Ultimamente, quando escrevo sobre o fundamentalismo religioso, sinto em mim e nos outros uma tendência a identificar terrorismo com fundamentalismo, como se fossem uma coisa só. No entanto, pelo que tenho lido, tal não se dá. Há muito terrorismo de inspiração religiosa e há muito fundamentalismo religioso que pressiona e tortura. Mas, na verdade, ainda são coisas diferentes. Pensando-se, por exemplo, no que foram os anos de terror na Alemanha nazista, de janeiro de 1933 até o final da guerra, em 1945, não se vê ali nenhuma inspiração de origem religiosa. Há, é claro, um problema de etnia, uma vez que grande parte daquela loucura e daquele ódio se voltou contra os judeus e outras minorias, como os ciganos, por exemplo. E alguém poderia tentar dizer que o judaísmo, enquanto religião, pode suscitar um tipo de aversão. Mas não há nenhum indício de que aquele terrorismo dos anos 40 tenha tido alguma ligação com o judaísmo.
O que estamos assistindo, de algumas décadas para cá, é o crescimento do fundamentalismo religioso em todas as frentes, não apenas no Islã. E ele assume diferentes faces de agressão, tanto física, por meio de torturas, assassinato, explosões por homens-bomba, mortes em massa, quanto mediante a submissão a humilhações, proibições de exercer o culto, de seguir a própria religião; ou suspendendo os direitos de exercer o sacerdócio ou rejeitando a Teoria da Libertação, aprovada pelo Concílio de 1963; ou, ainda, inspirando uma legião de seguidores a praticar o suicídio coletivo ou submetendo toda uma população a pressões, quando prometem que o fim do mundo está próximo. Enfim, são infinitos exemplos de tortura e opressão em nome de crenças arraigadas, de valores assumidos, de normas rígidas de conduta de vida – tudo em nome de Deus, que não se vê. No entanto, a vida continua aqui na terra, a cada dia, a cada semana, em que as coisas acontecem feitas por pessoas que vemos. E pouco, parece, que se pode fazer, na vida terrena, principalmente quando há um Deus tão poderoso que tudo vê e tudo governa.
Pensando bem, há realmente motivos para estarmos confundindo terrorismo com fundamentalismo religioso porque ambos têm pontos em comum: a invasão do individual e do coletivo, por meio de armas fortíssimas de pressão física e psicológica, pregação moralista e infusão do medo. Às vezes, nem é necessário você distinguir se a situação que está vivendo está debaixo de um rótulo ou de outro...
Na próxima sexta-feira, a última reflexão sobre esse tema do fundamentalismo religioso. Venha comigo!
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
Alexei,
Li seu comentário e concordo com você que a coisa é muito complexa. Mas, quando falei em aproximação entre as diferentes etnias, estava pensando em dois fatos concretos: um, um artigo que li recentemente, do Der Spiegel, no Uol, de 16 de novembro de 2006, que diz que há uma escola, num bairro de Jerusalém, onde as crianças judias e muçulmanas estão sendo postas juntas, para uma convivência amigável. E outro, foi o filme a que assisti, Promessas de um Novo Mundo, dirigido por Justine Shapiro e B.Z. Goldberg, já faz alguns anos, em que o cineasta faz uma experiência de colocar juntos adolescentes cristãos, muçulmanos e judeus, para se confraternizarem. São imagens e falas impressionantes, em crianças entre oito e dezesseis, dezessete anos, que já assimilaram das gerações anteriores toda uma discriminação, um julgamento pronto, uma tendência a taxar o outro de “inimigo”.
Bem, experiências como essas nos levam a pensar que seria por aí, entre alguns outros, o caminho para conduzir a Palestina a um mundo novo. Mas o que diz a Ali sobre o tema eu não sei, porque não li o livro “Infiel”. Apenas sei, pelo artigo do Calligaris, que ela propugna por mudanças no Islã, de dentro para fora.
Um abraço,
margamourablogadora
Quando eu escolhi escrever sobre a Era Bush, minha idéia era recorrer a alguns livros que eu tinha em casa, tentando fazer uma resenha do livro todo ou apenas de alguns capítulos. São livros muito interessantes, que foram saindo nos Estados Unidos, na América Latina e aqui no Brasil, a partir do impacto do 11 de setembro, falando do susto, do pânico, das repercussões dos ataques e de algumas previsões em termos de futuro.
Lembro-me de que os primeiros livros que li foram A Era do Terror, de Talbott e Chanda (Organizadores), sobre as principais razões de terem sido os Estados Unidos o país atacado; 11 de Setembro, de Naom Chomsky, que concedeu entrevistas a jornalistas, e o famoso livro de Thierry Meyssan, editado originalmente na França, Onze de setembro de 2001, uma terrível farsa, que insistia em que não caiu nenhum avião no Pentágono, mas também não conseguia dizer aonde fora parar o referido avião. Li também o livro de Giuliani, O Líder, naquela época ainda prefeito de Nova York, que narra em detalhes as providências que tomou no dia 11 de setembro.
Depois, vieram outros livros, comentando as ações governamentais pós-11 de setembro, na medida em que Bush e sua equipe se dirigiam, ora, para invadir o Afeganistão, ora, para iniciar a guerra com o Iraque. São dessa época dois livros de Bob Woodward, Bush em Guerra e Plan of Attack, esse último, de 2004. Houve, inclusive, membros do governo que abriram mão de seus cargos e escreveram contra o que estava acontecendo, como foi o caso de Richard Clarke, autor de Contra Todos os Inimigos. É dessa época, também, o livro Pior que Watergate - A presidência secreta de George W. Bush, de John W. Dean, criticando bastante W.Bush por querer manter segredo de tudo, em oposição a uma atitude considerada democrática.
Invadido o Iraque, em março de 2003, num primeiro momento pensava-se que os Estados Unidos e as forças de coalizão venceriam a guerra com facilidade, como tinha acontecido com Bush pai, em 1990/91. Poucos meses depois, porém, já se tinha uma previsão do que poderia vir a ser uma guerra prolongada. Aí, então, surgiu em cena Michael Moore, o cineasta e o autor de livros, denegrindo a imagem de W.Bush e revelando alguns de seus segredos. Porém, Moore não inspirou a confiança que queria, na medida em que seus métodos de coleta e divulgação de dados são pouco recomendáveis para um pesquisador ou um cientista político.
E, finalmente, quando escolhi o tema, o volume de publicações sobre o assunto estava tão exagerado, que praticamente inviabilizou minhas leituras. Por isso, descobri, agora que chego ao final dessa etapa, que não recorri aos livros que tinha, mas me utilizei das notícias de jornais, revistas e Internet, procurando acompanhar o que estava acontecendo semanalmente de mais importante.
Na próxima quarta-feira, a última semana de reflexões sobre a Era Bush, neste blog. Venha comigo!
blogqueéquasediário // témerececomentário
Olá, Alexei,
Li seus comentários sobre a situação nos Estados Unidos, referente à questão de os burocratas não quererem ser acusados de terem concedido um visto à pessoa errada, isto é, ao "turista" que depois se revelará um homem-bomba. Não, eu não conhecia as citações de autor e livros que você faz ali, mas irei atrás deles. Obrigada e um abraço,
blogqueéquasediário // témereceumcomentário
Olá, Alexei,
Bem-findo ao blog. Gostei de suas considerações e concordo com elas. Na verdade, esse fundamentalismo todo não nasceu de repente, mas é fruto de muita frustração, de muito ataque de uns às culturas dos outros, de muito furto do que não é seu, de muita cobiça, como é o caso do petróleo, que alguns querem tomar à força dos outros. Toda esse afrontamento gerou muita dor, muita agonia e muito ódio. É um emaranhado de fatores que conduz a tudo isso. E agora, como fazer para desemaranhar o que já está feito? Uma proposta vem da moça Ali, que diz que o Islã terá que se reformular de dentro para fora. E outras propostas? Trabalhar junto às crianças e aos jovens com muito amor e muita tolerância, durante anos a fio, até que se possa pôr fim a esse clima de terror que se instalou, principalmente dos anos de 1970 para cá.
Não, Alexei, não são coisas para o nosso tempo.
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
Evite trazer exemplos de fora, que não têm nada a ver com aquele momento.
Quando não tiver o que dizer, não diga nada.
Pedir e aceitar ajuda torna as pessoas mais humanas.
Evite aquele tom “professoral”
Nas relações interpessoais, não cabe o papel de professor/professora.
Acuse o recebimento da ligação, agradeça o abraço recebido pela formatura, diga que gostou da hospedagem, avise que chegou bem.
Esperar que o outro peça ainda é uma boa forma de melhorar a qualidade das relações.
Não se esconda atrás dos sentimentos do outro e evite dizer o que acha que ele está sentindo. O outro falará por si.
Explicite o reconhecimento. Retribua com um sorriso, um gesto carinhoso, compre uma flor, mande um cartão pelo correio.
Quando você começa suas considerações pelos pontos positivos, geralmente diminui a atitude defensiva do outro.
Dê um abraço gostoso. Expresse sentimento, saia de si, seja generoso.
E, acima de tudo, conceda o perdão.
Na próxima segunda-feira, o capítulo final do livro que narra as peripécias de Alberto, na área das relações interpessoais. Venha conosco!
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
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