Deu no Der Spiegel, hoje, no Uol, o aumento do anti-semitismo, por parte da sociedade alemã, conforme identificado por pesquisas feitas. Aliás, não é de hoje que o Der Spiegel vem trazendo matérias sobre esse assunto, revelando a dificuldade que as autoridades alemãs estão enfrentado para conter esse sentimento exaltado, que faz pichações nas ruas, nas residências, nas sinagogas, que levanta um coro de cantos e xingamentos anti-semistas nos estádios de futebol. E não é apenas o anti-semitismo crescendo, mas, com ele, as ondas de violência. Recentemente, foram ameaças aos juízes e a outras autoridades alemãs, por meio da Internet.
O Parlamento alemão vinha trabalhando desde o início do ano para formular uma resolução condenando o anti-semitismo na Alemanha – e queria que ela fosse aprovada por unanimidade. A idéia era ter o documento pronto para o 70º aniversário do ataque nazista, “A Noite dos Cristais”, que ocorreu em 9 de novembro de 1938. Mas isso não foi possível. O esforço se tornou uma vítima de brigas políticas e agora o documento está ameaçado de ser torpedeado.
Segundo as estatísticas citadas por membros do Parlamento federal, em média, um cemitério judeu é vandalizado por semana, na Alemanha. Os políticos estão atentos e um parlamentar social-democrata ainda tem esperança de que encontrem uma linguagem comum para a resolução. O contrário disso seria um “fiasco político”, diz ele.
O desencontro tem a ver com determinadas passagens do documento, principalmente as relativas à ex-Alemanha Oriental, que não reconheceu Israel e de onde empresários judeus tiveram que fugir, depois que seus bens foram tomados pelo governo alemão-oriental. Outra ala responde que não foram apenas os judeus que tiveram seus bens tomados. Há, ainda, implicações de caráter político-partidário, pois uma parte dos que assinarão o documento querem deixar de fora o Partido de Esquerda, alegando que é hipocrisia um partido que não reconheceu Israel querer agora assinar contra o anti-semitismo.
Como se vê, as questões são sempre muito mais profundas do que parecem à primeira vista. Quando grupos de vândalos saem por aí, destruindo, danificando propriedades, insultando pessoas, eles sabem que há apoio por detrás, porque, al fin y al cabo, quem move nossas ações são nossos sentimentos, nossas idéias, nossos valores, nossos preconceitos, nossos amores e nossos ódios. E ponha ódio nisso!

Vou sair por uma semana. Estarei de volta na 6ª. feira, dia 31 de outubro. Até lá!
blogqueéquasediário //témerececomentário
Errata: Lendo meu texto publicado ontem, me dei conta de que chamei a Segunda Guerra Mundial de Segunda Guerra "Civil". Isso foi um erro.
Até amanhã e um abraço.
blogqueéquasediário // témerececomentário
A passagem de Hitler pela Alemanha, no século XX, deixou marcas tão profundas na terra, na sociedade e nos corações que muitas décadas ainda se passarão antes que a gente deixe de se chocar com os relatos. A triste “Noite dos Cristais” é um deles.
Foi em novembro de 1938, um ano antes de estourar a Segunda Guerra Civil, que os judeus foram atacados em várias partes da Alemanha, por homens à paisana, que a maioria deve ter indicado como policiais a mando de Hitler. Tratou-se de um novo pogrom, como as comunidades de judeus estavam cansadas de conhecer – e destruiu lojas e habitações, pôs fogo em sinagogas e atentou contra pessoas identificadas como judias. Diz o artigo da Wikipedia que as autoridades nazistas cobraram uma multa de um bilhão de marcos aos judeus pelas desordens e prejuízos dos quais eles foram as vítimas.
Além das referências que se encontram em vários sites da Internet, há também o livro de Martin Gilbert, “A Noite de Cristal” (Kristallnacht: Prelude to Desaster), que a Ediouro publicou em 2006. O título dado ao evento tem a ver com os cristais e vidros que se quebraram em um único dia. Noventa e uma pessoas morreram e cerca de trinta mil judeus foram deportados.
Gilbert narra que, poucos dias antes, um jovem judeu, enraivecido com a deportação de sua família, entrou na embaixada alemã em Paris e descarregou cinco tiros em um diplomata, que veio a falecer. A Noite dos Cristais aconteceu em represália a esse evento. Bem, na verdade, Gilbert conta muito mais do que isso: ele relata, por exemplo, porque Herschel Grynszpan ficou enraivecido – o que deixa muito claro que seu ato de vingança foi apenas uma desculpa para a desforra nazista.
O que vem à tona, agora, setenta anos depois, é que um jornalista israelense encontrou restos daquele pogrom, em um aterro perto de Berlim. Deu no Der Spiegel do último dia 21, no Uol. Enquanto conduzia suas pesquisas em Carinhall, residência de campo do nazista Hermann Göring, um morador local lhe disse que tinham sido despejados ali perto, naquela época, objetos de casas judias destruídas durante o pogrom. Svoray rapidamente encontrou uma série de artefatos que possivelmente corroboram a alegação do morador, inclusive uma garrafa de vidro verde com uma estrela de Davi impressa no fundo, que Svoray acredita ser das sinagogas da época. E um mapa antigo identifica a área como tendo sido usada como aterro de lixo, entre 1935 e 1940. É provável que se trate de um achado de extremo valor histórico e que deve vir à luz em sua plenitude, mesmo que o fato de revolver este passado ainda recente faça sangrar de novo as feridas não cicatrizadas.
Voltarei na sexta-feira. Venha comigo!
margamourablogadora //rimatambémcomescritora
Meu caro Toni,

Então você discorda de que os professores, no Brasil, sejam mal pagos? Pensei que fosse voz unânime de que se exige bastante de nossos professores e se dá muito pouco em troca a eles. Talvez você esteja pensando em determinadas situações do ensino particular, em que os professores às vezes são bem pagos, mas, de um modo geral, é voz corrente que os salários de todos eles teriam que ser atualizados.
De qualquer modo, este é um espaço aberto para discussões e os questionamentos são sempre bem-vindos.
Um abraço,
margamouraescritoraduradoura
Mangá designa as histórias em quadrinhos feitas no estilo japonês. E anime é o nome dado à animação japonesa. Para nós, ocidentais, anime é todo desenho animado que venha do Japão, mas, para os japoneses, anime é tudo o que seja desenho animado. Vários mangás dão origem a animes para exibição na televisão, em vídeo ou no cinema, porém, vários animes tornam-se uma edição impressa de história em seqüencia ou de ilustrações.
Com a aproximação entre japoneses e norte-americanos, no final da Segunda Guerra, muitos artistas japoneses deixaram-se influenciar pela cultura pop dos Estados Unidos. Osamu Tezuka, Shotaro Ishinomori e Leiji Matsumoto estavam entre eles e, mais tarde, foram consagrados no mercado de mangá. Na década de 1950, influenciados pela mídia que vinha do ocidente, diversos artistas e estúdios começaram a desenvolver projetos de animação experimental. Surgiram Hyakujaden (A Lenda da Serpente Branca), em 1958, lançada em circuito comercial da Toei Animation, divisão de animação da poderosa Toei Company, e Manga Calendar, o primeiro anime especialmente feito para a televisão, veiculado pela emissora TBS, com produção do estúdio Otogi, em 1962.
Em 1963, foi lançado Tetsuwan Atom, também conhecido como Astro Boy, baseado no mangá de Osamu Tezuka, já com a estética de personagens de olhos grandes e cabelos espetados. Astro Boy acabou tornando-se o propulsor da maior indústria de animação do mundo, conquistando também o público dos Estados Unidos. Tezuka era um ídolo no Japão e sua popularidade lhe proporcionou recursos para investir em sua própria produtora, a Mushi Productions.
Este histórico pode ser encontrado no site da Wikipedia, se você tem interesse em conhecer melhor o assunto: http://pt.wikipedia.org/wiki/Anime

Quanto a mim, o que me chamou a atenção, ontem, foi um artigo de Akira Suzuki, no Uol, a respeito de uma exposição que haveria em Tóquio, em que o articulista comenta o fato de Ozamu Tezuka estar construindo produtos que façam pensar sobre os problemas que afetam a humanidade, como a destruição do meio ambiente. Um deles é o Astro Boy Alarm, que indica há quanto tempo um produto eletrônico está sendo usado, cujo objetivo é conscientizar sobre o gasto de energia e seu impacto ambiental. Outro, mais simples, é o adesivo Astro Boy Checker, que é colocado na pia, onde a água cai. O decalque muda de cor dependendo do tempo que ficar exposto à água: em um primeiro momento, a expressão é de tristeza e fraqueza e, depois, de ira. O intuito é apelar para as emoções da criança e ensinar-lhe sobre a preservação dos recursos naturais.
Não resta dúvida de que a tecnologia está a serviço do artista, que a usará de acordo com suas crenças, sentimentos, valores, padrões de comportamento. Genial, não é mesmo?
Volto na quarta-feira. Me aguarde.
margamourablogadora//rimatambémcomescritora
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