VOCÊ SE CONSIDERA OITO OU OITENTA ...

ou há lugar para o quarenta em sua vida?

 

Primeiro, bebemos tudo a que temos direito, sem limite, com paixão e amor.  Depois, descobrimos que o álcool nos faz mal.  E aí somos obrigados a cortá-lo radicalmente, nem uma gotinha, não é mesmo?  E com o cigarro?  Mesmíssima coisa.  Começamos a fumar porque imitamos os outros, porque nos dizem que é gostoso, porque nos queremos sentir como gente grande.  E aí passamos o resto da vida fumando, até que a vida, a doença, o médico, a médica, nos pedem para parar. 

 

Isso são exemplos de ser oito ou oitenta.  Ou podemos tudo, somos fortes e jovens, o superman da parada, o herói, o comigo-ninguém-pode; ou aparecemos derrotados, com depressão, sem emprego, sem uma única pessoa que goste de nós. 

 

Não sei por que somos assim, não sei se é um traço de nossa cultura, se nos ensinaram esse comportamento, em casa e na escola; ou se é porque a vida é muito dura para ser encarada de frente e preferimos encher-nos de ilusões, criar uma auto-imagem de macho, daquele que pode tudo; e, de repente, quando caem as máscaras, nós nos esborrachamos junto com elas.

 

Vocês já viram aquelas pessoas que morrem de amor à primeira vista e elogiam a nova amizade como quê! para, pouco depois, descobrirem que estavam enganadas – e, então, aquela nova amiga não vale um tostão furado?  É, de novo, o tudo ou o nada.

 

Incluir o quarenta em nossas vidas é admitir que existem possibilidades alternativas entre o querer e o não-querer, entre ser demais e ser de menos.  Em vez de tingir os fatos e as situações de preto ou branco, começar a pintá-los de cinzento.  Cinzento é o meio-termo, é a possibilidade de uma coisa inesperada, é a face nova que virá a surgir da convivência.  Trazer o quarenta para dentro de casa é permitir que as coisas aconteçam, antes de vivenciá-las em sua cabeça.  Planejar demais, idealizar demais, inventar demais, por antecipação, é precipitar os fatos, é pedir de joelhos para ter decepções, é trabalhar com o branco e o negro.  Ponha o cinzento em sua vida.  Não é uma cor bonita?  Ora, pode não ser berrante, como o vermelho, o alaranjado, o azul bem vivo!  Mas, em compensação, é um excelente meio-termo entre o preto e o branco, entre o excesso dos dois extremos, entre os julgamentos apressados e conclusões idem que tiramos das situações, dos encontros, das relações interpessoais de cada dia.

 

Bem, se você não gosta do quarenta, experimente o treze, o quarenta e quatro, o sessenta e cinco – também não estão nas pontas, não é mesmo?

 

Na próxima segunda-feira tem mais.  Até lá!

 

margamourablogueira // praescreverelaéaprimeira

A CRÔNICA DO DIA

Não é fácil você escrever uma matéria para o blog a cada dois dias.  Há algum tempo, li um artigo do Antônio Maria, jornalista e compositor boêmio, que nas décadas de 1950 e 60 escrevia diariamente para um jornal carioca.  Ali ele dizia que muitas vezes chegava às 5:00 h da manhã em casa, ia dormir, levantava poucas horas depois e, sonolento, escrevia sua crônica diária – com sacrifício.

 

Não é fácil.  Há dias em que tenho inspiração e escrevo rapidamente e com gosto um artigo no blog.  Outros, como hoje, sento-me aqui e nada me vem à cabeça.  Nada de real importância.  Defronto-me, então, com esse vazio que me invade – e isso é o importante, para mim.

 

A cabeça se encheu de jogos da Olimpíada e sempre demora dois ou três dias para você se desintoxicar.  Dei preferência aos jogos coletivos e vi todos os de vôlei: masculino, feminino e de praia.  E vi o futebol, tanto masculino, quanto feminino.  De passagem, zapeando na TV, fazendo hora, acabei vendo alguma outra coisa.  Ou, então, tive que ver o que a televisão mostrava, interrompendo os jogos a que eu estava assistindo.  Então, entraram as regatas, o judô, o box, a esgrima, o pentatlo, o tênis de mesa, o basquete e uma infinidade de modalidades que nem dá para enumerar.  Essas, então, eu assistia, quisesse ou não quisesse.

 

Agora, vem o mês de setembro, com toda sua campanha eleitoral, nas ruas, na praça pública e na televisão, não apenas com horário marcado, mas aquelas entradas rápidas, nos intervalos dos programas.  Conversas sobre eleição nos bares, nas esquinas e com os motoristas de táxis, pois a todos eles, invariavelmente, eu pergunto em quem vão votar.  E dou me voto, também.  Mês de outubro, aqui em casa, é mês da Mostra Internacional de Cinema, uma coisa boa, rica, bem-feita, a que eu não assisto, mas sobre a qual fico sabendo de tudo.  E, como nos anos anteriores, 30 de outubro já é Natal, pois é quando as lojas armam suas primeiras árvores.  Eu acho uma pena, mas não posso impedi-las.

 

Curtindo, então, as próximas emoções eleitorais e natalinas, deixo a você meu abraço pouco inspirado.  Prometo estar mais consciente e desperta, na próxima sexta-feira.  Até lá!

 

margamourablogadora // rimatambémcomescritora

TERRA SANTA

Na sexta-feira passada, fui ver a exposição dos “Tesouros da Terra Santa”, no Masp, do rei David ao cristianismo.  A exposição foi organizada pelo Museu de Israel, de Jerusalém.

 

A partir do momento em que Jerusalém foi tomada dos jebusitas, pelo rei David, ela tornou-se a capital do então reino de Israel.  Para os judeus, a cidade é a essência da existência e continuidade espiritual e nacional. Para os cristãos, ela é associada à vida de Jesus.  Para os muçulmanos, que conquistaram a cidade em 640, o Monte do Templo é identificado como o santuário de onde o profeta Maomé subiu aos céus.  Para essas três religiões, essa área assumiu grande importância e se tornou conhecida como a Terra Santa.   E os objetos em exposição falam da arquitetura e do modo de vida daqueles tempos, trazendo à lembrança um pouco dessas origens de nossa vida cultural, no ocidente.                                                  

 

Gosto de ler e refletir sobre os primórdios da existência humana, repassando informações sobre a Mesopotâmia, onde tudo começou.  Havia também o Egito e a Índia, como as primeiras civilizações, mas a região dos rios Tigre e Eufrates foram riquíssimas no desenvolvimento das primeiras levas de homens, primeiro apenas colhendo o que encontravam pronto e, depois, plantando e colhendo para viver.  Aí se desenvolveram as primeiras religiões, os primeiros cultos, as primeiras guerras entre os homens.  Dali nos veio a primeira escrita, a cuneiforme, em barras de tijolo.  Ali os homens traçaram as primeiras normas de conduta, os “pode” e os “não pode” da vida.  Dali nos veio o Código de Hamurábi, o conjunto de leis que regulavam o dia-a-dia das populações, sempre a partir do que se achava que Deus queria que os homens fizessem.  Já naquele tempo ficava clara a diferença entre os homens e as mulheres e entre os patrões e os empregados.

 

Na Mesopotâmia se localiza o Jardim do Éden, o local onde viveram Adão e Eva, isto é, um lugar que apresenta as características descritas na Bíblia como tendo sido o Éden.

 

Escavações arqueológicas na Mesopotâmia, desde fins do século XIX, têm um significado fantástico, na medida em que desvendam pedaços de cidades enterradas na areia, templos sobrepostos uma, duas, três vezes, com o passar dos séculos, construídos uns em cima das ruínas dos outros, comprovando o que já se sabia, pelos livros de história.  É uma pena que, justo nesta antiga Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, berço do Iraque atual, a guerra que se prolonga ali desde 2003 esteja aniquilando verdadeiras relíquias de nossa antiguidade – sem se falar, é claro, nos outros estragos imensos que ela provoca.  É realmente uma pena.

 

Volto na próxima quarta-feira.  Venha comigo!

 

blogqueéquasediário // témerececomentário




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