2008 foi um ano que passou muito depressa e deixou sua marca, o ano em que a crise econômica que já se arrastava há um ou dois anos realmente explodiu. Explodiu com tudo, como se o meteoro que caiu na terra e acabou com os dinossauros tivesse arremetido de novo. Crise financeira que se iniciou na questão das hipotecas imobiliárias nos Estados Unidos e respingou para todos os lados, agoniando agora o mundo todo, em alguns lugares, mais, em outros, menos.
Já li bastante a respeito dessa crise e é a primeira vez que a menciono neste espaço, talvez na tola esperança de que, sendo meu último dia de blog em 2008, a virada do ano levasse a bolha com ela para ir estourar em outro lugar, bem distante. Pensamento mágico.
Não sendo economista, o pouco que entendi tem a ver com a questão do empréstimo de dinheiro. Os bancos emprestam dinheiro às pessoas físicas e jurídicas e cobram uma taxa de juro mensal - e anual. As pessoas passam adiante este dinheiro levantado e os subalugam - se posso falar assim - a outros locatários. E esse dinheiro vai rolando, de mão em mão, de empresa em empresa, de construção em construção. (Nem sempre o dinheiro é real, na maioria das vezes ele é virtual. "Levanta-se" nominalmente determinada quantia junto ao Banco, que a transforma em "papéis" que, por sua vez, assinados e sub-assinados, vão rolando e sendo passados adiante. Porém, chega o dia em que os primeiros credores, aqueles que levantaram o empréstimo e "jogaram" com o dinheiro levantado, não pagam a dívida, não dispõem de dinheiro para pagá-la. E eles já gastaram o dinheiro que tinham levantado. E aqueles a quem eles passaram adiante também não têm dinheiro para pagar. E assim por ldiante? E aí? O dinheiro evaporou-se. Vai assim, sucessivamente, em cadeia, até que se descobre que não há dinheiro disponível para cobrir o "rombo" dos empréstimos feitos. E forma-se a grande bolha de ar - ou a bomba financeira que explode.
Em minha ignorância, concluo que foi o dinheiro que desapareceu da praça. Quer dizer, há muita "movimentação", muito "agito" em torno do dinheiro, em nome do dinheiro, mas dinheiro, mesmo, não há. Parodiando uma peça que o grupo "Asdrúbal trouxe o trombone", que lançou a Regina Casé e o Luís Fernando Guimarães, encenou em praça pública, há muitos anos, eu pergunto "Afinal, com quem está o dinheiro?"
Depois de 2008, logicamente, vem 2009. O que trará ele de bom? Trará elementos para pôr fim nessa crise diabólica que arrasta a todos para o buraco? Trará mudanças significativas e, com elas, nossa esperança de volta? No dia 20 de janeiro, tomará posse o homem mais importante do país mais importante do mundo. E ele é um negro. Isso, em si, já significa mudanças sociais e políticas substanciais, ou é apenas um preconceito da minha parte?
BOAS FESTAS! FELIZ ANO NOVO!

Estarei de volta em janeiro, não sei o dia. Um grande abraço,
margamourablogadora

John Boyne nasceu em Dublin, na República da Irlanda, em 30 de abril de 1971. Estudou Literatura Inglesa e Criatividade na Escrita - e não sei se foram esses estudos ou sua habilidade pessoal que lhe deram o talento necessário para escrever um livro tão comovente e tão bem escrito como O Menino do Pijama Listrado. Com que facilidade ele tece a trama, descrevendo um menino extremamente simpático, Bruno, de apenas 9 anos - e toda a família, que ele nos apresenta aos poucos, toda ela atolada num dilema que facilmente adivinhamos, pelas dicas que o autor nos dá.
É incrível como se pode envolver facilmente um leitor na narrativa, a ponto de atrasar sua saída de casa para o trabalho, porque "precisa" ler mais duas linhas. Por meio de uma escrita aparentemente "natural", espontânea, você pensa que foi facílimo para John Boyne traçar essas linhas, essas frases e esses parágrafos que o livro nos apresenta. Não é à toa que se diz que o livro já vendeu mais de quatro milhões de cópias pelo mundo afora.
O livro, que originalmente se chama The Boy in the Striped Pyjamas, virou filme, no ano passado, e passou em São Paulo, como parte da Mostra Internacional de Cinema.
Se você procura um livro para dar de presente neste Natal a pessoas sensíveis, interessadas em contatar o belo, o primoroso, o bem-escrito, não tenha dúvida de que este estará entre os cinco bons livros que você poderia escolher.
De minha parte, vou ganhar o novo livro de Saramago e um best seller de Stieg Larsson, Os homens que não amavam as mulheres, de modo que deverei estar bastante ocupada, em janeiro. Ler é coisa muito importante, muito rica, abre a cabeça da gente, nos faz refletir sobre um trilhão de coisas e nos deixa divagando sobre mil enredos, caso nos dispuséssemos realmente a escrever pelo menos um deles!
Obrigada por me ter feito companhia ao longo desses dois anos em que meu blog está no ar. Tenha um Feliz Natal e que 2009 não seja como "eles" dizem que será, mas venha cheio de boas surpresas, coisas gostosas, muito pleno de realizações.
Um grande abraço,
margamourablogadora.
A sem-cerimônia com que a mídia invade a casa da gente, pelos jornais, pela televisão, pelo rádio e pela Internet, para nos passar as notícias de que o Ronaldo Nazário está de volta, é uma desfaçatez. Como se todos nós estivéssemos interessados na vida do Ronaldo, nos programas do Ronaldo, nas conquistas do Ronaldo. Eu me aborreço muito com isso e me ponho a filosofar sobre o assunto, a partir do pouco que leio. Havia uma manchete no jornal, outro dia: "Corinthians compra Ronaldo para venda". Como assim? O time está comprando ou vendendo o Ronaldo?

A verdade é um pouco mais complexa. Pense bem: houve um dia um excelente jogador de futebol, chamado Ronaldo Nazário, que na Copa do Mundo de 1994 tinha apenas 17 anos e estava jogando muito futebol. O jogador cresceu, em campo, sua imagem se expandiu, foi jogar na Europa, virou um craque de bola, foi eleito o melhor jogador do mundo. Tudo isso há uns quinze ou dezoito anos. O tempo passou, o jogador foi engordando e perdendo a forma física, além de que se machucava com facilidade, pelo fato de ser muito "caçado" em campo.
Ganhou muito dinheiro. Tanto por atuar no campo, como para posar como garoto de marketing. Fez muito sucesso, dentro e fora dos gramados. Dinheiro, status, poder, regalias, tiraram do jovem Ronaldo a capacidade de concentração em sua carreira como jogador - e ele foi jogando cada vez menos. (Eu penso que isso aconteceria com qualquer um de nós, se aos vinte anos fôssemos uma pessoa famosa, adulada e cheia de dinheiro). Então, "encampado" pela Nike e sendo seu embaixador, no Brasil e no resto do mundo, virou um "símbolo" do futebol, transformou-se numa imagem, num objeto cheio de significado, num modelo de vencedor, muito mais do que num jogador craque de futebol.
Qual é o Ronaldo Nazário que volta ao Brasil e interessa ao Corinthians? O jogador, o moleque Ronaldo, cheio de bola, bom garoto, o fazedor de gols? Não. O Ronaldo-propaganda, o símbolo do Ronaldo Nazário, aquele que nem precisa mais entrar em forma, nem precisa perder vinte ou trinta quilos, nem precisa sequer preocupar-se em entrar em campo para chutar futebol. Ele pode, como Pelé até hoje, só entrar em campo, dar o pontapé inicial, ser fotografado fazendo isso e deixar o campo. Porque ele sabe que não é exatamente como jogador que vem ao Brasil e, sim, como imagem, como símbolo, como aquilo que ele representa para o Brasil e para o mundo: o "Ronaldo-fenômeno".

E é por isso que eu tenho motivos para continuar me preocupando. Porque noto que, nesta sociedade capitalista consumista em que vivemos, com facilidade vamos trocando as pessoas e as coisas importantes por símbolos, imagens ou mercadorias que se podem comprar e vender. Então, quem é mesmo que o Corinthians está comprando - ou será que está vendendo?
Voltarei na quarta-feira. Venha comigo!
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
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