a doença?
Está mais do que provado que a saúde é nosso maior dom. Com saúde, a gente trabalha, entra em contato com os amigos e parentes, vai à rua e toma providências. Sem saúde, um desânimo só, uma entrega, vontade de fazer nada.
Há a doença da gente e a doença do outro e não sei com qual delas a gente lida melhor. O outro adoece e vira uma tremenda fonte de preocupação para nós. Ali, do nosso lado, exigindo cuidados, interrompemos a rotina diária e passamos a nos dividir entre as providências e os cuidados com ele.
Há doenças e doenças. Há aquelas, pequenas, que nós agrandamos, porque temos mania de ver problema em tudo ou porque nos fazemos de vítimas ou porque precisamos chamar a atenção. Uma pequena dor de cabeça vira uma grande enxaqueca, vamos para a cama, o dia está perdido, ai! que dor de cabeça! essa dor que não passa, já tomei dois analgésicos. Se você for ver, às vezes é um aborrecimento do qual a pessoa não consegue livrar-se e que estoura na dor de cabeça. Quem sabe se ela cuidasse primeiro do aborrecimento...
Há doenças mais sérias, que irão exigir uma operação. Então, o repouso obrigatório durante uns dias, até desinflamar a região para aí entrar na faca. E há as doenças mais graves, que atingem a pessoa em cheio, às vezes de uma hora para a outra, agressivas, invasivas, que deixam no ar um prenúncio de morte.
Quando a saúde se vai, há quem reze e entregue tudo nas mãos de Deus. Há quem se entregue e se considere pronto para morrer. Há aqueles que lutam, buscam operações espirituais, freqüentam o terreiro ou a sessão espírita. Há os que desejam o suicídio, para acabar com o sofrimento, e até já existem as associações de voluntários que ajudam as pessoas doentes a passar desta vida. A revista Galileu, de julho, traz na capa uma chamada : Aprender a Morrer, a Lição Final, relatando a coragem e a união do professor Randy Pausch e sua família.
Mas eu não tinha intenção de falar sobre a falta aguda da saúde. Eu me referia ao modo como lidamos com as doenças no dia-a-dia, permitindo que elas tomem conta de nós, a ponto de nos paralisar, ou se, pelo contrário, sabemos colocá-las sob controle. Nem demais, nem de menos. Se você fizer de conta que não está doente, periga de idealizar uma situação, forjar uma realidade que não é a sua. Se, pelo contrário, fizer disso o fim do mundo, pode ser que torne insuportável a vida dos que estão a seu redor. Por isso perguntei se você lida bem com a doença.
Vou viajar e estarei de volta no domingo. Até a outra segunda, então! Venha comigo.
blogqueéquasediário // témerececomentário
Oi, Toni,
Que bom que você trouxe um pouco de pimenta para a nossa empada.
Não concordo com você. Se meu filho de 17 anos é usuário de drogas, foi aconselhado, aprendeu desde criança, em casa, que há outros caminhos na vida, enveredou por este, por culpa das más companhias, como a gente diz; se já esteve até internado, fugiu, não quis se curar, o problema não é meu, enquanto mãe, no sentido de que não está a meu alcance solucioná-lo. Ele tem até o direito de se suicidar, concorda? Eu me refiro, no texto, à distinção entre os problemas que são meus e os problemas que são dos outros. Falei também na relação entre as pessoas e as circunstâncias -- e, enquanto mãe, eu me preocupo profundamente com o que se passa com meu filho. Mas minha ação junto a ele esbarra em sua vontade (ou pseudovontade), além da qual não consigo ir.
Agora, quando você fala em diálogo, estamos de pleno acordo.
Conversar com ele, ouvi-lo, estar com ele, convidá-lo para dar uma volta -- desde que não sejam formas fictícias de pretender controlá-lo e fazer sua cabeça, desde que sejam modos afetivos de estar com ele sem nenhuma pretensão de convertê-lo. Caso contrário, ele perceberá a armadilha e se afastará de você.
Volte mais vezes. Você tem sido bastante fiel a este espaço. Um abraço,
margamoura
| VOCÊ LIDA BEM COM... 25/06/2008 09:49 | |||||||
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