São 9:00 h da manhã de uma segunda-feira e tento concentrar-me no texto que estou elaborando. Toca o telefone e eu atendo. A voz feminina do outro lado me diz: Bom-dia, aqui é do Banco Itaú. Aguarde um minuto, por favor. Mas devo aguardar por quê? É a respeito de sua conta. A voz que entra é masculina: Bom-dia. Queremos conversar com a senhora, é assunto de seu interesse. Não me diga! É a respeito de quê? É que temos aqui um novo cartão, a senhora vai interessar-se bastante, os benefícios são... atalho-o, cheia de raiva: E desde quando falar de um novo cartão é assunto de meu interesse? Você interrompe minha concentração, me pede para ficar na linha, esperando, e o assunto é de meu interesse? Francamente! Passe bem! E desligo.
Terça-feira, 15:00 h. Dona Genoveva? Aqui é da Creche Nossa Senhora do Bom Jesus, a senhora gostaria de contribuir... Já contribuo com uma instituição social, querida. Tenha um bom-dia. À noite: Dona Genoveva? Muito prazer. Eu sou Paulo. A senhora tem aqui conosco umas ações da Companhia Sulferina de Alimentos... Companhia de quê? Ele repete o nome. Não, senhor, não tenho ações. Você está falando com a Genoveva errada. E desligo o telefone.
Na manhã de quinta-feira, acabo de chegar da feira e quero guardar os alimentos. Abro a geladeira e toca o telefone. Deixo tocar três vezes, na esperança de que o outro lado desligue. Qual o quê! Atendo. Dona Genoveva, bom-dia, aqui é do Banco American Express... Não deixo que termine, tenho estopim curto. Desligo o telefone. Não tenho negócios com o American Express, a não ser o aborrecimento de receber quinzenalmente uma cartinha deles, oferecendo-me um cartão de crédito.
Na sexta-feira, à noite, sentamos para jantar, um jantar gostoso, à luz de vela, o vinho tinto aberto sobre a mesa e as batatas pringles me esperando, toca o telefone. Meu marido atende: Boa-noite. É a respeito daquela pesquisa que o senhor nos pediu que fizesse... Mas se eu não encomendei pesquisa nenhuma... O senhor talvez não se lembre, mas seu sócio... O telefone não é ......? e repete o número do nosso telefone. Meu marido não tem sócio e nem encomendou pesquisa alguma. Desliga o telefone e, aborrecido, volta para seu copo de vinho.
Na manhã seguinte, um texto feito a mão, em nosso fax: “Olá, Marieta, não pude falar com você ontem, pela manhã. O chapéu que encomendei é cor-de-rosa, com um laço de fita. Por favor, responda-me com urgência se vai ficar pronto na data que pedi. Beth.” Não me chamo Marieta, nem conheço nenhuma Beth que queira sair por aí com um laço de fita cor-de-rosa na cabeça. Mas o número do fax, sem dúvida, é o meu. Faço o quê?
Volto na segunda-feira. Venha comigo!
margamourablogadora//rimatambémcomescritora

Matéria da revista Exame de junho passado fala do interesse do Congresso nacional em restringir os horários e o volume de propagandas a respeito de coisas que comprovadamente fazem mal, como bebidas alcoólicas, cigarros e alimentos que concorrem para a obesidade. Se, de um lado, é louvável proteger a sociedade dos excessos de consumo, a medida atenta contra a liberdade de propaganda. O assunto tornou-se o tema principal do 4º Congresso Brasileiro de Publicidade, que iria ocorrer em julho. Além disso, o mercado de publicidade brasileiro é a principal fonte de renda da imprensa. Então, quando se mexe em um dos lados da gangorra, periga de se perder completamente o equilíbrio.
Mas, tão interessante quanto refletir sobre os problemas ligados à liberdade de expressão, é perguntar-se se adianta proibir. Não haveria o risco de aumentar-se o comércio ilegal desses produtos discriminados – cervejas, cigarros, alimentos do fastfood – justamente porque sua veiculação teria sido restringida? Dizem que o fruto proibido é o mais saboroso.
Estou pensando, neste momento, na relação entre pais e filhos. É muito comum a gente ouvir casos em que a garota de 16 anos foi proibida de sair do quarto e pulou a janela para a rua, disposta a enfrentar os pais, quando voltasse. Ou da mãe que obriga a menina a voltar para casa até as 11 h da noite. Ou, ainda, dos pais que querem proibir determinado casamento e os jovens se casam escondido.
Quem proíbe, considera que tem autoridade para isso, que é suficientemente forte para mandar e ver-se obedecido. Porém, nem sempre as coisas saem como ele pensa e aí é que vêm os problemas: punirá o rebelde conforme prometeu ou vai acabar absolvendo-o? Terá força suficiente para lhe dar a surra prometida, deixará sem mesada durante o mês todo, trancará o rebelde no quarto escuro? Parecem castigos do passado, não é mesmo? E, no entanto, freqüentemente essas coisas estão acontecendo e saem nos jornais. Chega-se até a matar, de raiva, pela humilhação de ter sido confrontado. Mais valia essas pessoas, que se julgam fortes a ponto de exigir serem obedecidas, buscarem um entendimento com os subordinados, os filhos, os alunos, no sentido do diálogo, da compreensão mútua, da troca de idéias, do dar-se a conhecer. Geralmente, essa aproximação consegue muito mais.
No entanto, isso é no nível das relações interpessoais. Já quando se trata de um nível mais amplo, como o das relações do Estado com a sociedade, em que é preciso tomar determinadas medidas, em nome do bem-comum, reconheço que a coisa fica bem mais complicada. E nem sempre dou palpite.
Volto na próxima sexta-feira. Venha comigo!
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
O maestro Roberto Sion se apresenta no último sábado de cada mês, no Memorial da América Latina, com a Orquestra Jovem Tom Jobim. Sábado passado, Egypto e eu fomos ver o concerto e achamos uma delícia. Um número imenso de rapazes e moças, fazendo um pouco de algazarra, até cada um se sentar defronte de seu instrumento e se concentrar. É um barato! Eu imagino como seja difícil fazê-los ficar calados para ensaiar as canções.
Nesta noite, apresentaram-se vários solistas da orquestra, uma graça, uma violinista ótima, Monique, um violoncelista, Ygor, Elaine, na flauta, e Jônatas, no clarinete. E, depois que a orquestra já havia tocado várias peças, o maestro introduziu o grupo vocal Nós Quatro. Um show! Eles são ótimos. Célia Vaz é a maestrina e arranjadora e Clarisse, Fabyola e Márcio cantam com ela. São cariocas e foram finalistas no concurso Prêmio Visa, edição vocal.
Foi um senhor espetáculo, bonito, descontraído e bem feito. Subsidiado pelo governo do Estado, a entrada é gratuita. O teatro estava lotado.
Valeu, maestro! No próximo dia 27 tem mais. Sion, diretor artístico e regente titular da Orquestra, vai reger um concerto de George Gershwin. Não percam!
margamoura
O Toni, o garoto que mais escreve neste blog, desde que ele foi criado – e depois de mim – está sofrendo hoje uma operação para extrair um caroço do pescoço. Toni amigo, estamos torcendo por você!

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