VOCÊ LIDA BEM COM ...

o perdão?

 

Nós brigamos com os outros, dizemos palavras pesadas, recebemos insultos de volta, perdemos a cabeça, nos inflamamos e o mal está feito.  Relações cortadas, não me fale mais neste nome dentro desta casa, mas ele é seu irmão, nem irmão, nem meio-irmão, para mim morreu.  E lá estão os parentes, os cunhados, o genro e o sogro, as duas irmãs de relações cortadas. Para sempre.

 

Nossa dificuldade em nos perceber a nós mesmos é o grande fator de influência, na hora da briga.  Idealizamos nosso modo de ser, de andar, de sentir, de pensar.  Somos bons, ótimos, perfeitos, autoconscientes, sábios e inteligentes.  Sabemos de tudo, não precisamos aprender com os outros, quem é ele para vir me ensinar alguma coisa, era só o que me faltava!  Somos honestos e íntegros e desdenhamos daqueles que não o são.  Com que facilidade atiramos pedras nos outros, nos vizinhos, nos colegas de trabalho, nos membros de nossa família, sem perceber que ainda ontem fazíamos aquilo que ele está fazendo hoje!

 

Veja um exemplo no trânsito: você quer toda a liberdade de movimentos para si e quando sai de uma garagem e a rua está cheia quer, por toda lei, que o carro de trás lhe dê passagem.  No entanto, quando é você que transita numa rua cheia e a moça quer tirar o carro dela da garagem, você diz em voz alta: Não, senhora, na minha frente, não!  E passa na frente dela, com volúpia.

 

Esta idealização de quem somos, além de embaçar nossa vista, também dificulta que vejamos o outro como ele é, com suas qualidades, seus defeitos, suas teimosias, seu eu interior tão rico.  Então, quando nos defrontamos com o outro e nos desentendemos com ele, geralmente são nossas projeções do outro, nossas fantasias, nossos sonhos, nossos desejos que estão se encontrando naquele momento e não nosso eu real.

 

Já uma outra atitude é baixar a crista e olhar dentro de si.  Ver-se com angústias, ciúme, raiva, desejos e aceitar reconhecer-se como é. Geralmente, quando uma das partes baixa a guarda e se desarma, a outra tende a fazer o mesmo.  Então, em voz mais baixa, com humildade, começa-se a ver o outro como ele é.  E aí abre-se o caminho para que eu veja aquela qualidade que ele sempre teve e eu fiz questão de negar.  E, quando admito que ele tem aquela virtude, é comum que ele também volte atrás e reconheça que eu também tenho minhas qualidades.  O clima é outro, os sentimentos, idéias, percepções e atitudes presentes são outros, cada qual se dispõe a aprender com aquele que até ontem era o adversário.  E, nesse clima, fica muito mais fácil pedir perdão e perdoar.

 

Não sei qual é mais difícil, se pedir perdão ou se perdoar.  Mas já me defrontei com a falta de perdão de várias pessoas, o que até hoje me entristece. 

 

Segunda-feira tem mais.  Venha comigo!

 

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VOCÊ LIDA BEM COM...

Problemas?

 

Todo mundo tem problemas e de tipos muito variados: os financeiros são agudos, os de saúde são terríveis, os conflitos emocionais na família são tremendos, o desentendimento entre pais e filhos é muito desagradável ... enfim, cada um e todos nós temos nossos problemas diários, que nos aborrecem bastante e com os quais temos de lidar, sob o risco de eles passarem por cima de nós e tomarem conta de nossa vida.  A questão, na verdade, é como lidar com eles.

 

A primeira atitude é ver o problema, percebê-lo, avaliá-lo.  Qual é o problema?  Às vezes, a gente pensa que é um e, de fato, é outro.  Há uma questão da qual gosto muito, que é você encarar o problema sempre em relação.  O problema não existe solto, no espaço, mas ele está sempre em relação.  Dito assim, você lida melhor com ele.  Por exemplo, seu filho está dependente de drogas. Qual é o problema real: as drogas que ele ingere, o fato de isso vir a maltratar sua saúde, o menino não ir bem na escola por causa disso, ou é você que tem o problema de ver seu filho escolhendo um caminho que você não desejou para ele?  É necessário que você delimite bem qual é o problema, senão não vai conseguir lidar bem com ele.  Ser dependente de droga é problema de seu filho.  Aniquilar a própria saúde é problema de seu filho.  Adianta você lhe pedir ou proibir ou implorar que ele mude de comportamento?  Não.  Aborrecer-se porque vê seu filho dependente de drogas é problema seu.  O problema, então, muda de foco: deixa de ser que Alberto é dependente de drogas e passa a ser: Eu, mãe de Alberto, sofro muito porque meu filho é dependente de drogas.

 

O segundo passo é dimensioná-lo. Qual é seu tamanho real: É um problema pequeno e somos nós que o fazemos grande?  É um grande problema e estamos minimizando-o, fazendo de conta que ele não existe?  Essas duas posturas são muito ruins, pois dificultam nossa tomada de decisão, na hora de lidar com ele.  Ver o problema, perceber o problema, avaliá-lo, sopesá-lo, ajudam você a trabalhar melhor com ele. 

 

O terceiro passo é buscar as possíveis soluções: pedir um dinheiro emprestado, vender algum bem para fazer dinheiro, procurar um médico, mudar de casa, de cidade, de emprego...  Ousar, arriscar, enfrentar, encarar.  Uma forma muito boa é o diálogo, aquela conversa de abertura de corações, não para convencer o outro, mas para ouvir, trocar idéias, aprender com o outro.  Outra forma muito boa é pedir perdão e perdoar.

 

Em suma, o problema tem o tamanho que nós lhe damos.  Não há como evitá-lo, é preciso saber lidar com ele.

 

Sexta-feira tem mais.  Venha comigo!

 

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NOS MEUS 75 ANOS

Obrigada, Rosa Maria e Yara, pelas palavras de afeto e estímulo.

É este convívio agradável que põe a gente para a frente e faz com que sempre queiramos mais do que já temos: mais amizade, mais afeto, mais beijos afetuosos, mais estímulo para continuar vivendo.  E bem!

Com carinho,

margamoura

VOCÊ LIDA BEM COM... ?

Conflitos? 

 

Quando você se aborrece, recebe uma resposta atravessada, sente que está indignado e preparado para dar uma resposta mais apimentada, ou, quem sabe, sua filha mais velha lhe deu uma resposta ríspida, que você sente que não pode agüentar... você lida bem com conflitos nas relações interpessoais?

 

Nossas emoções vêm à tona com nossos pensamentos e ação, na interação com amigos, familiares e colegas de trabalho, e nem sempre é fácil contê-las.  Uma palavra dita em tom elevado, um rosto que denuncia nossa raiva, as mãos crispadas como se fossem bater em alguém...  Quem de nós não passa por essas situações de fortes emoções e diz algo que não queria ou não devia?  Bem, essa é uma descrição pálida do conflito.  Muitas vezes ele é muito mais do que isso.  O problema vem a seguir: E agora? Cada contendor sai para um lado, geralmente um deles batendo a porta.  E como retomar a partir daí?  Devo procurá-lo e pedir desculpas?  Não, é claro que não!  Se foi ele/ela que me ofendeu!  Devo esperar que ele/ela me procure e peça desculpas?  Jamais!  Ele não faz o tipo de pedir desculpas a ninguém!  Devo passar a mão no telefone e dizer-lhe as últimas, rompendo, de uma vez, qualquer possibilidade de entendimento? Ou devo procurar uma pessoa amiga e desabafar com ela? 

 

Assim são os conflitos, nas relações interpessoais.  Isso porque trazemos os traços culturais dentro de nós, herdados, aprendidos, introjetados, emoções, idéias, crenças, valores, normas de conduta, desejos, imagens, tudo misturado e muito pouco consciente.  E aí está o busílis: nosso inconsciente é maior do que o consciente.  Introjetamos, reprimimos, escondemos de nós mesmos, desde pequeninos, sentimentos, raivas, angústias, no porão de nossa casa, que é o inconsciente.  Então, pensamos que manejamos nossos sentimentos e ações, nossos desejos e pensamentos, nossas crenças e valores.  Pensamos que somos organizados, civilizados, bem-estruturados – e às vezes até somos, mesmo.  Porém, quando irrompe do inconsciente algo com o qual nós não contávamos, aquela antipatia que eu pensei que estivesse escondida, aquele preconceito que eu tinha guardado tão bem, aquela raiva que eu passei outro dia, minhas dores e meus ressentimentos afloram como as lavas de um vulcão – e lá se vai por terra aquela discussão que parecia tão serena, tão amigável.

 

Cada um de nós pode aprender a lidar com conflitos, mas o primeiro passo é conhecer-nos a nós mesmos.  Ampliar a percepção de mim, de como eu sou, de que gosto e de que não gosto, de quais são meus valores, em que eu acredito – e por que acredito nisso – são exercícios que fazem tirar do porão alguns fatores importantes e trazê-los à consciência.  Isso ajuda, mas não é tudo.

 

Na próxima quarta-feira tem mais.  Venha comigo!

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