De acordo com a escritora Martha Medeiros, no Jornal Zero Hora, de Porto Alegre, RS, um certo professor Hermógenes, de 86 anos, teria cunhado a expressão “normose”, doença da qual as pessoas estão padecendo, em pleno século XXI, porque todas querem ser iguais entre si, isto é, imitarem-se umas às outras, nas posturas, na forma de se vestir, no modo de se destacar na mídia ou na vida, em geral. Reconheço que o mundo parece estar padecendo dessa doença da igualdade generalizada, principalmente depois que ele se tornou cada vez menor, porque globalizado, informatizado e submetido a uma crise econômica feroz.
De um lado, há as pessoas muito criativas, que se reinventam a cada momento e que não sofrem de baixa autoestima. Pelo contrário, são geralmente as que saem na frente e são líderes, com suas invenções, seja uma forma especial de inventarem trabalho por conta própria, seja no modo de se relacionarem com a mídia, seja no modo de se vestir e se pentear. Outras, no entanto, que são a maioria, preferem deixar-se guiar por influências que sofrem diante da televisão, do rádio, das revistas, das conversas que ouvem ou das informações que rolam no ambiente de trabalho, e passam a sonhar com novas formas de se reinventarem, a partir do que viram em outras pessoas. Já quem sofre de crise de autoestima, tende a achar que não faz nada certo, que nunca sairá do lugar, que seu corpo não é bonito, que sua forma de falar é acanhada e que seus irmãos fazem uma figura muito mais vistosa, quando saem por aí, em vida social.
Tenho para mim que, em tempos de crise financeira e econômica, mais valia tratar de economizar o rico dinheirinho do que pôr-se a correr atrás de roupas da moda, de cortes de cabelo muito doidos, e parar de imitar o universo das celebridades. Afinal, ninguém garante que desejar grifes famosas, ou endividar-se no cartão de crédito para chamar a atenção, tenha feito as pessoas mais felizes. Parece que é apenas um problema de cabeça.
Recomendo a todos aqueles que se sintam identificados com o problema da normose, ou passem parte da vida comparando-se com outras pessoas, e queiram fazer melhor sua cabeça, a leitura de textos dos filósofos Luc Ferry e Fernando Savater, que estão bastante na moda. Filosofando com eles ou problematizando determinadas situações da vida, as cabeças deixam de andar atrás das outras e param para pensar por conta própria. E, quem sabe, surjam aí determinadas saídas por portas que antes pareciam completamente fechadas.
Voltarei na próxima segunda-feira, dia 25 de maio. Venha comigo!
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As negociações são uma parte importante das relações interpessoais. Há desde as negociações mais simples, quando você pede um orçamento e pechincha, para o vendedor deixar mais barato, até as mais complexas, que são as negociações políticas, entre os representantes dos diferentes partidos, para fazer passar ou recusar uma determinada proposta de interesse dos cidadãos. E há aquelas negociações que se dão em casa, quando o filho pede à mãe para não ir à aula e ela lhe diz que não, com firmeza. (Quem de nós, em criança, não achou um termômetro em casa, colocou-o perto da luz do abajur e disse à mãe que estava com febre, só para não ir à escola?)
Negociar é a arte de intercambiar interesses, desejos, vontades, motivos, argumentos, entre duas ou mais pessoas ou entre grupos de pessoas, buscando alcançar determinados objetivos. Quando os interesses vão na mesma direção, as reuniões se encerram mais cedo. Quando, porém, os interesses e os objetivos são diferentes, é preciso barganhar, negociar, fundamentar, discutir, pedir ou tentar impor determinados pontos de vista.
Nas relações interpessoais, a necessidade de negociação surge a cada passo, desde quando o marido telefona para a esposa, perguntando se ela quer ir ao cinema, à noite, até decisões mais importantes, como manter ou tirar as crianças daquela escola. Entram em cena os argumentos a favor e os em contra de determinada decisão, levantam-se hipóteses, discutem-se as conseqüências. A cada argumento lembrado surge um contrário e, assim, os interessados se encaminham para a decisão final.
Ocorre, porém, que argumentar, questionar e discutir são procedimentos de ordem intelectual, que nunca vêm sozinhos, senão que acoplados a sentimentos, desejos, imagens, representações. Nossas questões mais íntimas e escondidas vêm à tona, de repente, até sem que soubéssemos porquê. Antipatias, simpatias, preconceitos, crenças, valores, estão sempre presentes nessa hora, facilitando ou dificultando as negociações, dependendo do ângulo em que se apresentem. Um fator importante é perceber se as pessoas estão entrando inteiras, de forma limpa e honesta, ou se estão blefando, escamoteando informações importantes. A disposição das pessoas na negociação é fundamental para se chegar a bom termo. Outra atitude importante no processo de negociação é a capacidade de fazer concessões. Posturas rígidas e inflexíveis a respeito de determinado tema impedem que a discussão caminhe. Então, um assunto que poderia parecer simples e bem resolvido, em trinta minutos, pode arrastar-se pela tarde toda, devido ao que chamamos de “agendas escondidas”. Como, porém, negociar, conceder, concordar, discordar, é o que mais sabemos fazer o tempo todo, a gente acaba treinada para exercer esse processo.
Na próxima sexta-feira estarei de volta. Venha comigo!
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Não há uma família que não viva seus conflitos, pequenos, grandes, que passam logo, que custam a passar. Conflitos entre pais e filhos, entre irmãos, entre marido e mulher, entre a nora e a sogra, entre o filho mais velho e o irmão caçula. Conflitos que podem ser uma briga passageira, uma simples provocação, como pode ser tão séria que o mais forte até estapeie o mais fraco (será por isso que mais homens batem em mulheres do que as mulheres, nos homens?).
É pouco comum que o motivo da briga seja aquele sobre o qual se discute. É mais certo que as origens do conflito estejam escondidas, subjugadas, afastadas do consciente, chamazinhas no coração, prontas a pegar fogo ao menor toque. Então, quando determinado assunto vem à tona, as pessoas se pegam, gritam, xingam, ficam de mal, uma delas deixa a sala, abruptamente, na maior parte das vezes sem perceber que não era por aquilo que estavam brigando. O buraco era muito mais embaixo. Porém, como dá trabalho levantar a terra que cobre o buraco, cansa e dá dor de cabeça, muita gente finge acreditar que foi por aquele pouquinho que se disse após o almoço que ela perdeu a cabeça. Se aprofundar um pouco, verá que não foi.
Há uma crença generalizada de que “vai passar”, que os conflitos se resolvem sozinhos. A dor vai passar, o mal-entendido será esquecido brevemente, quando nos encontrarmos na próxima vez ninguém vai se lembrar do que aconteceu. Por que, então, tocar no assunto? Reconhecer que errei, pedir desculpas? Eu, hein?!!!
Há casos em que o mal-estar pode até passar e ser esquecido. Ou foi, de fato, uma briga tão insignificante que ali mesmo já se resolveu, passaram por cima e não sobrou ressentimento; ou não foi tão superficial quanto parece e as pessoas estão fazendo-de-conta que não doeu. Há quem minimize a figura do outro, para fugir da dor, imaginando que ele é um duende – o que, convenhamos, é uma baita discriminação, um pouco caso tremendo da figura que se tem pela frente. Se a dor incomodar, se entrar no consciente e parecer que vai ficar ali, só vejo duas saídas: a pessoa continuar fazendo de conta, até que outro evento significativo venha a ocorrer. Ou ela tentar esclarecer o mal-entendido, voltar ao assunto, enfrentar a dor e pôr em pratos limpos o que se passou entre eles.
A experiência mostra que, quanto mais os participantes do conflito se dispõem a reabrir o sucedido, despojados, desarmados, corações abertos para compreender, pedir perdão e perdoar, melhor se darão as relações entre eles, no presente e no futuro. Pelo contrário, quanto mais difíceis os acertos, maiores as dores. É escolher qual é a dor maior: a do fingimento ou a da confrontação.
Voltarei na próxima 4ª. feira. Venha comigo!
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
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