Folheando uns artigos que eu havia guardado, topei com uma frase do Frei Beto, em destaque: “A escola deveria formar para a cidadania e não para o consumismo”. Concordo com o articulista. Esse consumismo exagerado em que se converteu a sociedade capitalista dos nossos dias é extremamente prejudicial, quando se pensa no quanto nossas crianças e jovens poderiam estar produzindo, em matéria de arte, criatividade, produção teatral, trabalho com as mãos e coisas por estilo, em vez de correrem atrás da nova produção da boneca Barbie.
Outro dia fui criticada por uma de minhas leitoras, por essa forma de condenar os excessos da sociedade atual, como se eu não tivesse flexibilidade suficiente para perceber uma sociedade em mudança, que os valores das crianças e dos jovens não precisam ser necessariamente os nossos, que estamos na “pior idade”, como diria Rubem Alves. Mas não se trata disso. Creio que é preciso denunciar sempre que alguma coisa exorbita, como é o caso do consumismo desenfreado, cuja influência sofremos diariamente.
Voltando ao início, queria comentar a respeito da educação brasileira. Há duas coisas que me incomodam muito, na forma como os conteúdos das disciplinas são veiculados nas escolas: primeiro, o fato de os professores não problematizarem os dados e passá-los adiante com dogmatismo, isto é, foi assim, foi assado, sem fazer disso um problema, para que os alunos pudessem refletir em cima dos fatos. E, segundo, a maneira de passar as matérias adiante como se fossem fim em si mesmas e não como meio para facilitar a formação dos alunos. Se a História, a Língua Portuguesa e a Matemática, entre outras, fossem meios para se viver melhor; se a Física, por exemplo, ajudasse a garotada a lidar melhor com seus objetos pessoais; se a Biologia ajudasse os jovens a entender e lidar melhor com seu corpo, elas seriam um meio para nos ensinar a compreender melhor o mundo.No entanto, da forma dogmática e fechada como são passadas no banco escolar, só servem mesmo para ser decoradas e devolvidas ao professor, nas provas escritas, como meio para tirarem um diploma. Quando servem para isso.
Quando os Parâmetros Curriculares do MEC foram escritos, em 1997 e 1998, comentou-se muito a respeito de como os eixos de sustentação dos objetivos da educação estão invertidos: em vez de a finalidade ser a formação dos alunos, a cidadania, a discussão sobre valores, para cuja formação concorreriam as disciplinas do currículo, o objetivo é aprender Geografia e Ciências em si, com a introdução ligeira de algumas referências indiretas à noção de cidadania. Eixos de X e Y invertidos e pequena consciência disso. Fazer o quê?
Estarei de volta na próxima segunda-feira. Venha comigo!
blogqueéquasediário // témerececomentário
Recebi com muita alegria a visita de vocês dois neste espaço: Toni e Dulceboop, comentando sobre a morte da Ximbica.
Obrigada pela visita! Apareçam mais vezes!
Com carinho,
margamoura

Matar, mandar matar, provocar a morte de alguém sempre foi considerado um crime. E acelerar o processo de morte, deixando de oferecer todos os recursos para devolver alguém à vida, é considerado eutanásia, o que, pelas leis da maioria dos países é considerado um crime e, aos olhos da igreja, um pecado.
Eutanásia, do grego “eu”, bom, e “tanatós”, morte, é a prática pela qual se abrevia a vida de um enfermo incurável de maneira controlada e assistida por um especialista.
De algumas décadas para cá, já se fala em eutanásia com mais desenvoltura, tendendo o assunto a deixar de ser o tabu que sempre foi. Agora é possível pedir-se para morrer, para aliviar o sofrimento, ou propor a morte de uma pessoa, naqueles casos em que não se vê a cura próxima. “Mar Adentro” foi um belo filme que explorou esse tema, o inválido fadado a não sair da cama pedindo para morrer, que alguém lhe trouxesse a morte, na forma de um presente.
A Folha de São Paulo traz hoje uma notícia a esse respeito: Eluana Englaro, em coma há 17 anos, mantém-se viva apenas porque é alimentada artificialmente. Se se retirar dela essa forma de alimentação, em algumas semanas ela encontrará a morte. É justo fazer isso? É lícito? É legal? E o artigo, em meio ao fogo cruzado de argumentos dos que são a favor, como o pai da moça, e dos que são contra, como a igreja católica, menciona um texto pelo qual se poderia opinar a favor da medida: a questão da “obstinação terapêutica”. A igreja é contrária à extensão da vida por meios “desproporcionais”, que neguem a “inevitabilidade e inelutabilidade da morte”. Quer dizer que, assim como acelerar a chegada da morte pela eutanásia não parece aceitável, prolongar indefinidamente a vida é não se resignar ao inevitável. Chega um momento em que não se pode mais lutar contra a morte.
Permanece, então, o impasse: esse caso de Eluana se encaixa nessa “obstinação terapêutica”? O pai de Eluana obteve, em julho último, uma liminar do Tribunal de Apelação de Milão, permitindo que sua filha parasse de receber alimentos artificialmente, e houve uma decisão de última instância favorável à família pela Justiça, em novembro de 2008. Agora, Eluana está sendo transferida para uma clínica particular, que concorda em fazer o desligamento, apesar da ameaça de sanções por parte do ministro italiano do Bem Estar. E o coordenador do Núcleo Fé e Cultura, da PUC de São Paulo, Francisco Borba, diz que, “de um modo geral, a igreja é contrária ao desligamento de aparelhos”.

E você – qual sua opinião sobre o assunto?
Estarei de volta na próxima sexta-feira. Venha comigo!
blogqueéquasediário // témerececomentário
“O exército admite que uma média de 5 soldados por dia tenta acabar com sua vida ou ferir-se”. Essa frase se encontra num artigo publicado em 28 de janeiro último no jornal “El País”, por Ramón Lobo, divulgado na UOL. Chama-se “O Iraque de Obama” e fala de como os soldados norte-americanos se aborrecem na linha de frente, no Iraque, lutando por uma guerra que não é deles e por motivos que lhes parecem bastante frágeis.

Morre muita gente por lá, uma guerra que teve início em 19 de março de 2003. Vai completar 6 anos. E o articulista menciona que os suicídios geralmente são camuflados, não se quer falar a esse respeito. Mas, de repente, a frase aparece no texto: “O exército admite que uma média de 5 soldados por dia tenta acabar com sua vida ou ferir-se”.
Você pode imaginar o que significa você ser estudante ou trabalhador, mecânico de automóveis ou marceneiro, ter 20 anos, e alistar-se para uma guerra que começou porque as autoridades norte-americanas disseram que havia armas nucleares no Iraque e que era preciso acabar com elas – armas que jamais foram encontradas? E você vai para a linha de frente, luta com armas possantes, convive diariamente debaixo de uma terrível pressão, vê seus colegas morrerem ou ficarem feridos, ao seu lado, e saber que falta muito tempo para você voltar para seu país de origem? Pode imaginar o que é isso?
Eu posso. Por ocasião da guerra do Vietnã, na segunda metade da década de 1960, os rapazes norte-americanos eram convocados para ir lutar na guerra e muitos deles não queriam ir. Começaram, então, a queimar em praça pública as folhas de convocação do Exército, em grupos, apoiados uns nos outros, geralmente com autoridades norte-americanas de esquerda a seu lado, dando-lhes força e apoio moral para continuarem dizendo não à convocação. Iam presos, passavam por desgostos morais. Mas acabaram não indo, o que contribuiu para o esvaziamento da guerra, que terminou com a derrota dos Estados Unidos.
Recentemente, eu aprendi que o Exército não convoca mais os rapazes e as moças para irem lutar no Iraque, senão que os convida para se alistar e lhes paga para guerrear. Soa melhor do que antigamente? Talvez. Mas, ainda assim, é uma forma de pressão em cima da juventude norte-americana.
Se você se interessa por esse tema, leia o artigo, no UOL. Vale a pena!
Estarei de volta na próxima 6ª. feira. Venha comigo!
quealegria,margamoura // vaiserescritoraumdia
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