São Paulo inaugura hoje a 32ª. Mostra Internacional de Cinema, um show de filmes, de bons diretores, de retrospectivas, de coisas de encherem os olhos dos cinéfilos paulistanos e paulistas, além dos que vêm de longe para assistir à Mostra.
Sempre organizada pelo competente Leon Cakoff, nos primeiros anos do evento, lá pelos 1970 e tantos, ele encontrou muita dificuldade para realizar a Mostra e, depois de uns cinco ou seis anos, chegamos a pensar que ele fosse desistir. Mas aí, tendo encontrado outras formas de organização e, sobretudo, recorrido a patrocinadores que corresponderam, ele fincou o pé na pompolinha e a Mostra arribou. Dos anos 1990 em diante, ela foi montada cada vez com mais esmero e parece que as dificuldades financeiras se acabaram, pois não se ouviu mais falar de hesitação da parte do organizador.
Discute-se muito o papel e o significado do cinema. Quem teve a cabeça feita pelos filmes de Hollywood, e somos todos nós, a grande maioria, com o cinema falado que surgiu nos anos de 1930 e depois, com os grandes musicais dos anos 40 e os melodramas e policiais dos anos 50, que davam destaque muito mais aos artistas do que aos diretores, ficou achando que o cinema é pura diversão, que ele deve, mesmo, mostrar uma realidade fictícia e luxuosa, porque de ruindade, pobreza e problemas já chega nossa vida do dia-a-dia. Bem, o neo-realismo italiano do pós-guerra entrou com filmes fortes, que pretendiam mostrar outro tipo de imagens.
Há quem prefira utilizar o cinema como meio de educação, visando a formar as crianças e os jovens. Nesses casos, tentam “passar” adiante valores, crenças, idéias, sentimentos. Foi o caso, por exemplo, do cinema alemão nas mãos de Hitler, que se valeu das artes da cineasta “Leni” Riefenstahl para utilizar filmes na propaganda nazista. Leni viveu 101 anos e faleceu recentemente. Sempre negou que tivesse percebido as intenções reais de Hitler, que sua responsabilidade era produzir um bom cinema. E houve também o cinema russo, do início do século XX, com Eisenstein, e o expressionismo alemão, com Fritz Lang. Haveria muito mais para relatar, da história do cinema. Mencionarei apenas a genialidade de Bergman, o sueco que faleceu há pouco.
O cinema é uma arte em expansão, evolução e mutação. Recentemente, ele produziu excelentes filmes de efeitos especiais, tem caprichado na ficção científica, multiplica imagens no computador, faz misérias com as imagens e os sons. Já não se dedica tanto às histórias lineares, com princípio, meio e fim.
Cinema para transmitir emoção. Cinema para nos passar o belo. Cinema produtor de imagens. Cinema diversão. Cinema que nos traz problemas para pensar em casa. Cinema passatempo. Cinema para além das histórias. Cinema de reflexão. Você decide.
Segunda-feira estarei de volta.
blogqueéquasediário // témerececomentário
Pobre professor de crianças da escola pública, que mal tem o que comemorar em seu próprio dia. Pobre professor de adolescentes da escola pública, que se esfalfa para dar conta do recado e nem sempre consegue. Pobre professor das escolas públicas noturnas da periferia, que a duras penas entra em sala de aula, morto de medo de dirigir-se aos lugares onde estão localizadas as escolas e que não sabe se sairá com vida, quando as aulas terminarem.

Ser professor é uma coisa. Trabalhar numa escola limpa e organizada, com um número razoável de alunos na sala de aula, dispor de equipamentos e condições de trabalho, passar horas dialogando com seus alunos e transmitindo informações que os ajudem a parar para refletir é uma coisa. Outra, muito diferente, é atravessar a cidade para dar aula em escolas empobrecidas, sem as mínimas condições de ensinamento, para alunos que não têm condições de aprendizagem porque não têm as condições necessárias de concentração, de higiene, de barriga cheia, de sono satisfeito à noite, de despreocupação, que não possuem aquela disponibilidade interior que possibilita que prestem atenção ao que a professora diz, que possam recorrer aos livros, que possam assimilar o que lêem. E uma coisa muito diferente.
Sem falar no salário do professor/professora. Ofício de ensinar que tem sido aviltado, para o qual não se voltam as atenções da sociedade, para quem não se exige que o governo desperte e valorize a profissão. Professor/professora que ainda exercem sua função porque foi a única que aprenderam ou porque sentem que ainda têm algo para dar ou porque sentem uma vocação forte para o ofício. Abnegados professores, que se expõem aos perigos dos locais em que trabalham e à sanha dos alunos, quando brigam entre si ou quando vão armados para a escola.
O professor precisaria preparar-se mais e melhor para dar suas aulas. Precisaria dispor de tempo para ir ao cinema, ao teatro, freqüentar bibliotecas, para ampliar seu cabedal de informações e conversar melhor com seus alunos. E como pode obter isso, com os baixos salários e horas demais de trabalho para cumprir? E a professora, que além de preparar suas aulas, corrigir provas dos alunos, estar com eles nos horários da escola, ainda chega em casa e tem duas crianças para cuidar, o jantar para preparar, a roupa para passar?
Dia do professor. Dia em que se homenageia essa figura tão importante, desde aquela professora que nos ensinou o be-a-bá até os professores do ensino médio, que nos prepararam para ir para a faculdade – isto é, prepararam aqueles alunos que puderam ir para as faculdades, porque a maior parte deles já havia parado no meio do caminho.
Parabéns, professor! Curta bastante o seu dia!
Estarei de volta na sexta-feira.
Até lá!
passeava pela floresta quando encontrou 
Ia começar a brincar com eles, quando apareceu a
, de olho em ensopado de gato. Ainda mais três!
Tentando defender os bichanos,
veio em seu socorro, com uma
na mão. Transformou a
em um
manso e
saíram todos a passear pela floresta.
Na quarta-feira estarei de volta. Um abraço.
margamouraescritoraduradoura
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