VOCÊ LIDA BEM COM...

a frustração?

 

O namorado apareceu numa noite inesperada, está com uma cara triste, pede desculpas, mas informa que vocês terão que se separar.  Bem, ele lhe deu um fora, não é mesmo?  E você não gostou nem um pouco.  Justo agora, que você achava que o namoro ia tão bem...  Ou seu time de vôlei de praia está vencendo, vale uma medalha olímpica e, de repente, a dupla se desconcentra, perde o set, perde o jogo e volta para o Brasil, muito desenxabida.  E você – muito desapontado.

 

Pior do que isso é a chefia mandar chamar você às 17:30 h, quase na hora de fechar o expediente, e lhe dizer que você está despedida.  Assim, sem mais nem menos, você está fora.  E como?  Com todo seu desempenho e seu esforço?  Mas a chefia se desculpa, não é uma iniciativa dela, foi o Departamento de Pessoal que...

 

São inúmeras as situações de frustração, no dia-a-dia, desde as coisas pequenas, como estar fechado o restaurante que você escolheu para almoçar, até as mais complexas, como a esposa que abandona o marido com duas crianças porque se apaixonou por outro homem.  E é preciso aprender a conviver com isso, a assimilar a dor da derrota, a amargar o resultado da alegria que não aconteceu.

 

Há várias formas diferentes de se lidar com a frustração.  As mais comuns são: fugir ou enfrentar.  Fugir é você se refugiar em seu mundo interior, não querer falar com ninguém e nem tocar no assunto que lhe trouxe a dor. Fechar-se, inclusive, fisicamente, em seu quarto. Outra, é enfrentar o fato, pedir explicações consistentes, lutar por melhores resultados, unir-se a um grupo, promover uma pequena rebelião.  Ou você se conforma, acha que até merecia aquilo, reza bastante para encontrar uma ajuda exterior, abre-se com os amigos, confessa-se aos mais íntimos e, ao proceder assim, como que exorciza o mal, tira a dor de dentro de si, dá a volta por cima e volta à vida normal.

 

Você também pode fazer de conta que não está sentindo nada, que não aconteceu nada, que aquilo era algo que você até já esperava, dá uma risada, faz uma ironia, e finge que vai viver uma vida normal dali em diante, com uma ferida sangrando no peito.  Outra saída é você “elaborar” a dor, como se diz.  Você pára para pensar no que aconteceu, qual foi sua participação naquele drama, e verifica se aquilo era mesmo uma coisa importante, que merecesse sua atenção.  E, se descobrir que não era , passa por cima dos fatos, de modo consciente, e vai em busca de substitutivos, de novos passatempos, novos amigos, em vez de entregar-se freneticamente ao trabalho, que é o que muitos de nós sabemos fazer.

 

Elaborar as frustrações, lidar com elas, olhá-las de frente – parecem atitudes mais salutares do que simplesmente fingir que não está sofrendo.  Mas cada qual sabe qual é o melhor caminho para si.

 

Volto na quarta-feira.  Até lá!

blogqueéquasediário // témerececomentário

 

VOCÊ LIDA BEM COM ...

a idealização?

 

Algumas pessoas pisam no chão, enfrentam a realidade tal como ela se apresenta e tratam de buscar as soluções cabíveis.  Outras, pelo contrário, passam a vida fantasiando, sonhando, imaginando como seria a vida se a realidade fosse diferente.  E entre esses dois extremos há todo o tipo de comportamento de A a Z, entre os que passam a vida sonhando e os que sonham acordados, enquanto não perdem de vista a realidade.

 

Idealizar é fantasiar, é ver a realidade com os óculos da bolha de sabão, construindo para si um mundo que não reflete exatamente o que é a vida.  Por exemplo, em vez de pintarem a figura de seus familiares como eles são, “douram a pílula”, vestem seus parentes com uma roupagem colorida, distante da que eles usam, realmente.  É sonhar acordado e ter dificuldade em discernir  entre o que acontece no dia-a-dia e o que foi que sonhou.

 

Há dois movimentos nessas idealizações: a ação do consciente e a do inconsciente.  A influência desses processos varia de pessoa para pessoa, nem sempre sendo fácil que ela mesma distinga se sua idealização é voluntária ou involuntária.  E, geralmente, essas idealizações cumprem o papel de evitar o sofrimento. Como a vida exige muito, diariamente, nas relações interpessoais, na necessidade de ganhar dinheiro, no enfrentamento das doenças, na convivência diária com os riscos, os sonhos, as fantasias, as ilusões, os desejos e a idealização exercem esse papel de amenizar a dor.  É muito comum jogar-se para o futuro a esperança de alívio das pressões do presente.  Então, a pessoa ameniza o sofrimento, achando que amanhã, quando se formar, quando sair dessa situação, quando sua mãe morrer, quando receber aquela herança... tudo será melhor.  E continua sonhando.

 

Não há mal em sonhar.  Desejos, fantasias, expectativas, são próprios do ser humano.  O que dificulta é quando a pessoa deixa de pisar no chão do real e passa a viver de seus sonhos. Uma idealização que traz inconvenientes é a imagem bastante irreal que a pessoa faz de si mesma.  Ela se acha realmente uma excelente cozinheira, ou ela é uma mãe exemplar; ou diz para todo mundo que é uma empreendedora, e vai por aí afora.  E quem convive com ela sabe que ela tem virtudes, mas não exatamente aquela que ela apregoa.  Por que é problemático? Porque não sendo capaz de se perceber como ela é e acreditando piamente em suas fantasias e ilusões, dificulta a aproximação das pessoas que gostariam de conviver mais intimamente com ela.

 

Você lida bem com a idealização?  Gosta de sonhar e fantasiar como será sua vida no futuro?  Transforma a realidade que está a seu lado para não sofrer?  Faz isso consciente ou inconscientemente?

 

Volto na sexta-feira.  Até lá!

margamourablogadora // rimatambémcomescritora

SHOW DO JOÃO GILBERTO

João Gilberto vai se apresentar no Auditório Ibirapuera nos dias 14 e 15 de agosto.  E, por conta disso, a mídia se alvoroça toda, divulga no rádio e na TV,  chamada de meia página nos jornais, anunciando dia e hora em que começará a vender os ingressos, que vão de R$360,00 a R$30,00.

 

Você acredita.  Piamente.  As vendas abrem às 10:00 h, mas você ensaia um teste, às 9:45 h. O telefone só dá ocupado e o site diz UNAVAILABLE,  Indisponível, acesso impossibilitado, ou, numa tradução livre, FECHADO PARA OTÁRIOS.  Você não se incomoda, afinal, não bateu dez horas.

 

Batem dez horas e um minuto e você recomeça os passos.  O telefone dá ocupado e o site continua indisponível.  Você não se irrita, porque continua acreditando.  Às 10:30 h, depois que você testou o telefone a cada 4 minutos e ele não se desocupou em nenhum momento; e depois que o site continua dizendo que está impossibilitado (para otários), você começa a perceber que caiu no conto.  No conto da propaganda.  No conto da mentira.  No conto da enganação.  Pergunto: Como podem ficar indisponíveis um número de telefone e um site divulgados intensamente pela mídia, se os organizadores precisam vender os ingressos?  E aí, desiludido, profundamente irritado, você descobre que não se interessa mais, que continuará a ouvir o João Gilberto nos CD de que você dispõe.

 

Lá pelas 15:00 h, um canal de TV dá a seguinte notícia: Show do João Gilberto: Estão esgotados os ingressos para os dois shows do João Gilberto, nos próximos 14 e 15 de agosto. Depois de uma pane no site, hoje pela manhã, que felizmente foi solucionada, em uma hora foram vendidos todos os ingressos para os shows. 

 

Que coincidência!  Pane no site, justo na manhã gloriosa, tão divulgada pela mídia?!  E pane no telefone, também?  Como se explica que o comprador comum não tenha tido acesso à compra de ingressos naquela manhã tão anunciada pela mídia e, assim mesmo, em uma hora tenham sido vendidos todos os ingressos?  O que me espanta não é apenas o fato ocorrido, em si.  O que me assusta é pensarem que estão lidando com uma população imatura, infantil, atrasada e analfabeta, que irá acreditar nessa notícia tola. Depois, o capitalismo quer que a gente acredite que a meta das empresas é o cliente, o cliente acima de tudo, a empresa a serviço do cliente.   Claro!  É mesmo!  Para servir aqueles poucos clientes que conseguiram esgotar os convites a trinta reais, mesmo com o telefone ocupado e o site indisponível... para os trouxas.

 

Quarta-feira estarei de volta.  Venha comigo!

 

margamourablogadora // rimatambémcomescritora




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