MAIS UMA VEZ, O CINEMA

Fui ver hoje o Ensaio sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles, o mesmo diretor de Cidade de Deus e Jardineiro Fiel.  O diretor é brasileiro, mas o filme está em associação e em participação com várias empresas do exterior. Um drama de cento e vinte minutos, baseado na obra homônima do Prêmio Nobel José Saramago.  Exibido neste ano em Cannes, Julianne Moore ganhou o prêmio de melhor atriz.  Tendo como história a epidemia de cegueira que se abate sobre uma cidade, o filme evidencia como as pessoas, vivendo juntas numa situação de quarentena, lutam para satisfazer suas necessidades básicas.  O foco do filme não é desvendar a causa da doença, mas mostrar como a sociedade desmorona por completo, quando perde tudo aquilo que considera civilizado.  E é interessante como se tenta manter a dignidade, apesar de tudo.  Mais do que olhar, importa reparar no outro.

Há na Internet vários comentários a respeito do filme.  Alguns críticos julgaram-no severo demais para abrir o Festival de Cannes e há quem diga que ele não foi bem-feito e que Saramago tinha razão, quando hesitou, anos atrás, em ceder o romance para ser filmado.  o crítico do jornal britânico The Guardian deu ao filme quatro estrelas, descrevendo Ensaio sobre a cegueira como "um pesadelo apocalíptico adaptado de um romance de 1995 do vencedor do Nobel José Saramago e dirigido por Fernando Meirelles, que nele encontrou a exposição brutal da lei da selva das favelas que vimos em seu filme de 2002, Cidade de Deus". "Ensaio sobre a cegueira é um drama com imagens soberbas e alucinatórias de colapso urbano. Tem uma linha de horror em seu centro, mas se torna mais leve pelo humor e gentileza", afirma o crítico Peter Bradshaw.

Quanto a mim, gostei do filme.  Não tinha lido o livro de Saramago, mas conhecia muito do que se tem falado sobre ele, de modo que sabia que assistiria a um filme pesado, denso.  É uma alegoria: cegos, perdemos o rumo.  Mas cegos em grupo, tendemos a reproduzir a mesma mesquinharia de que somos capazes, quando enxergamos.  Valeu!

 

Voltarei na segunda-feira.  Venha comigo!

margamouraescritoraduradoura

VITAMINA D

Não costumo falar de saúde, neste espaço, mas hoje quero reproduzir as idéias veiculadas pelo Dr. Dráusio Varella, na Folha de São Paulo, em janeiro deste ano, sobre a importância da fixação da vitamina D no nosso organismo.  E o fator desencadeante é o sol, do qual costumamos nos esconder, de medo de câncer.

 

Ao incidir sobre a pele, a banda B da radiação ultravioleta converte um precursor em pré-vitamina D, que é rapidamente transformada em vitamina D.  Como qualquer excesso da pré-vitamina é destruído pela luz, o excesso de sol não leva à hipervitaminose.  A maioria das células do organismo possui receptores para vitamina D, como células do cérebro, fígado, próstata, mama, cólon e sistema imunológico.  Assim como os ossos, os músculos também possuem seus receptores, que requerem quantidades mínimas da vitamina para adquirir potência máxima.

 

Sem sol, a pele não produz vitamina D e, sem ela, surgem enfermidades, como o raquitismo, a osteoporose, o diabetes e as complicações cardiovasculares, entre outras. Mas pode-se obter a vitamina, também, por meio de dieta e suplementos vitamínicos.  No terreno dos alimentos, a maior concentração está no óleo de fígado de bacalhau e, em quantidades menores, na ingestão de peixes oleosos, cogumelos, gema de ovos, sucos e cereais enriquecidos artificialmente.

 

No mundo, há hoje uma epidemia de hipovitaminose D, deficiência que atinge um bilhão de pessoas, especialmente nos países com dias frios e escuros durante meses consecutivos, ao passo que nas regiões equatoriais, com exposição ao sol com roupas leves encontram-se altos níveis da vitamina nas pessoas.  Já nos países árabes, em que a população vive com o corpo coberto de roupas por causa do calor, entre 30 e 50% são deficientes em vitamina D.

 

O que fazer? Ficar expostos ao sol?  Não se esquecer de que as radiações solares provocam manchas e apresentam o envelhecimento cutâneo, além de se constituir na principal causa do câncer de pele.

 

A exposição ao sol vai depender de alguns fatores.  Quanto mais escura a pele, maior sua resistência ao sol e menor a eficiência na produção da vitamina D.  A exposição dos braços e das pernas ao sol, num período entre cinco e trinta minutos, duas vezes por semana, produz níveis adequados de vitamina D.  Já aqueles que fogem do sol devem fazer reposição com suplementos que ofereçam 800 unidades por dia.

 

É isso aí.  Tomei muito sol, de trinta anos para cá, pelo hábito de frequentar uma cidade pequena do sul de Minas, com sol em abundância.  Já os que vivem em Londres, por exemplo, sofrem bastante pela ausência do sol.  Há um cartão postal  que mostra: Londres, no verão (chovendo).  Londres, no inverno: (chovendo).  Londres, no outono: (chovendo). Londres, na primavera (chovendo).  Eu, hein?

 

Volto na sexta-feira.  Venha comigo!

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POR QUE VOTAR?

No próximo 05 de outubro, iremos às urnas para escolher novos prefeitos e vereadores, no primeiro turno das eleições nas cidades brasileiras. O segundo turno será no dia 26 de outubro nas cidades com mais de 200 mil eleitores, se nenhum candidato conseguir a maioria dos votos válidos.  Muita gente acha que ir votar é uma chatice, que mais valia aproveitar o fim de semana para viajar.  Quem pensa assim, só vê a eleição como um dever.

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt, famosos pelo lançamento do livro Freakonomics e pelos textos no jornal do mesmo nome, que o UOL publica traduzidos, escreveram em 10/01/06 “Por que votar?”, alegando que a votação implica um custo em tempo e perda de produtividade e não dá um retorno discernível ao eleitor, a não ser uma vaga sensação de dever cumprido.  Argumentam que a possibilidade de que um voto singular venha realmente a afetar o resultado de uma determinada eleição é extremamente remota.  E quanto mais disputada for uma eleição, maior é a probabilidade de que seu resultado não dependa dos que votaram. O artigo prossegue, citando estatísticas e fazendo referência ao fato de os eleitores em países como os Estados Unidos e a Suíça, por exemplo, estarem indo cada vez menos às urnas, mesmo tendo a Suíça implantado o voto pelo correio.

Não sei se eles dizem isso pelo fato de o sistema eleitoral nos Estados Unidos ser diferente do nosso e reconheço que há uma distância entre o voto que depositamos nas urnas e nossa participação no processo político dos anos que se seguirão.  Aqui, somos obrigados a votar, de acordo com determinados pré-requisitos e, mais tarde, se necessário, comprovar que estamos quites com a Justiça Eleitoral.  Porém, apesar de reconhecer que é pequena nossa influência no processo, sou a favor de encarar o ato de votar como um direito.  Quando se pensa que a possibilidade de participação do processo de escolher os governantes é uma conquista recente, em comparação com as formas como sempre se escolheram os líderes, se vê que foi dado um passo importante. Chegar ao topo era uma habilidade que se adquiria pela hereditariedade ou pelos feitos heróicos, por vencer uma guerra ou por ser o escolhido dos deuses, ou à custa de muita traição e assassinatos. Por tradição, as classes sociais dos nobres, dos guerreiros, dos sacerdotes, geralmente chegavam primeiro.  Herdava-se o poder ou tomava-se o poder, por meio de muita crueldade, derramamento de sangue, difamação e intrigas, emboscadas e subserviências, adulações que, ao final, acabavam em degola ou aprisionamento do poderoso.

Adquirimos o direito de participar do processo quando se implantaram as democracias no Ocidente.  Podemos eleger, mediante o voto, aqueles que queremos que governem nosso município, nosso estado, nosso país.  Nem por isso há menos crueldade no processo ou corre menos sangue ou há menos difamação.  Mas, pelo menos, nós nos sentimos participantes, envolvidos no que está acontecendo, e aceitamos (ou não) os resultados das urnas.

Estarei de volta na quarta-feira.  Até lá!

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