Oi, pessoal,
É carnaval de novo e de novo as fantasias estão prontas para desfilar na avenida, aquecem-se os tamborins, apressam-se as porta-bandeiras. Os foliões, deslumbrados, contentes da vida, já se preparam há semanas para aumentar o fôlego e poderem sambar até rachar, atrás do trio elétrico.
Harvey Cox, um pastor norte-americano, escreveu A Festa dos Foliões, em que ele narra uma festividade que havia anualmente na Europa, na Idade Média, em que as pessoas se fantasiavam, algumas se vestiam de padres, e aproveitavam para lançar críticas aos nobres e à igreja. Era uma suspensão temporária dos costumes, que eram bastante rígidos, e a sociedade aproveitava para aprender quais eram as críticas da população naquele momento. Depois, permissão suspensa, a volta à vida normal e aos bons costumes. Pensando bem, essa festividade tem algo em comum com o carnaval brasileiro. E, se foul, do inglês, significa louco, folião não fica muito longe disso...
Vi na televisão que os foliões de Recife e de Salvador prometem dançar, bailar, pular, saltar e cantar durante os quatro dias do carnaval, nas ruas, sem descanso. Mas por quê? Não se dizia. Fico pensando se será uma necessidade insana de fugir da vida cotidiana e entrar em outra vida, por apenas quatro dias, com sofreguidão, com preparo físico, para dançar e esquecer, para saltar e penetrar em outro mundo, para cantar até a garganta ficar seca, para manter a tradição, para não se sentir passado/passada pra trás, para que mais? É a prova de que a tal de folia é contagiante e enlouquecedora -- e quanto mais é exercida em grupo e em multidão, maior a força de sua loucura.
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
Fui calçar um sapato velho, de mais de dez anos, e ele machucou a ponta do meu dedinho direito. Que estranho! Depois de tanto tempo, tanto uso, tanta proximidade!
Bem, é verdade que eu não cuidei da relação. No início, eu gostava muito dele, quase
só saía com ele, ia às festas com ele, era uma curtição. Depois, porém, parece que enjoei e passei a trocá-lo por sapatos mais novos, mais bonitos, elegantes no pé. Claro que ele ficou com ciúmes! Afinal, ele é um sapato! Um dia, quando fui procurá-lo, estava no fundo da sapateira, todo embolorado.
De outra feita, eu o emprestei a uma amiga, para ir a uma festa. Ele era novo e servia muito bem para mim. Porém, como era só por uma noite... Mas a danada se esqueceu de me devolver o sapato e ficou com ele, pra cima e pra baixo, até que eu reclamasse sua devolução. Aí era eu que estava morta de ciúmes. Imagine! Ela a gastar meu sapatinho lindo de morrer, como se fosse seu!
Pensei em levá-lo ao sapateiro, para lhe dar um trato, limpá-lo, trocar o salto, botar meia-sola, deixá-lo novinho em folha. Mas era época de festas e eu ia viajar. Como ele não iria junto, eu não precisava dele, não é mesmo?
Quando descobri que a relação é uma via de duas mãos era um pouco tarde. O sapato, riscado, envelhecido, amarfanhado, deixado de lado, feriu a ponta do meu dedinho direito. Bem-feito!
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
Aquela final de
campeonato era tudo o que ela queria para si. Quanto lutara para estar na quadra no último dia, na última partida, ser uma das competidoras ali presentes, ouvir seu nome chamado pelo alto-falante... Que emoção! Pensou que fosse morrer de alegria e de medo, de tensão e de pavor, de jogar contra aquela adversária temível, loira, bonita, de olhos grandes, que tudo via e observava...
Sim, elas já se tinham enfrentado algumas vezes em anos anteriores, mas não tinham sido finais de campeonato. Sim, ela perdera as duas partidas anteriores para a loira, mas hoje iria ser diferente. Ela sabia, ela sentia dentro de si que hoje iria ser diferente.
Quantas adversárias ela não batera para ter chegado àquela posição? Inúmeras, com garra, com determinação! E a outra loira, com quem jogara na partida anterior àquela, que lhe aplicou um “pneu” de 6 a 0, acompanhado de um sorriso típico, como a dizer: “Essa partida é minha?”. Mas Ana Ivanovic não tremeu. Encarou. Bateu de frente. Jogou seu melhor tênis naquela tarde, se sobrepujou, foi demais. A adversária não entende até hoje como pôde perder aquela partida, praticamente ganha por antecipação!
E hoje, iria tremer diante da favorita? Ou iria impor seu melhor estilo de jogo?
A russa Sharapova estava em um de seus melhores dias e não iria entregar a partida de bandeja para a sérvia Ana Ivanovic. Nem pensar. Ana bem que tentou e até passou à frente, ainda no primeiro set. Mas fez uma jogada infeliz e isso lhe custou o set – e, por tabela, toda a partida.
O tênis é um jogo incrível para mexer com as emoções, tanto dos que jogam como dos que assistem. O tenista precisa fazer um duplo treinamento: o técnico e o psicológico. Ana Ivanovic não se entregou, propriamente, como fazem vários tenistas, após perder um set muito disputado. Mas vê-se que aquele erro, seguido de perto por dois ou três outros, mexeram com ela. Foi uma pena. Porém, a garota de vinte anos é do tipo que vai à luta, confia em si e em suas habilidades, encara os desafios e tem muito tênis pela frente.
Gosto de gente assim. Prefiro correr riscos e perder a esperar que os outros tomem a iniciativa para ver se eu saio ganhando, se ao final “sobra” alguma coisa para mim. Não eu!
blogqueéquasediário // témerececomentário
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