Tempos de trégua, final da campanha sucessória, muito afã, muita correria, muito falar-mal-do-outro, deu Obama na cabeça, um jovem de 47 anos, pele escura, democrata, intelectual, uma figura fina e discreta para assumir um trabalho volumoso, um tremendo trabalho que tem pela frente.
Barack Obama tomará posse como presidente dos Estados Unidos no dia 20 de janeiro de 2009. Nesse dia, se encerrará a era W. Bush, para grande alívio de uma imensa maioria, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa.
Obama, do Partido Democrata, derrotou o republicano McCain, que tentou, durante a campanha, afastar-se das idéias de Bush, para angariar a simpatia dos eleitores. E, pelo jeito, não conseguiu.
Nos Estados Unidos, em que a eleição não é obrigatória, a população foi maciçamente às urnas, o que há tempos não acontecia. Agora, é torcer para Obama conseguir imprimir uma nova feição à administração pública, tornando-a mais transparente do que nas mãos de Bush, bastante criticado por trazer tudo muito trancado, de modo sigiloso, escondido.
Obama tem fama de ser íntegro, um homem de família dedicado e um pai orgulhoso. Essa imagem, se verdadeira, virá a calhar, pois alguns democratas, como Kennedy e Clinton, por exemplo, eram “paqueradores quase patológicos”, no dizer do Der Spiegel de ontem, no Uol. Vamos torcer para que ele acerte, embora eu faça duas ressalvas:
1) “Acertar” é uma expressão ambígua, pois não se consegue agradar a todos. Quando você se empenha em fazer o melhor, estará necessariamente desagradando os interesses econômicos e políticos do outro lado – e daí o massacre de críticas que caem em sua cabeça. Em minha opinião, o governante deve zelar pelos interesses da maioria, principalmente numa democracia.
2) Se Obama empenhar-se demais em defender os interesses norte-americanos, periga de ele dar continuidade às diretrizes da era Bush e, nesse caso, teríamos apenas trocado seis por meia dúzia.
Já comentei neste espaço, há mais de um ano, que, na política, não se trata propriamente de pessoas, mas de sistemas, de grupos de pessoas, de grupos de interesses envolvidos. Quem leu “A Engrenagem”, de Sartre, sabe bem de que estou falando. Para fazer política é preciso saber negociar. E, geralmente, nas negociações, você faz concessões. Resta saber até onde você pode ceder.
Mas, venha o que vier, Obama é muito melhor do que W. Bush. Nem preciso conhecê-lo em profundidade para fazer esta afirmação. Vá fundo, presidente!]

Voltarei na próxima segunda-feira. Venha comigo!
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Nesta semana, a ESPN Brasil passou na televisão um programa de meia hora, a respeito da Copa de 2006, intitulado Como o Hexa foi pro lixo. Eu, que me interesso muito por futebol e, mais ainda, por Copas do Mundo, fiquei curiosíssima em assisti-lo.

Não me decepcionou. Falou dos preparativos da Copa de 2006, com o Parreira, das expectativas da torcida brasileira, meses antes, aguardando o hexacampeonato com ansiedade. Passou trechos do jogo do Brasil com a França, que foi quando o sonho virou água. E salientou os aspectos mais importantes do acontecimento todo, como a necessidade de se fazerem amistosos; a preparação física e psicológica da seleção; como estava o aspecto motivacional; e um pouco do que se disse, depois da Copa.
O programa pôs grande ênfase nas falas do Parreira, antes e depois do evento. Vários meses antes, ele teria dito, na mídia, que era preciso fazer vários amistosos, para que a equipe se habituasse a jogar junto. Não aconteceu. Foram um ou dois amistosos, apenas. Mostrou as preocupações iniciais do Parreira a respeito da motivação dos jogadores: como se consegue que jogadores que já jogam na Europa, ganham dinheiro, têm suas necessidades básicas satisfeitas, possam estar motivados para se empenhar e vencer a Copa? Mas as reportagens da época, na televisão, mostram um Ronaldo falando de seu grande empenho em jogar mais uma Copa do Mundo, de seu amor à camisa brasileira, dizendo-se feliz por estar no Brasil e poder jogar. No entanto, o documentário mostra que tanto Ronaldo como outros jogadores estavam fora de forma física e pergunta: Por que foram aceitos? Por que não foram substituídos por outros, mais em forma?
Uma coisa que a reportagem mostrou e que eu não tinha percebido foi o clima que rolou lá na Europa, durante os treinos: muita gente de fora entrando no campo, brincando com os jogadores, cantando com eles, divertindo-se com eles. Não se sente ali um clima de concentração, de calma, de uma equipe que se esforça pelo entrosamento, em busca do sucesso. Eu não tinha percebido isso, na época, talvez porque eu quase não veja televisão. Depois da derrota, Parreira teria dito que esse ambiente de concentração não deverá se repetir.
02 de julho de 2006. Um fiasco generalizado. Não concordo com o que disse a maioria, nem o Parreira e nem mesmo as conclusões a que chegaram os responsáveis pela reportagem. Não foi apenas um despreparo, uma falta de empenho ou uma responsabilidade do técnico. O buraco é muito mais fundo, mas me parece que não há interesse em se levarem as investigações tão longe. De qualquer modo, valeu, ESPN Brasil!
Voltarei na sexta-feira. Até lá!
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De um modo geral, todo mundo quer fazer a cabeça do outro. Temos uma tendência a doutrinar, apontar o que é certo, insistir com o outro para que aceite nossa opinião, moldar sua conduta, incutir-lhe nossos valores.

Esse comportamento, de nossa parte, nem sempre é consciente, já que nosso inconsciente tem forte influência sobre nossas ações. Ou, sim, é consciente, porque sou seu pai e você precisa me obedecer, ou, não vou permitir que você continue procedendo dessa forma. Alguns chegam às vias de fato, batendo no outro, para que ele aprenda a comportar-se melhor. A professora procura passar seus valores aos alunos, com toda a convicção e a ênfase de que é capaz. O religioso, no sermão, prega verdades, invoca os livros sagrados, exorta os fiéis a procederem de determinada maneira. É certo que as pessoas se influenciam constantemente, umas às outras, e também é verdadeiro que umas dispõem de mais poder do que as outras, por suas características pessoais, pelo lugar que ocupam nos grupos ou pela forma como são vistas pelos outros, que depositam nelas suas fantasias, imaginação, sentimentos, desejos, expectativas. Então, para essas pessoas, é mais fácil fazerem as cabeças dos outros.
Os meios de comunicação de massa são os que dispõem, hoje, do maior poder de fogo. Espalhados pelos quatro cantos, uma realidade que teve início apenas no final do século XIX, substituíram as cândidas conversas ao cair da noite, quando as famílias punham as cadeiras na calçada e se encontravam para conversar. Antes, a família, a escola e a igreja lançavam mão de seus recursos para formar as crianças, incutindo-lhes suas normas de conduta, suas crenças, seus valores, seus costumes, suas idéias, seus sentimentos, suas formas de organização econômica, política, social – o que se chama de cultura. Depois, com o avanço da tecnologia e da urbanização, com o processo de industrialização, que estimulou o abandono do trabalho rural e a vinda para a cidade, as pessoas já não podiam mais saber das notícias aos poucos, era preciso incrementar as formas de comunicação. Você se lembra do tempo em que as notícias de falecimento eram passadas pelo alto-falante da igreja, convidando as pessoas para a missa de corpo presente e para o enterro, que seria às 11:00 horas? Isso não era mais possível nos tempos modernos. Então, passou-se à realidade das cidades populosas. Novos tempos, novas formas de moradia, novas formas de comunicação, novas maneiras de se fazer a cabeça.
A experiência mostra que dialogar com o outro e construir com ele dá melhores resultados do que tentar impor seus próprios pontos de vista. Mas dialogar dá trabalho, exige tempo e paciência. Mandar, falar grosso, fazer sermão, são mais fáceis de se fazer. Isso sem falar no tremendo poder da mídia! Credo!
Voltarei na próxima quarta-feira. Venha comigo!
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
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