VOCÊ LIDA BEM COM...

as férias?

 

Cheguei de férias.  Estive em Uberlândia, em Gonçalves, no sul de Minas, e em Águas de São Pedro. Não foram férias no sentido tradicional, daquele tempo em que éramos crianças e só queríamos saber de jogar, brincar, passear, ir ao cinema.  Na verdade, trabalhei um bocado, fosse limpando casa, fazendo almoço, tomando providências concretas, fosse digitando textos, estudando e escrevendo. Mas, fora de São Paulo, convivendo em outro clima e conversando com pessoas diferentes, você sai da rotina, passeia e sente-se em férias.

 

Há muita gente que prefere trabalhar a entrar em férias.  Uns o fazem porque são definitivamente workaholics e só querem saber de trabalhar, porque é pesquisando, escrevendo relatórios, terminando pesquisas, digitando textos, criando produtos ou navegando na Internet que se sentem felizes.  Outros, porque estão tão acostumados a trabalhar que já não sabem fazer outra coisa; se ficarem parados em casa, quietos, vendo televisão ou pegando um livro para ler, vão morrer de tédio.

 

Muitos não tiram férias, no escritório ou na fábrica, de medo de serem trapaceados em sua ausência.  Porque souberam de inúmeros casos em que a pessoa saiu de férias e encontrou seu lugar ocupado, acham que, se permanecerem sentados ali, em sua mesa, dia após dia, não perderão o emprego, o que é pura ilusão, pois eles também sabem de inúmeros casos em que as pessoas estavam trabalhando e receberam o bilhete azul, no final da tarde.  E, pelo medo de serem atraiçoados pelas costas, habituam-se a não tirar férias, entra ano, sai ano, o que os torna os workaholics mais fanatizados do mundo. 

 

De outro lado, há aqueles que curtem as férias feito loucos e preferem estar na praia, ao sol, tomando uma caipirinha e comendo um camarão frito, a estar no escritório, trabalhando.  Esses são aqueles que, definitivamente, trabalham porque precisam, porque seu negócio é o lazer.

 

Entre os que preferem o trabalho e os que se inclinam para o tempo livre, de que lado você se vê?  Consegue ficar “no meio”, mantendo o equilíbrio ideal, daqueles que tanto trabalham como gostam de tirar férias?  Eu, por exemplo, adoro trabalhar.  Porém, gosto de sair de São Paulo, pegar uma estrada e passar uma semana fora, vendo outras coisas e curtindo a companhia de amigos, um joguinho de baralho, um jogo de vôlei na televisão.  Mas é certo que quando pego a estrada de volta já venho pensando no meu microcomputador, nas mensagens que me esperam, nos textos que pretendo digitar... e minha boca se enche de água!

 

Volto na segunda-feira próxima.  Venha comigo!

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O QUE É "ELABORAR"?

 

Elaborar é você refletir sobre o que fez naquele momento que lhe causou dor, que o fez sofrer, procurando perceber por que disse aquilo ou agiu daquele modo ou teve um sentimento negativo em relação àquela pessoa. Ao meditar sobre as circunstâncias que envolveram aquele incidente, você começa a dar-se conta de seu estado de espírito naquele momento, de suas disposições interiores, e talvez se lembre daquele outro dia em que já tinha tratado aquela pessoa daquela maneira... Desarmado, olhando para dentro de si, talvez encontre as razões que possam explicar melhor aquela ação ou aquela palavra em falso. E, depois disso, você estará melhor preparado para tomar uma decisão.

Várias vezes temos dificuldade em elaborar sozinhos o acontecido e recorremos às pessoas para nos ajudar: parentes, amigos, colegas.  É no diálogo com eles que algumas coisas ficam mais claras e parecem ajudar-nos a entender o que foi que se passou.  E há, também, os que recorrem aos profissionais de ajuda, psicólogos e terapeutas, psiquiatras, que nos facilitam, de maneira profissional, a tarefa de elaborar, de entender, de aceitar o passo que demos e que agora nos oprime.

O contrário de elaborar é fazer de conta que não aconteceu nada.  É negar até o fim, é tratar de esquecer, é jogar toda a culpa do ocorrido no outro, como se a relação não tivesse sido a dois.  Negar é o mecanismo de defesa mais primitivo que conhecemos.  Fazer de conta é uma atitude que, à primeira vista, pode engambelar-nos, até dá para fingir que não estamos sofrendo.  Mas é só um faz-de-conta, mais tarde a dor volta e não sabemos o que fazer com ela.

Problemas de relações interpessoais doem, nos afligem, nos inquietam.  Mas há várias formas de lidar com eles.  Depende do quanto estejamos interessados em enfrentá-los ou em sair correndo.

Estou de férias.  Volto na próxima sexta-feira. Até lá!

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