito positivo o legado de Getúlio Vargas ao Brasil, nesses anos de governo.  Criou instituições públicas, departamentos, ministérios.  Aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho, regulamentou o processo eleitoral, implantou a Usina Siderúrgica de Volta Redonda e criou a Petrobrás.  Na Revolução de 30, o país deu um passo adiante em seu processo de industrialização.  Fez isso e muito mais.

Se quiser conhecer melhor Getúlio, recomendo-lhe a leitura do site:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Getúlio_Vargas. E o livro “Minha Razão de Viver”, em que o jornalista Samuel Wainer conta como, ao lado de Getúlio, implantou e administrou o jornal “Última Hora”. Também, de Rubem Fonseca, o romance “Agosto”, em que cria personagens de ficção em torno dos fatos do mês da morte de Getúlio.

Figura controvertida, político matreiro, Getúlio foi uma das grandes personalidades  políticas, a quem o Brasil deve muito.

 

Estarei de volta na próxima segunda-feira.  Até lá!

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GETÚLIO VARGAS, O PRESIDENTE

Getúlio ocupou a presidência do Brasil por quase dezenove anos, tendo recebido diferentes títulos, ao longo de sua carreira.  Em 11 de novembro de 1930, tomou posse como Chefe do Governo Provisório.  Depois, quando foi promulgada a Constituição de 1934, elegeu-se presidente da República por meio do voto indireto, do Congresso. Quando implantou o Estado Novo, tornou-se ditador do Brasil. Finalmente, deposto pelas Forças Armadas, em 1945, voltou à presidência em 31 de janeiro de 1951, eleito pelo voto popular. 

 

Embora a Revolução de 1930, com a deposição de Washington Luís da presidência e o consequente exílio para a Europa, tenham sido atos de autoritarismo e golpe de civis e militares, Getúlio conseguiu estabilizar as forças políticas opostas em todo o país, destituiu presidentes de Estado e indicou interventores para seu lugar e, de alguma forma, permitiu que o Brasil não sofresse um revés econômico.  Interessado em promover as classes trabalhadoras, que até ali tinham demonstrado grande revolta com a situação, tomou medidas que beneficiassem o trabalho nas cidades, em detrimento da vida rural.  Em 21 de março de 1932, por exemplo, por meio do decreto 21.175, implantou a carteira de trabalho.

 

Contudo, o estabelecimento do Estado Novo e os anos que se seguiram foram, sem dúvida, o período mais negro de seu governo, época em que flertou com os governos ditatoriais de Mussolini, na Itália, e Hitler, na Alemanha.  Em 10 de novembro de 1937, dissolveu o Congresso Nacional, os congressos estaduais e as câmaras municipais e outorgou uma nova Constituição, conhecida como Polaca, que lhe conferia o poder total como Executivo. Proibiu o funcionamento dos partidos políticos, acabando de vez com as pretensões de ascensão política de Plínio Salgado e de seu grupo integralista, partido fascista de direita, como já impedira, em 1935, o funcionamento do partido comunista, de Luís Carlos Prestes.  E implantou o DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda, que exerceu férrea censura à imprensa, enquanto acentuava a propaganda do regime.  É desse período a entrega de Olga Benário, esposa de Luís Carlos Prestes, à polícia nazista, da Alemanha.

 

Quando estourou a Segunda Guerra Mundial, Getúlio declarou a neutralidade do Brasil. Porém, no início de 1942, os países sul-americanos reunidos em Conferência, no Rio de Janeiro, a contragosto de Getúlio, decidiram condenar os ataques japoneses recentes aos Estados Unidos e declarar o rompimento das relações diplomáticas com os países do Eixo.  Em 31 de agosto de 1942, depois de ter sido hostilizado por ataques alemães a navios brasileiros, Getúlio declarou-se em guerra, somando-se às forças aliadas.

 

Getúlio Vargas nasceu em São Borja, no Rio Grande do Sul, em 1882, e tinha 63 anos quando foi deposto pelos militares, em outubro de 1945.  Mas, como se viu, não encerrou aí sua carreira política.

 

Voltarei na próxima 6ª. feira.  Venha comigo!

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GETÚLIO VARGAS

 

Nesta semana, resolvi falar sobre Getúlio Vargas.  Foi uma figura política ímpar do cenário nacional, o homem que mais governou o Brasil, desde a implantação da República, em 1889.  Político habilidoso, matreiro, criado no seio de políticos famosos do Rio Grande do Sul, como Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros, elegeu-se, em dezembro de 1927, presidente do Rio Grande do Sul (que era como se chamavam os governadores de Estado), fez-se escolhido como candidato de oposição a presidente da República, em 1929, por meio da Aliança Liberal, perdeu a eleição, em março de 30, para Júlio Prestes, e, por fim, liderou a Revolução que duraria apenas um mês, com pequeno derramamento de sangue, entrando triunfante no Rio de Janeiro, em 03 de novembro de 1930, após a derrubada de Washington Luís, que embarcou para o exílio, na Europa.

 

Sua trajetória política se prolonga até 1945, passando por mil peripécias, quando enfrentou diferentes tipos de oposição, driblando todas e saindo-se vencedor de praticamente todas as situações.  Finalmente, terminada a Segunda Guerra Mundial e expulsada a ameaça de fascismo e nazismo na Europa, a astúcia e o dinamismo do ditador entregaram os pontos e ele rendeu-se ao afastamento que lhe impuseram elementos das Forças Armadas, em 29 de outubro de 1945.  Resignado, voltou para São Borja, no Rio Grande do Sul, onde permaneceu durante alguns anos.

 

Retornou ao cenário político nacional em 1950, candidatando-se a presidente da República pelo voto democrático e venceu as eleições, pelos braços do povo.  Conhecido como “pai dos pobres”, pelos benefícios que havia concedido às classes trabalhadoras, em anos anteriores, não teve na gestão como presidente eleito a mesma sorte ou as mesmas forças políticas a seu favor, que o haviam apoiado em suas decisões autoritárias do passado.  Sufocado por uma série de acusações e conflitos, que envolveram nomes de sua família, suicidou-se com um tiro no coração, no palácio do Catete, em 24 de agosto de 1954.  Na carta-testamento que legou ao povo brasileiro, disse: (...) saio da vida para entrar na história. (...).

 

E conseguiu.  É até hoje a figura política mais controvertida, mas discutida nos meios intelectuais e políticos, por tudo o que fez, por tudo o que arruinou, mas também por tudo o que implantou no Brasil, avanços e disposições que mudaram o rumo da História.

 

Falarei dele, de novo, na quarta-feira.  Venha comigo!

 

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