CLIMAS

Fui assistir ao firme turco Iklimler, que em inglês saiu como Climates e que, em português, deu Climas.  Fui vê-lo porque, tendo sido feito na Turquia, achei que deveria conhecer um filme diferente do habitual.  E, de fato, diferente é o que ele é, mesmo.

 

Dirigido por Nuri Bilge Ceylan, foi apresentado em São Paulo na Mostra Internacional de Cinema do ano passado e agora entrou em cartaz.  O mesmo diretor ganhou recentemente o prêmio de melhor diretor, no Festival de Cannes, com o filme Three Monkeys, prêmio que dedicou a seu país de origem, que ele disse amar de paixão.  Ess filme foi passado neste ano, na Mostra Internacional de Cinema.

 

Em Climas, um professor universitário (Nuri Bilge Ceylan) não é particularmente atento com sua jovem e bonita esposa (Ebru Ceylan), que, por sua vez, apresenta um comportamento um tanto quanto adolescente.

 

É um filme diferente, porque pretende filmar sentimentos, imagens de pessoas frustradas, rostos de mulheres entediadas, risadas aparentemente fora de hora.  Paralelamente, ora, chove, ora, neva.  Talvez daí, com sentido duplo, o título de “Climas”, pois participamos tanto dos estados de alma das personagens quanto do clima que acontece lá fora.  E as fotografias tiradas na neve são realmente espetaculares.

 

É um filme lento e, portanto, pouco aconselhável àqueles que preferem ritmos fortes e ágeis ou muita aventura.  Mas, já que o cinema é imagem, vale como curtição, para penetrar no âmago dos sentimentos das personagens.  By the way, Nuri e Ebru estão casados, na vida real.

 

 

Voltarei na próxima 2ª. feira.  Venha comigo!

 

margamourablogadora // rimatambémcomescritora

MORREU MIRIAM MAKEBA

Eu conheci Miriam Makeba.

 

Não me lembro se foi em 1966 ou 1968, eu estava em Nova York, com um grupo de colegas.  Vamos ao Carnegie Hall?  Eu não tinha idéia do que iríamos ver, mas fomos.  Primeiro, apresentou-se Harry Belafonte.  Depois, para minha surpresa, aquele conjunto de negros e negras, da África, com trajes típicos, e aquela negra bonita, espalhafatosa, voz forte, cantando uma música diferente.  Havia uma mistura de jazz e música africana e muitos instrumentos de percussão.  E, de repente, aquela música forte, que mais tarde fez sucesso no Brasil, conhecida como Pata Pata. Mais ao fundo do palco, vi com surpresa uma figura conhecida: era o brasileiro Sivuca, acompanhando o conjunto.  Ao término do espetáculo, fui até o camarim cumprimentá-lo.  Mas hoje eu sei que deveria ter cumprimentado, também, a negra bonitona, que só mais tarde identifiquei como Miriam Makeba, quando sua música chegou ao Brasil com grande sucesso.

 

Deu na Folha de São Paulo que Miriam morreu no último dia 9, aos 76 anos, após participar de um show no sul da Itália contra o crime organizado.  Foi levada ao pronto-socorro de uma clínica particular, após sofrer um ataque cardíaco e cair no palco, no final da apresentação. Ela cantou por meia hora no show em solidariedade ao jornalista italiano Roberto Saviano, ameaçado de morte por escrever um livro sobre os mafiosos da Camorra, de Nápoles, e também em homenagem a seis imigrantes de Gana mortos a tiros em setembro na Itália, um crime supostamente cometido pela máfia napolitana.

 

A trajetória de vida de Miriam Makeba foi de seu início, na África do Sul, como empregada doméstica, até o abraçar da causa política contra o apartheid, ocasião em que conheceu o exílio.  Cresceu numa favela perto de Johannesburgo e começou a cantar no coro da escola.  Aprendeu músicas ouvindo o jazz norte-americano.

 

Nelson Mandela emitiu um comunicado em que lamentava o desaparecimento de Miriam, “cuja música inspirou um poderoso sentimento de esperança em todos nós”, disse ele.   A cantora e autora de Pata Pata só voltou à terra natal com o fim do apartheid, no começo dos anos 1990.

Sua canção mais famosa, Pata Pata, foi gravada no final dos anos 1950. Em 1966, foi a primeira africana negra a receber um Grammy, pelo álbum folk feito em parceria com Harry Belafonte.

 

Volto na sexta-feira.  Venha comigo!

margamourablogadora // rimatambémcomescritora
O VELHO

O velho sentou-se no barranco e ajeitou-se como pôde, limpando a poeirinha da terra e afastando as formigas do lugar.  Ofegante, sentiu que não daria para concluir aqueles três quilômetros que faltavam.

 

Que incrível a vida! pensou ele.  Há quantos anos faço este caminho de ida e volta, quantas vezes não cruzei estes pastos, desci e subi estes morros, como eu era leve e lépido e como me custa fazê-lo agora.  Pensativo, deu-se conta de que tudo tem um começo, um meio e um fim.

 

E Deus, como será Deus?  pensou ele.  É tão grande, tão infinito, é verdade que não teve mesmo princípio e nem terá um fim?  Olhou para o céu e, apesar de ser manhã alta, lá estava a lua, lua nova, olhando para ele.  Este céu, estas estrelas, esta lua, também estarão aí desde o início dos tempos, criados por Deus, ou chegaram depois dele?  Este universo terá fim um dia?

 

O velho estava gostando de estar ali, parado.  Reconheceu que já labutara bastante, quando era mais moço, que já dera um duro danado, que merecia repousar.  Interrompeu suas reflexões para observar os passarinhos, parados perto dele, bicando o chão, à procura de alimento.  Depois, um levantou vôo e outro foi atrás dele, em seguida.  Ficaram brincando de pega-pega, até que, fazendo grande alarido, sumiram-se da vista.  Aproximou-se um cachorro.  Olhou para o velho, um olhar desconsolado, tentou acercar-se do homem, hesitou, cheirou-lhe o pé e passou adiante, procurando alguma coisa para comer.

 

O velho sorriu.  Pássaros, galinhas, gatos, cachorros, também eram seres vivos, sujeitos à morte.  Lembrou-se de uma conversa do neto, à mesa do jantar, dizendo que ouvira na escola que não era para maltratarmos os animais, porque também eram seres vivos.  Bem, ele não tinha o costume de judiar dos animais.  O que queriam dizer com aquele conselho?  Alguém os maltratava?  Ele, o que fizera a vida toda, fora matar os bois, as galinhas e os coelhos para que servissem de alimentação.  Será que nem isso estariam querendo, aqueles que o neto ouvira na escola?  Ah!  Ele disse que é para a gente não comer carne de animal, só vegetais, frutas, legumes.  E o velho sorriu: Nossa!  Como seria diferente a vida, se a gente não comesse mais carne de vaca, frango, pato... E peixe, será que pode?  Coitado do peixe, ele sofre tanto, quando a gente fisga ele no anzol!

 

E, refletindo sobre os processos de vida e morte dos seres vivos, lá se foi o velho estrada afora, ainda com uns três quilômetros pela frente para vencer.

 

Quarta-feira estarei de volta.  Venha comigo!

 

blogqueéquasediário // témerececomentário




[ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL , Sudeste , SAO PAULO , JARDIM PAULISTA , Mulher , Portuguese , Spanish , Livros , Games e brinquedos

 
Visitante número: