as diferenças?
Oh! Como é fácil nós nos pormos de acordo com os outros, quando tudo vai bem, somos parecidos, queremos as mesmas coisas, temos comportamentos semelhantes, escolhemos o mesmo filme e vamos ao cinema! E como é difícil lidar com o contrário disso, quando, em grupo, queremos coisas diferentes, um quer passear, o outro quer trabalhar, um quer ver televisão e o outro quer ir ao cinema! Tantos anos de banco escolar, tanto estudo, e parece que não nos ensinaram a lidar com o outro ou com os outros quando temos diferenças.
E quando se trata de diferenças mais sérias ? Como fica, na sala de aula, o problema de se amolar e se rejeitar uma criança porque é negra, no meio de brancas, porque é pobre, no meio de ricas, porque não tem a inteligência das demais? Como ensinar a essa maioria de crianças, que se julga poderosa, que aquela criança é uma dentre elas, que merece ser acolhida, respeitada, incluída? Muito difícil. E o pior é que se não se fizer isso na sala de aula, em que as crianças são pequenas e ainda podem aprender, vai-se deixar essa aprendizagem para mais tarde, quando, então, será muito difícil, muito, mesmo, para o adolescente e o adulto lidarem com as diferenças.
Diferenças de classe social, de etnia, de cor de pele, de padrões culturais, de crenças e religião, de tendências políticas, de preferências nos esportes. Diferenças entre homens e mulheres, que as culturas determinaram, durante séculos, que os varões valiam mais do que o sexo feminino e, por isso, tinham o direito de mandar e discriminar suas esposas, filhas, irmãs. Diferenças entre a importância do trabalho manual e do trabalho intelectual, este último favorecido, de elite, o primeiro, tão necessário, carro-chefe de uma nação que não passa sem ele. E vamos por aí afora, mencionando todas as diferenças que existem entre as pessoas e entre os diferentes grupos, que exigiriam uma forma própria de se lidar com elas. No entanto, os que podem mais acabam impondo seu modo de pensar, seus desejos, seus sentimentos, por meio de slogans, usando os meios de comunicação de massa, a força da televisão e da mídia, em geral.
E no seio de um grupo pequeno – você lida bem com as diferenças? Você as percebe, nota quando elas vêm à tona, está preparado para explicitá-las – ou prefere fazer de conta de que elas não existem e simplesmente passa por cima delas?
Lidar com as diferenças supõe, primeiro, trazê-las à tona, reconhecê-las. Depois, discutir isso, buscar um consenso, desarmar-se, lidar com os preconceitos presentes. E isso supõe tolerância, o que é uma outra história.
Estou de férias. Volto na próxima segunda-feira. Um abraço.
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
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