DE ÁGUA, DE LIXO E DE TRÂNSITO CONGESTIONADO

No próximo dia 22 de março será comemorado o Dia Mundial da Água, este produto perecível e finito, do qual não aprendemos a cuidar, desde crianças, pelo fato de imaginá-lo perene, eterno, imperecível.

Matéria em O Estado de São Paulo, de 24 de fevereiro último, dá conta de que, finalmente, a mancha de poluição do rio Tietê começa a recuar e a mostrar seus frutos, a 100 quilômetros da capital.  Em Porto Feliz, Cabreúva e Anhembi, por exemplo, já se nota a volta da vida ao rio, tendo o nível de oxigênio dobrado, em relação ao início dos anos 1990, e os peixes começado a aparecer, depois de sumidos há décadas.  Mas, diz o geólogo Ronaldo Malheiros Figueira, do Centro Universitário Santana, ainda falta uma política articulada entre os trezentos municípios pelos quais o rio passa.

Os resultados positivos do último ano do Projeto Tietê são reflexos de intervenções que ocorreram justamente num trecho do rio que ainda não apresenta melhoras – o da capital, onde o nível de oxigênio na água é zero. E o presidente da Sabesp, Gesner Oliveira, reconhece que muitas obras ainda têm de ser feitas.  Até o final deste semestre, 84 toneladas de esgotos deixarão de ser lançadas diariamente no Rio Pinheiros, um dos principais afluentes do Tietê.

Joga-se de tudo, nas águas dos rios.  Em nível individual e em nível coletivo.  As pessoas custam a compreender que o rio não é depósito de lixo e muitas empresas não se incomodam de aí depositar zinco, metais, mercúrio e outros poluentes corrosivos.  As escolas poderiam ter a responsabilidade de ensinar nossas crianças, desde pequenas, a não sujarem os rios, a não esquecer torneiras abertas, a gastar menos tempo no banho – enfim, a respeitar mais a água como um produto sério, útil, perecível, para que crescessem como adultos de bons hábitos.  Mas, para isso, seria preciso que os professores se preparassem adequadamente sobre o tema.  O site da SABESP: www.sabesp.com.br tem um link: “Sabesp Ensina”, que já é um bom começo. 

O Estado de São Paulo traz uma matéria de Washington Novaes, em 29 de fevereiro, sobre a importância do lixo, os problemas que o lixo traz, uma vez que os aterros sanitários não dão conta e as inundações se agravam pelas redes de drenagem entupidas por lixo não coletado.  É realmente preocupante.

Falando em problemas, Dráuzio Varella tem um artigo na Folha Ilustrada de hoje, a respeito das motos que circulam em Hanói, no Vietnã. Seria hilariante, se não fosse tão sério e arriscado, você querer atravessar uma rua em que as motos transitam sem parar e não haver semáforos para obrigá-las a se deter para que o pedestre atravesse.  Imperdível!

margamourablogadora // rimatambémcomescritora
A PAZ E O CONSUMO

Olá, Renato,

 

Você tem razão em seus dois comentários: a paz deve, mesmo, vir de dentro para fora, com as nações envolvidas no conflito fazendo o possível por apaziguar as guerrilhas e acertar as contas.  De preferência, por meio da diplomacia.  E a sociedade de consumo é um trator que passa por nós feito uma avalanche, carregando tudo o que encontra pelo caminho, varrendo nossas melhores tradições.

 

Porém, a obtenção da paz não me parece assim tão simples, quando a gente se lembra do quanto um país se intromete na vida do outro e quanto das decisões são tomadas por detrás dos povos, por meio de tratados secretos, falsas promessas, muita ilusão.  Se as influências são, assim, tão cruzadas entre si; se se arma uma rede de influências sobre as nações – e não apenas sobre aquelas que estão em litígio – é preciso que também essas nações que se intrometem dêem uma mão na hora de fazer a paz.  Essa mesma rede de influências é a que força as sociedades de consumo a se expandirem cada vez mais e nos engolirem por uma perna.

 

Num mundo globalizado, como o nosso, em que o capitalismo do Ocidente é quem dá as cartas, dependemos da boa-vontade dos grandes e poderosos para que se faça a paz no Oriente Médio.  Reconhecendo, porém, que o mundo árabe/muçulmano também tem seu poder e sua capacidade de influência e pode estar querendo o oposto do que desejamos.  Vá saber!

 

Um abraço,

 

margamourablogadora // rimatambémcomescritora

 

PALESTINA 3

Deu no Le Monde de 21 de fevereiro passado, e eu li no Uol, que colonos judeus fazem escavações em baixo de casas de palestinos, sem nenhum aviso prévio e nem comprovante de licença por parte das autoridades competentes. Quem se queixa são os habitantes de Silwan, um bairro árabe de Jerusalém, que compreenderam que novamente os colonos judeus instalados entre eles haviam feito escavações sob seus pés, provocando fissuras nas estruturas das casas da vizinhança e uma enorme rachadura numa das paredes da creche.  De acordo com o artigo, não há nada que os habitantes prejudicados possam fazer.

 

Alan Dershowitz, um advogado norte-americano, escreveu “Em defesa de Israel – uma visão mais ampla dos conflitos no Oriente Médio“, publicado no Brasil pela Nobel, em 2004.  Ele é um ferrenho defensor dos direitos humanos, um escritor talentoso e um oponente do anti-semitismo.  Diz ele que precisa argumentar contra as injustiças e os preconceitos que grassam na sociedade norte-americana, principalmente nos campos das universidades, condenando Israel, chamando-o de “nazista” e outras acusações, com as quais ele não concorda.  Então, dispõe-se a responder 42 questões levantadas de acusação.  Diz ele que quando é preciso acusar Israel de algo errado ele é um dos primeiros a fazê-lo.  Mas não pode calar-se diante de tudo o que dizem de mau contra os judeus.  E, em seus questionamentos, volta-se, entre outros, contra Naom Chomsky, reconhecidamente um crítico norte-americano ácido e de grande poder no cenário mundial.

 

Quanto a Chistopher Catherwood, aquele que escreveu “A Loucura de Churchill”, vale a pena acompanhá-lo em seu esforço por resumir em apenas um capítulo todo um passado histórico, necessário para que se compreendam as guerras do Oriente Médio, a partir do século XIX.  Ele menciona Abraão como o pai de todos, passa pela Mesopotâmia, um dos berços da civilização, entra na Palestina do terceiro século antes de Cristo, passa pelos hebreus e todos os povos que lá viveram e chega, finalmente, ao século VII d.C., quando surge o Islã, mediante a figura de Maomé.  Aí, então, têm lugar as guerras de conquista, a expansão muçulmana rumo às regiões vizinhas, suas vitórias sobre a então Pérsia e o Império Bizantino, a tomada de Jerusalém; o apogeu muçulmano e sua expansão em relação ao que viriam a ser Portugal e Espanha, em torno dos séculos X e XI, passa pelas Cruzadas e menciona Saladino como um curdo.  Isso porque o autor precisa mencionar as etnias e as divisões religiosas da época, lembrando que os muçulmanos muito cedo em sua história se dividiram entre xiitas e sunitas, por problemas de falta de entendimento em relação à sucessão de Maomé.  Finalmente, menciona os turcos otomanos, de todos os que tiveram governo mais duradouro, e consegue penetrar nos séculos XIX e XX quando, já de olho no declínio do império otomano, nações como Rússia, Inglaterra e França conseguem que a História cumpra seu destino em favor delas.  O capítulo se encerra com a chegada dos ingleses a Bagdá, em junho de 1917, mediante seu marechal-de-campo, sir Edmund Allenby.

 

Na próxima segunda-feira, novas informações sobre a guerra na Palestina.

umblogquasediário // témerececomentário




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