Toni e Sílvia,
Obrigada pelo comparecimento ao blog.
Oi, Toni, agora você me pegou. Não sei quem é Afonso Alves. É um jogador de verdade ou é uma brincadeira?
Sílvia, como praticamente não vi o jogo, pois estava atenta às outras programações e desliguei a TV quando a Argentina bateu o pênalti, não sei de que apelação você está falando. Terá sido durante o jogo, fazendo muitas faltas, ou quem sabe, uma briga após a partida?
Toni, a respeito de Israel e Palestina, você afirma que a escola brasileira não está tratando do assunto. Posso acreditar?
Obrigada pelos pitacos e um grande abraço,
margamoura

Agosto, mês do cachorro louco. Alguém poderia me dizer o motivo de se vacinarem os cachorros contra raiva sempre no mês de agosto? Não entendo do assunto, mas me lembro, desde pequena, que a vacinação ocorre sempre nesse mês.
Agosto, 24 = Foi em 1954 que Getúlio Vargas se suicidou com um tiro no coração, no palácio do Catete. Acontecimento que repercutiu muito no Brasil e bastante no exterior, o presidente era considerado o pai e protetor dos pobres e o fato de acabar com a própria vida abalou sensivelmente os brasileiros. Na carta-testamento que deixou, dizia: “(...) saio da vida para entrar na História (...)”, que foi o que efetivamente aconteceu.
Agosto, 25 = Em 1961, outro suicídio de presidente da República, só que dessa feita não com um tiro no coração: Jânio Quadros, achando que poderia chamar para si toda a turba de brasileiros que o elegeu, ameaçou dar o golpe no Congresso, com uma carta-renúncia que, entregue antes do prazo delimitado por ele, foi aceita pelos congressistas e o tiro lhe saiu pela culatra. Renunciou e fraudou os brasileiros, não como Getúlio, a quem o povo amava, mas como um imaturo, que não conseguiu segurar em Brasília a barra de ser presidente. Além de atraiçoar João Goulart, que estava na China, sua saída pôs o mundo em polvorosa e as forças do estrangeiro se aproveitaram para pôr lenha na fogueira. Derrubado João Goulart, em 1964, por um golpe militar, as Forças Armadas tomaram o poder. Que grande desserviço prestou Jânio Quadros, com sua eleição espetacular e sua não menos espetacular renúncia!
Agosto, 25 = Dia do soldado. Data em que se comemora o Dia do Soldado e o Exército, cujo patrono é o Duque de Caxias, que fez seu nome na Guerra do Paraguai, no século XIX. Porém, como o significado das palavras e dos atos muda, com o passar do tempo e das gerações, ser soldado, hoje em dia, não significa o mesmo do que naquele tempo. Fomos educados a prezar a Pátria, a bandeira, a honra, o serviço militar, e até a dar a vida pela causa. Houve muita guerra no mundo cujo alistamento de homens e mulheres foi sincero, espontâneo, feito com orgulho. No entanto, nos tempos de hoje, em que quem decide que haverá guerras são os governantes, com motivos às vezes pouco convincentes, como foram as Guerras do Vietnã e do Iraque, por exemplo, quando os soldados se recusam a alistar-se e sair para morrer já não se pode acusá-los de covardia.
Agosto, 2008 = Final da Olimpíada em Pequim. Aberta com todo o brilho que uma nação é capaz de proporcionar a milhares de espectadores, o mundo todo assistindo pela TV, ela chega ao fim no próximo domingo, arena de verdadeiras guerras entre os atletas, as equipes, os times, as duplas, mas guerras diferentes daquelas que mencionei acima. Você tanto pode contar as medalhas a partir das de ouro (China na frente) como pode, de acordo com o que noticia o New York Times, computá-las pelo número total, como fazem os Estados Unidos. E nesse simples cômputo de medalhas também se entrevê uma guerra, não é mesmo?

Volto na segunda-feira. Até lá!
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Foi a Argentina que bateu no futebol brasileiro ou foi o Brasil que perdeu da Argentina?
Nunca sei em que acreditar quando a seleção masculina brasileira de futebol entra em campo. Adepta das teorias conspiratórias, eu sempre acho que os resultados são tramados nos bastidores. Eu sei, eu sei, não deveria exagerar, não é bem assim, só um ou outro resultado é contratado pelos cartolas, mas... não adianta, sou absolutamente pessimista nesse particular.
A seleção canarinho nunca levantou uma medalha de ouro olímpica. Em 2004, ela sequer conseguiu se classificar para ir à Olimpíada. Então, era de se esperar que fosse para a frente, com tudo, lutando, suando a camisa, com os melhores jogadores em campo. No entanto, o treinador, deixa Pato e Thiago Neves sistematicamente no banco, sabendo que eles podem decidir. Ontem, tirou Rafael Sobis do jogo. Contra Camarões, o que se viu foram os jogadores trocando passes no meio de campo, chutando para trás até a bola chegar ao goleiro. O que menos se viu foi empenho, garra, vontade de chegar lá. Depois, dois gols na prorrogação e salvou-se o espetáculo. Já contra a Argentina eu vi um pouco mais de empenho, mas, ainda assim, nada deslumbrante, nenhuma vitalidade sem limite, nenhum compromisso mais sério. Vi uma Argentina disciplinada taticamente, em campo, com garra, lutando, Messi esforçando-se por finalizar.
Quando se trata de Copa do Mundo, definitivamente eu não acredito em nada do que vejo. Não bastasse aquele vexame na Espanha, conhecido como o “desastre de Sarriá”, e a suposta contusão enrolada do Ronaldo, na França de 1998, o 1º de julho de 2006, com a França, para mim, foi demais. O Brasil não entrou em campo, ficou na concentração, a França jogou sozinha. Mas eu pensava que, em matéria de Olimpíada, pudesse ser diferente.
Ontem, eu desliguei a televisão quando a Argentina marcou o terceiro gol, e foi uma pena. Deixei de ver o final e não haverá ninguém para me contar. Geralmente, quando um time perde um jogo importante, os jogadores sentam-se na grama, alguns choram, outros ficam muito tristes. Pelo contrário, na derrota para a França, em 2006, os jogadores não se abalaram, foram cumprimentar os “colegas”, Robinho deu um abraço em Zidane, saíram lépidos de campo e, na noite seguinte, em Barcelona, Ronaldinho Gaúcho e colegas estavam na maior balada da história.
Tudo isso significa um grande desrespeito dos jogadores e da Comissão Técnica para com essa enorme população brasileira, que acredita que eles poderiam fazer melhor do que isso, simplesmente porque são bons tecnicamente e sabem jogar muito bem. Por que, então, jogam com o breque de mão puxado?
Volto na próxima sexta-feira. Venha comigo!
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a questão do conflito entre Israel e Palestina?
No sábado fui assistir a Lemon Tree, direção de Eran Riklis, o mesmo diretor de “A Noiva Síria”, entre outros. Ele é israelense e mora em Tel Aviv. Em Lemon Tree, a história se passa entre duas famílias, uma de judeus e outra, de palestinos, que têm problemas justamente pela proximidade física, o pomar de limões de Salma interferindo na segurança da autoridade judia que se mudou para a casa vizinha.
O filme é muito interessante e bem-feito, com bons artistas em cena. Mais uma vez, esse diretor, que gosta de polemizar a respeito dos conflitos no Oriente Médio, traz à tona a maneira de viver em Israel, enfocando as dificuldades que enfrentam os palestinos para sobreviver.
Acho muito bom ir ao cinema não apenas para me divertir, mas também para pensar. Hollywood nos ensinou, ao longo das décadas, que o cinema é feito exclusivamente para nos divertir – e daí a importância dos musicais dos anos 1940 e 1950, os suspenses dos filmes policiais e, das últimas décadas para cá, os filmes de ação recheados de efeitos especiais, muita composição de imagens em computador e muito som e correria. Essa, porém, é apenas uma corrente da sétima arte. Na Europa, na Ásia, no Brasil, na Argentina, se faz muito cinema de outra maneira, com outra intenção, mesclando-se imagens bonitas, dramas, imaginação, fantasia e pé na realidade – horas de emoção que conduzem à reflexão.
Não dá para se ignorar o conflito que rola no Oriente Médio, a forma como há décadas os palestinos e os israelenses só fazem aumentar o ódio entre si, uma vontade determinada de não se esquecer do passado, para que a luta atual e futura possa ser alimentada pelo ressentimento, pela mágoa, pelo desejo de vingança. Está provado que isso não leva a lugar nenhum, só faz aumentar o ódio, desde crianças. A diplomacia ensaia passos no sentido da reconciliação e não consegue nada. E o uso das armas é cada vez mais ativo, mais prolongado e mais eficiente. Sem falar no hábito adquirido de se fazerem homens-bomba, entregando-se ao inimigo, na tentativa de ver quantos conseguem levar com eles para a morte.

Gostaria muito de saber sobre os ensinamentos desse tema, hoje, nas escolas brasileiras: como e o quê. Fala-se nisso, toma-se partido, põe-se mais lenha na fogueira, ou consegue-se estudar sobre o conflito sem o acirramento de paixões?
Há uma ala de intelectuais, hoje, em Israel, dispostos a estudar medidas que favoreçam a paz. E é bom mesmo que os israelenses se mobilizem na direção de uma solução amigável, já que – sem se falar do passado e de como tudo começou – hoje eles detêm o poder e têm maior responsabilidade na resolução dos conflitos. Que Jeová e Alá os protejam!
Volto na próxima quarta-feira. Até lá!
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