Prometi a vocês que contaria quando acabasse de escrever meu romance. Bem, me alegra muito, eu consegui a façanha de elaborar e digitar um romance de 226 páginas em cinqüenta dias. Foi um grande feito, sem dúvida. Terminei-o hoje e mandei-o via sedex para Portugal. O prazo máximo é 16 de junho, mas o regulamento diz que vale a data de postagem no correio.

Trata-se de um concurso literário do qual tive notícia por meio do Carlos Heitor Cony, na Folha de São Paulo. Disse ele, em sua coluna, que estaria fazendo parte da Banca Examinadora de um concurso da Editora Leya, em Portugal. Fiquei toda animada, fui estudar o regulamento e achei que daria para criar um romance de duzentas páginas, no mínimo, para concorrer.
Na verdade, não dá muito para contar com esses concursos, porque geralmente são os grandes nomes que abocanham os prêmios. Em 2005, fiquei toda entusiasmada com um conto infanto-juvenil que escrevi para o Concurso da Barco a Vapor e, quando saiu o resultado, o vencedor, do Rio Grande do Sul, tinha estudado literatura em nível de pós-graduação e tinha mais de dez livros publicados. Bem, assim não dá! Eu nem estreante sou, pois nunca publiquei um conto ou romance. Anyway, o importante desses concursos, na minha opinião, é a estimulação para que a gente escreva e isso eu tenho conseguido.
No dia 11 de abril deste ano, entreguei um romance, prontinho, para um concurso de literatura em Belo Horizonte, saído do forno, feito exclusivamente para o concurso. Agora também, para enviar para Portugal, sentei e escrevi. Muitos concorrentes lançam mão de obras suas, de anos anteriores, fazem a revisão do Conto ou do Romance e mandam para outro concurso que aparece. Não gosto de fazer assim. Se aqueles meus contos já foram enviados para concurso e não se classificaram, não será que é por que estão incompletos ou imperfeitos? Sou perfeccionista. Gosto de escrever um material novo para cada concurso que aparece. Agora, portanto, tenho um conto para adolescentes e dois romances prontos. Vou revisá-los e mandar para algumas editoras, na esperança de que aceitem publicar algum deles.
Alguns pontos são positivos: divirto-me muito, nesses sessenta dias em que escrevo um romance novo. Pesquiso, pergunto, converso com as pessoas, imagino minhas personagens e leio contistas, cronistas e romancistas brasileiros, para me inspirar e aperfeiçoar. Se conseguir produzir três livros por ano, mesmo que não vença concurso nenhum, estarei sempre me reciclando e melhorando minha produção. E depois, quem sabe, ao cabo de alguns anos, não estarei pronta para vencer um concurso, nem que seja humzinho? Vamos torcer, você me ajuda?
Na próxima segunda-feira tem mais. Um abraço,
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
O que significa ser contemporâneo de seu tempo e para que isso serve? Está aí uma expressão com um significado profundo.

Significa a pessoa acompanhar o que se passa a sua volta, ter informações suficientes relativas à política, à economia, à vida social, à vida cultural, à vida religiosa, do nosso e dos outros países. Saber quais são as técnicas que estão sendo inventadas, quais as correntes psicológicas, filosóficas e educacionais que mais influenciaram a História nos últimos séculos e influenciam hoje. De que tratam as crianças e o que mantém a juventude interessada são exemplos dos fatos que estão ao nosso redor e dos quais vale a pena tomar-se conhecimento. Em uma palavra, conhecer tudo isso é inteirar-se da vida cultural de cada nação e entender como esses traços culturais se construíram, qual é a história do ser humano, como se dá o entrelaçamento entre as diferentes culturas.
Poderíamos fazer um pequeno teste: Há quanto tempo existe o universo? E a vida, na terra? E o ser humano? Você sabe quem é o Vice-Presidente do Brasil? Quanto tempo Jânio Quadros esteve como presidente da República e quem veio primeiro: ele ou Juscelino Kubitschek? Quem dirigiu o filme brasileiro Central do Brasil? Qual o nome da escritora falecida em maio último, que em 2001 foi eleita para a Academia Brasileira de Letras? Onde está exposto o famoso quadro da Mona Lisa, pintado por Leonardo da Vinci? Quantos países compõem a Comunidade Econômica Européia?
Eu sei que, se você entrar na Internet, num instante encontrará essas respostas. Mas não é de respostas certas que se trata e, sim, de se enfatizar o processo de aprendizagem, que deve ser diário e contínuo, porque as coisas que aprendemos um dia de repente mudam, como um país situado numa ilha do Oceano Índico conhecido como Ceilão e que passou a se chamar Sri Lanka. Aprender a aprender, então, acaba sendo mais importante.
Ser contemporâneo de seu tempo é ter vontade de aprender, de ler, de conhecer, de interpretar, de duvidar, de formular perguntas, de criar, de transformar. É ter acesso às informações, o que geralmente se consegue pela leitura de jornais e revistas, consultas à Internet, leitura de livros, a ida ao teatro ou ao cinema, o hábito de lidar com imagens, fotografias, desenhos, esculturas, para dizer o mínimo. Bem, você talvez não tenha tempo para fazer tudo isso, porque estuda, trabalha, namora ou o dinheiro anda curto ou tem dois filhos pra criar. Eu compreendo, a vida está difícil e o trânsito nos pega pelo pé. Porém, interessar-se pela vida cultural nossa e dos outros países é uma condição importante para nos manter atualizados e competentes, profissionalmente. Como conseguir isso? Aí já é uma outra história, que fica para uma outra vez.
Um abraço e até sexta-feira,
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
O musical de 1975, de Chico Buarque e Paulo Pontes, se apresenta no SESC Vila Mariana, até 22 de junho próximo. O texto não tem hoje a força que teve quando foi elaborado e encenado, com Bibi Ferreira fazendo o papel de Joana, mas mesmo assim vale a pena rever a peça, com artistas pouco ou praticamente desconhecidos.
Deixe em paz meu coração / Que ele é um pote até aqui de mágoa /
E qualquer desatenção pode ser a gota d’água
na verdade são palavras que estarão sempre atualizadas, seja numa época como a década de 70, no Brasil, em plena ditadura militar, que nos enchia de vergonha e medo, seja neste início de século XXI, em que tanto aborrecimento, tanta violência, tanta sem-vergonhice pode ser a gota d’água, a qualquer momento.
A peça é uma adaptação da tragédia grega Medéia, de Eurípedes, que narra as aventuras e desventuras de Medéia e Jasão, que roubam o Velo de Ouro do reino da Cólquida. Enquanto estão juntos, eles têm dois filhos. Porém, Jasão se envolve num segundo amor e Medéia se lamenta, pelo tanto que considera que ajudou Jasão a vencer os desafios até ali.
Chico e Paulo Pontes elaboram uma história que toma Medéia como ponto de partida, trazendo o romance para os tempos atualizados daquele final de século XX. Mas, a partir de um certo ponto, deixam de seguir os passos da tragédia grega e fazem um final a sua moda, igualmente interessante.
A peça é um musical e a parte cantada está excelente, com a artista isabella Bicalho fazendo muito bem o papel de Joana, uma mulher forte, rebelde, que não se submete. Convidativo também é o preço da peça, com desconto para os comerciários. Não deixe de ver!
Quarta-feira que vem tem mais. Venha comigo!
margamourablogadora / rimatambémcomescritora
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