TONI, MEU ESCUDEIRO

Olá, Toni,

Grande prazer em vê-lo de volta.  Então, você gosta quando eu dou minha opinião. Não quer que eu fique em cima do muro, hein?  Mas nem sempre é possível dar meu parecer, muitas vezes sou obrigada a relatar o que disseram A, de um lado, e B, de outro, para provocar a reflexão do leitor.  Fazer o quê?

Um grande abraço,

margamoura

MAYA ANGELOU

Maya Angelou nasceu no Missouri, Estados Unidos, em 04 de abril de 1928.  Poetisa, prosadora, historiadora e ativista em direitos civis, para dizer o menos, o mundo deve muito a esta figura simpática de mulher, que já completou 80 anos.  Nascida Marguerite Ann Johnson, é conhecida pelo apelido de Maya Angelou.

 

De acordo com o google, com 16 anos ela foi a primeira mulher motorista de ônibus, em São Francisco.  Escreveu bastante, viajou pela África e lutou pelos direitos civis. Em 1993, ela leu um de seus poemas, na posse de Bill Clinton como presidente.  Foi um dos pontos altos de sua carreira e novamente a trouxe para a vista do público. Atualmente, é professora de história americana na Wake Forest University, Carolina do Norte, mas ainda faz suas excursões e dá palestras em vários lugares.  Também na Internet pode-se assistir a uma entrevista em que ela fala sobre sua alegria em ver Barack Obama eleito e o que isso representa para os negros norte-americanos. (“I’m So Proudy”, www.youtube.com).

 

Hoje recebi um e-mail, dando conta de que ela foi entrevistada pela Oprah Winfrey, nos Estados Unidos, e teria falado de si, de suas crenças e de suas alegrias.  Oprah perguntou-lhe como se sente  diante da velhice que chega, ao que Maya respondeu: “Animada”.  Destaquei algumas frases:

 

    “Aprendi que aconteça o que acontecer, pode até parecer  ruim hoje, mas a vida continua e amanhã melhora. 

     Aprendi que, independentemente da relação que você  tenha com seus pais, vai ter saudade deles quando se forem.  

     Aprendi que a vida às vezes nos oferece uma segunda  oportunidade.

     Aprendi que a gente não deve viver tentando agarrar  tudo pela vida afora; tem que saber abrir mão de algumas  coisas.  

     Aprendi que, quando decido alguma coisa com o coração,  em geral vem a ser a decisão correta.

    Aprendi que todo dia a gente deve estender a mão e  tocar alguém. As pessoas adoram um abraço apertado, ou mesmo um  simples tapinha nas costas.

    Aprendi que as pessoas esquecem o que você diz,  esquecem o que você faz, mas não esquecem como você faz com  que se sintam.”

 

São ditos interessantes.  O que mais me impressionou foi este último, que me parece a expressão real do que acontece conosco.  Maya, com a idade da maturidade e da sabedoria, definitivamente tem muito a nos ensinar.

 

Voltarei na próxima segunda-feira.  Venha comigo!

 

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DE GÊNERO E DE VALORES

 

Nascer homem ou nascer mulher sempre foi o início do cumprimento de diferentes papéis, estabelecidos pela sociedade desde os primórdios.  O homem, geralmente visto como forte, herói, guerreiro, produzido por Deus em primeiro lugar. A mulher, como frágil, subordinada, inferior, criada por Deus das costelas de Adão, para obedecer e servir. Passou-se muito tempo antes que a sociedade percebesse que quem via a mulher dessa forma eram os homens, que quem sujeitava as mulheres a uma vida inferior e de humilhação eram os homens, até que a mulher iniciasse a luta pela sua reabilitação como figura importante, inteligente, ousada, ser humano do mesmo nível que o elemento masculino.

 

Isso são valores.  Pretender ver a mulher como ser inferior, julgá-la assim, é ter um valor arraigado. A ética e a moral lidam com valores, idéias, sentimentos, crenças e normas de conduta.  E a moral tem a ver diretamente com os costumes e as tradições. Portanto, os povos se acostumaram a enxergar a figura da mulher como sem nenhum valor e levaram milênios para pôr essa noção em cheque.

 

Os valores podem ser mudados, os costumes se alteram, as crenças mudam de direção.  Os padrões de conduta são diretamente afetados pelos valores, idéias e crenças que os grupos e a sociedade têm e mantêm.  Mas novas gerações podem questionar esses traços culturais que aprenderam e transformá-los, aperfeiçoá-los, eliminá-los ou pôr outros em seu lugar. Valores, idéias, sentimentos, padrões de comportamento e crenças são aprendidos.  Não são “naturais”, mas “históricos”.  Tudo é aprendido, tudo é ensinado, de geração a geração, ao longo do tempo e no espaço.  As populações sempre entraram em contato, umas com as outras, e trocaram entre si seu patrimônio cultural.  Antigamente, de modo mais lento, hoje, on line. 

                                                                                                

A mulher, por meio de uma luta massiva que empreendeu no século XX, pôs abaixo bastante daqueles valores preconceituosos do passado e assumiu seu papel de líder, ao lado da figura masculina.  Ainda existem os ranços, ela ainda sofre muita violência por parte do homem, é vista como objeto de desejo e há muita discriminação, quando o assunto é religião.  Mas, de um modo geral, foi descoberto o caminho que leva a sua reabilitação na sociedade.

 

Agora, o novo desafio social é compreender e aceitar que nascer homem ou nascer mulher é diferente de crescer homem ou crescer mulher.  Quer dizer que o desejo sexual das pessoas pode ir na direção oposta àquilo que se espera dela de acordo com seu sexo de nascimento.  De algum modo, a convivência entre as pessoas é sempre muito difícil.  Conviver é compreender e aceitar, é entender e permitir, em vez de julgar o comportamento dos outros.  Mas isso supõe muita tolerância – que é outra coisa que também se aprende.

 

Voltarei na próxima 6ª. feira.  Venha comigo!

 

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ÉTICA E RELIGIÃO

 

Se a ética e a moral têm a ver com os padrões de comportamento do ser humano; e se esses padrões foram determinados nos primórdios, desde que os primeiros grupos humanos se formaram e foram estabelecendo as regras de comportamento, as crenças, os direitos e os deveres, os sentimentos e os valores, então é certo que essas regras de conduta estão impregnadas da palavra de Deus, pois os homens e as mulheres, nos primeiros anos, séculos e milênios mantinham uma relação estreita de subordinação a deus ou aos deuses, ouvindo sua voz, recebendo sua palavra, acreditando naquilo que os deuses lhes pediam que fizessem.  E continua sendo assim até hoje.

                                                                                           

Eu me referi aos primórdios porque foi lá que se deu o início do estabelecimento dos traços culturais, quando os seres humanos viviam por ensaios e erros, aprendiam muito e passavam adiante esses conhecimentos.  Estabeleceram a economia da tribo, que era a forma como administravam as plantações, as colheitas, as moradias e o trabalho de cada subgrupo.  As propriedades, no início coletivas, passaram a individuais.  O modo de comando, inicialmente uma liderança coletiva, passou para o sistema de escolha de um líder, a quem os demais se submetiam. Isso são apenas exemplos.  Todos os traços culturais foram vivenciados, aprendidos, transformados, interpretados, passados adiante.  Os homens interagiam entre si e com os novos grupos que chegavam, geralmente por meio da guerra e das conquistas.  E toda essa vida cultural impregnada da presença de Deus, da crença em um Deus ou em vários deuses.

 

Esses traços culturais chegaram até nós e é interessante notar-se a influência da religião nos “pode” e “não-pode” da vida. O comportamento moral continua cheio de regras de caráter religioso.  E daí a dificuldade em se entender e praticar a ética, que tem a ver com a forma como os homens se relacionam entre si.

 

Há a crença em duas vidas, a terrena e a eterna.  A vida terrena é a palpável, a que se vive hoje, no aqui e agora.  A vida eterna é a que vem depois, iluminada por Deus, que julgará os homens, premiando-os ou castigando-os.  Que regras de comportamento seguir: aquelas que são ditadas pela razão humana mesclada de sentimentos ou aquelas que nos foram ditadas diretamente por Deus ou pelo papa ou pelo pastor ou pelo rabino?  Crenças, valores, fantasias, imagens, alucinações, sentimentos, normas de conduta, desejos, tudo isso se mescla no interior do ser humano, dificultando que cada um perceba melhor o que quer e em que acredita.

 

Há muito de idealização em tudo isso.  Tem-se uma idéia de perfeição, que idealiza o ser humano ideal, puro, honesto, digno, íntegro, que não mente nunca, que não rouba nunca, que não faz trapaça.  No entanto, a realidade não é assim.  Cabe aclarar em que é que se acredita e como é que se quer viver.  Mas isso são decisões que pertencem a cada indivíduo e a seus pequenos grupos.

 

Voltarei na próxima quarta-feira.  Até lá!

margamourablogadora // rimatambémcomescritora




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