sua chefia?

No capítulo das relações interpessoais, destaque especial para as relações entre os subordinados e os chefes. Chefes jovens são problema porque querem se impor, chefes idosos são problema porque estão ultrapassados. Chefes despreparados temem os subordinados em ascensão, dispostos a tomar seu lugar. Chefes preparados demais podem ser muito exigentes e passar feito um trator por cima dos subordinados, que considera lentos, despreparados e pouco inteligentes. Chefes homens massacram, porque têm a seu favor a cultura e o passado de uma sociedade machista. Chefes mulheres massacram porque, vistas como minoria no poder, precisam afirmar-se no cargo.
Bem, tudo isso são estereótipos, preconceitos, dados que tomamos como certos e definitivos, a partir de nossa própria experiência e a partir do que nos contam. Quer dizer, então, que o chefe que não é nem jovem e nem idoso é o melhor? O chefe gay, que tem corpo de homem e alma de mulher, seria mais compreensivo? O chefe preparado em estudos só pela metade seria mais acolhedor? Nada disso.
Chefia é uma função de poder e, tradicionalmente, o poder permite mandar e o subordinado está ali para obedecer. Quando se pensa nas hierarquias mais rígidas que se conhecem, como a das forças armadas ou a de um convento, entre outras, se vê que aí há regras que precisam ser estritamente obedecidas, o recruta já entra no quartel sabendo que a palavra máxima da função é a obediência. A vida em convento exige obediência, castidade e pobreza. No exercício do poder, ao longo da história, encontram-se os exemplos mais cruéis de comando, expondo chefias autoritárias, sanguinárias, perversas. No tocante às bruxas e feiticeiras, na Idade Média, na Europa, estima-se que cinco milhões de mulheres possam ter sido queimadas na fogueira. Na época, não era apenas por insubordinação, senão que as vítimas estavam expostas a todo o tipo de calúnias, invenções, movidas por inveja, na maior parte das vezes.
Hoje, há uma tentativa de se mudar o significado da palavra poder e transformá-la de mando em serviço. O líder não é mais o que manda, é aquele que serve. Essa transformação de papel é fantástica, pois coloca o chefe a serviço de sua equipe, um orientador que promove o desenvolvimento dos que trabalham com ele, uma pessoa que observa as atitudes de seus empregados, não para puni-los, mas para conduzi-los. Daí a insistência de algumas empresas em transformar seus chefes em coaching, condutores.
Frente ao que foi dito, compreende-se que não sejam nada fáceis as relações entre os subordinados e as chefias. Mas, nem por isso, devem-se dar as más relações por perdidas. Há caminhos e caminhos de recuperação. Eu que o diga!
Estou de férias. Volto na segunda-feira que vem. Até lá!
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