De acordo com um Ensaio de Steve Lohr, no último dia 13, no The New York Times, caderno que a Folha de São Paulo apresenta às segundas-feiras, as crises financeiras influenciam as empresas a mudarem seus estilos de administração. Foi assim na Grande Depressão, em 1929, que afetou o mundo todo, e está sendo assim agora, frente a essa crise financeira e econômica.
“Como a crise muda o modelo corporativo” – uma nova ênfase na eficiência e na responsabilidade.
A administração, diz ele, tem que ser uma resposta inteligente às forças externas, muitas vezes perturbadoras. E os tempos de restrição econômica podem acelerar tendências em curso. John Hagel III, codiretor do Centro Deloitte para Inovação de Ponta, diz que a recessão acentuada obrigará as empresas a ir além do simples corte de custos e a examinar atentamente seus negócios.
Os tempos conturbados também geram mudanças em atitudes e políticas sociais, que levam a novas práticas administrativas. Hoje o pêndulo está voltando a um modelo em que as empresas serão consideradas mais como organizações sociais.
E eu digo que é natural que seja mesmo assim, pois as empresas não são entidades individuais e isoladas. Pelo contrário, inseridas no contexto da rede social, elas são afetadas continuamente pela política, pela economia, pela cultura, pelos padrões éticos, sociais e religiosos vigentes. A influência recíproca entre indivíduos, pequenos e grandes grupos, é uma força dinâmica diária, forte, coercitiva, e só se escapa dela quando se toma consciência do que está acontecendo, quando se descobre quem está afetando quem e quais as forças que poderão ser contrárias a essa influência. Em outras palavras, há uma dinâmica social que atua como força e todos nós estamos submetidos a ela. Para interagir favoravelmente com esse poder, só tratando de compreendê-lo e aprendendo a lidar com ele.

Por isso as manobras internas das empresas, moldando seus modelos de administração. Dizia-se que o líder nasce feito –aprendeu-se que não, que a liderança pode ser ensinada. A liderança era pessoal, individual – aprendeu-se que não, que ela é uma função de grupo, que qualquer um pode ser líder, quando ajuda o grupo a realizar suas tarefas com sucesso. O líder mandava e os subordinados obedeciam – aprendeu-se que o líder é um orientador de seu grupo e deve atendê-lo em suas necessidades. A liderança se fazia de cima para baixo – aprendeu-se que o líder é um de seu grupo, com quem compartilha suas preocupações e interesses. As correntes teóricas mudam. As crises vêm e vão. O importante é tomar-se consciência delas e não se deixar levar pelas águas.
Vou viajar. Estarei de volta no próximo 22 de abril, 4ª. feira. Até lá!
blogqueéquasediário // témerececomentário
São palavras do teólogo croata Miroslav Volf, professor em Yale, Estados Unidos, falando de seu novo livro, “O Fim da Memória”. Na chamada do artigo de Caio Liudvik, no Caderno “Mais”, da Folha de São Paulo de ontem, “a memória de males sofridos confere energia e legitimação ao conflito”.
O autor foi submetido a longos interrogatórios, em 1984, na então Iugoslávia comunista, durante o serviço militar obrigatório que prestou. Foi uma experiência desagradável, que lhe deixou sequelas. Diz ele que perdoou o Capitão G pelos danos que lhe causou, mas que o perdão não é algo que se conceda de uma vez e pronto; pelo contrário, é um processo de ida e volta. Nos momentos de raiva, retiramos o perdão e, depois, ele torna a voltar. Perdoar é um processo marcado por reveses inesperados. O perdão é uma dádiva, se é dado livremente.
Diz Miroslav que hoj
e construímos e interpretamos nossa identidade em termos narrativos, isto é, acumulamos o que nos aconteceu e o que fizemos aos outros. Então, nossa memória é essencial, neste processo de construção da nossa identidade. Porém, se ficarmos relembrando as coisas ruins que nos aconteceram, tendemos a reforçar isso em nossa memória, o que não é bom para nós. E cita o fato do 11 de setembro: dada a forma como aconteceu e o quanto foi repisado, a memória disso acabou sendo manipulada pela administração de W. Bush, o que foi danoso para todos nós. A memória dos males sofridos confere energia e legitimação ao conflito. Não basta consertar os relacionamentos no nível apenas do indivíduo, diz Miroslav Volf, é preciso consertar também os relacionamentos, mesmo os relacionamentos que nos feriram. E não vamos nos curar a contento se nossos relacionamentos não forem consertados.
Passa a falar sobre o significado do perdão, que é o oposto da retaliação, mas não é oposto do castigo e nem da justiça. Você pode perdoar alguém e, mesmo assim, infligir-lhe um castigo. E perdoar também não significa deixar de nutrir um ressentimento pelo malfeitor, devido ao mal causado. E, lançando mão de alguns pensadores, como Freud, entre outros, o autor diz que a memória se mantém viva pela energia emocional. Quando essa energia emocional deixa de existir, a memória vai desaparecendo aos poucos. Por isso, depois de termos perdoado e o relacionamento ter sido consertado, as memórias dos males que nos foram feitos perdem combustível emocional, porque não funcionam mais, e podem desaparecer. Portanto, a não-recordação coroa o perdão.
Voltarei na próxima quarta-feira. Venha comigo!
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
|
|
||||
|
||||
|
||||