CONTAR HISTÓRIAS

Fui convidada a contar uma história, na próxima semana, para um grupo de contadores de histórias.  É um desafio grande, porque eu gosto de contar histórias, mas é preciso escolhê-la bem, para não frustrar o grupo e não me frustrar.

 

O contador de histórias precisa levar em conta uma série de variáveis, antes de meter-se nessa empreitada. Os objetivos da atividade e o público a que se destina são essenciais, na determinação da história a ser contada. E a escolha de seu conteúdo é fundamental, além da necessidade de coadunar-se com o tempo disponível. Se bem é verdade que o tom de voz, as pausas e a forma de olhar contam, uma história precisa ter ritmo, suspense, conflitos, a partir de elementos com os quais a platéia se identifique, que não pare muito na descrição dos objetos e pessoas, mas vá em frente, caminhando para um desfecho.

 

Explorar bem quais são os objetivos da atividade, antes de escolher a história: distrair, entreter, fazer rir; criar um clima para a promoção de um debate em cima de determinado tema; estimular a platéia a querer mais e, por tabela, recorrer aos livros, entre outros. O conteúdo da atividade pode ser extraído de várias fontes: do folclore, cujas histórias são passadas de pais para filhos; da mitologia, com as façanhas dos heróis e as tramas dos deuses; dos livros sagrados, cheios de histórias e ação; da literatura, com seus contos curtos, crônicas e novelas. Mas as melhores histórias são aquelas que misturam, nas personagens, os sentimentos, os desejos, as fantasias, as representações, as idéias e os preconceitos da vida real, em vez de simplesmente exortarem a uma vida singela, de humildade, de bons exemplos, que, além de falsas, porque idealizadas, evitam os conflitos.

 

É igualmente importante levar em conta o público a quem o contador de histórias se dirige. Cada faixa etária, classe social, da vida rural ou da vida urbana, irá exigir uma técnica de narrativa apropriada, o entremear com canções, um conteúdo de interesse próprio, que leve em conta suas experiências anteriores.

 

Mas há um ponto que para mim é essencial: não vejo a arte de contar histórias como um momento para se ensinar alguma coisa.  Penso que toda atividade conduz a um aprendizado, mas este não deveria ser o objetivo da contação de histórias.  A aprendizagem é o resultado do processo interior que se estabelece em cada pessoa, a partir das informações que ela recebe.  É o cérebro quem digere as informações recebidas e dá como resultado uma nova aprendizagem.  Ou não: as informações podem não ser processadas e, conseqüentemente, não redundarão em aprendizagem. Então, contar histórias é compartilhar informações. Pretender ensinar alguma coisa é muito diferente.

 

Vou viajar.  Estarei de volta no próximo 01 de junho, 2ª. feira.  Até lá!

 

blogqueéquasediário // témerececomentário 




[ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL , Sudeste , SAO PAULO , JARDIM PAULISTA , Mulher , Portuguese , Spanish , Livros , Games e brinquedos

 
Visitante número: