Ontem, almoçando num "quilo", dois senhores conversavam perto de mim e deu para ouvir um fragmento da conversa: "O cara é um ignorante, não acredita em Deus (...)". Que vontade de entrar na conversa e lhe perguntar: Como assim? A pessoa é ignorante porque não acredita em Deus?
À noite, no Jornal Nacional da Globo, a reportagem falava de uma disputa de interesses: de um lado, uma construtora não podia prosseguir em seu trabalho de construção de uma hidrelétrica porque, de outro, a população barrava seu desejo, alegando que essa construção iria prejudicar cinco mil famílias que viviam na região. No bate-rebate, um dos responsáveis pela obra se viu diante do microfone da emissora e disse: "É um absurdo barrar uma obra como essa. Estão paralisando nosso serviço, estão atrasando nossa trabalho. Afinal, se trata de uma obra de tremenda importância para a população". E eu quis perguntar-lhe: Importante para quem, cara-pálida? Quem disse a ele que a obra é mais importante do que deixar cinco mil famílias sem teto? Quais são os interesses em jogo? E quem está preocupado com eles?
Li uma coisa muito interessante. Falando das greves de operários, na década de 20, provavelmente os brasileiros sob forte influência dos imigrantes que chegaram ao Brasil, principalmente italianos e espanhóis, as elites precisavam segurar a onda de movimentos ou perderiam o controle. "O operário (...) precisa de um exemplo eficaz de virtude e de trabalho. Nenhum é mais apropriado do que o oferecido pela Sagrada Família, Jesus, Maria José. Os operários, que foram eles, sempre resignados, dão à classe trabalhadora magnifíco exemplo de conformação com a vontade da Providência, na dor e na alegria", ensinava a publicação católica impressa e distribuída em São Paulo pelo Cotonifício Scarpa, ele mesmo enfrentando sérias dificuldades. (1930 - Os Órfãos da Revolução, Domingos Meirelles, Rio de Janeiro: Record, 2005, página 67).
Não é um primor?
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
No capítulo anterior, tentei descrever um pouco do pensamento de Christopher Catherwood, mais como um estímulo ao leitor que quiser conhecer melhor o assunto do que com a pretensão de contar toda a história aqui, neste espaço exíguo do blog. De qualquer modo, ele menciona o acordo Sykes-Picot e a Declaração Balfour, sem, no entanto, explicitá-los. Fui, então, buscar algumas linhas em outra fonte, para prosseguir aquela narrativa na próxima semana.
Jayme Brener é um dentre os muitos autores que nos contam sobre as guerras na Palestina e neste pequeno livro dele, editado pela Scipione, em 1997, As guerras entre Israel e os Árabes, o leitor encontra muitas informações para refletir sobre o tema.
A Declaração Balfour – Poucos dias antes da revolução bolchevique de 1917, o ministro britânico Arthur James Balfour encaminhou aos líderes sionistas o seguinte documento: “O governo de Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu e realizará seus melhores esforços para facilitar a consecução desse objetivo, ficando claramente entendido que não se fará nada que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não-judaicas existentes na Palestina, bem como os direitos e condições políticas gozadas pelos judeus em qualquer outro país”. (página 13).
Acordo Sykes-Picot – Diz Jayme Brener que só no final da Primeira Guerra os árabes souberam que, desde abril de 1916, um tratado secreto dividira o Oriente Médio turco entre as potências ocidentais. O acordo assinado entre os diplomatas Mark Sykes, britânico, e Georges Picot, francês, originalmente repartia a região entre França, Grã-Bretanha e Rússia. Porém, com a conseqüente saída da Rússia da guerra, em 1917, o acordo terminou concedendo aos franceses o mandato sobre os atuais Síria e Líbano, ficando Palestina, Transjordânia e Iraque com os ingleses.
Diz Christopher Catherwood que o acordo Sykes-Picot tornou-se “um marco famigerado, entrando para o folclore árabe como manifestação do perverso e selvagem desejo dos ocidentais de impor os males do colonialismo aos povos livres do mundo árabe”. Neste sentido, diz ele, Lawrence estava certo ao acusar os colegas britânicos de hipocrisia.
Bem, o início do século XX está cheio de vai-e-vem de documentos e de desencontros, de informações pouco comprovadas que passaram adiante, na História, como verdadeiras, e de outras, verdadeiras, que nem sempre vieram à tona na hora certa. Daí a grande dificuldade de se pretender hoje, tantas décadas depois que tudo isso teve início, limpar a área, esclarecer os fatos e dar razão a quem a tenha. Quem?
Na próxima segunda-feira, novas informações sobre a Palestina.
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
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