Deu na Folha de São Paulo, ontem. Uma professora britânica, no Sudão, propôs às crianças da classe que escolhessem um nome para um ursinho de pelúcia. Crianças de sete anos votaram no nome de Mohammad (Maomé), que foi assim adotado. Os pais ficaram sabendo e denunciaram a professora, alegando que foi uma ação calculada, para incitar o ódio. Processada e julgada, a professora poderá receber quarenta chibatadas, de acordo com o Ministério da Justiça, e poderá ser deportada a seu país de origem.
Tudo porque é ofensivo a Maomé pôr seu nome num bicho. As pessoas podem chamar-se Mohammad – e as crianças estão rodeadas de Mohammad em seu mundo. Mas, na hora de dar um nome ao bichinho, é proibido, é ofensivo, é algo que não se pode fazer.
Diga-me: você não considera isso um tipo de fundamentalismo? Essa intolerância, essa má-vontade, essa necessidade de fazer pouco caso da vida que se vive hoje... Como esses pais querem que essas crianças distingam que uma coisa pode e a outra, não?
E, por falar em chibatadas, houve também o processo, na Arábia Saudita, da moça que foi encontrar-se com um homem num shopping. Lá, os dois foram assaltados por um grupo e ela foi estuprada. Processada e julgada, levará duzentas chibatadas e seis meses de prisão, porque infringiu uma lei interna: não poderia ir sozinha encontrar-se com um homem que não era seu parente.
É isso aí. Essas pessoas vivem num mundo moderno, cheio de shoppings centers, automóveis, aviões, tecnologia, mas se regem por leis e costumes medievais, como diria Ruy Castro, que passam de pais para filhos sem um questionamento, sem o crivo do bom senso, sem elaborar as mudanças de costumes que o tempo, o desenvolvimento cultural, as sociedades acarretam. Quando se vive num mundo de televisão e Internet, não dá mais para se segurar a influência que a comunicação de massa exerce nas populações. Os formadores de opinião não querem adaptar seu modo de vida de acordo com as mudanças que acontecem no mundo. É claro que não se trata de aceitar cada costume novo, cada modismo, cada proposta de mudança, mas de adaptar seus princípios, valores e crenças a um mundo em mudança, como o nosso.
Tinha razão Ali, que mencionei neste espaço outro dia, a muçulmana que fugiu para a Holanda, escreveu o livro Infiel e disse que as mudanças no Islã vão ter que ocorrer de dentro para fora se as pessoas quiserem viver melhor.
Na próxima sexta-feira, novas reflexões sobre o fundamentalismo religioso. Venha comigo!
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
Li na Newsweek desta semana a coluna de Fareed Zakaria, intitulada America the Unwelcoming. Referindo-se ao feriado de Ação de Graças, o autor chama a atenção para a forma ruim com que os Estados Unidos estão tratando as pessoas que viajam de avião, sabendo que terão muitos aborrecimentos com os atrasos e a burocracia do atendimento. Mas, diz o articulista, isso ainda é pouco, comparado com o que estão passando os estrangeiros que, por algum motivo, tenham cometido pequenas infrações. Ele cita um rapaz da Nova Zelândia, que estendeu sua estada nos Estados Unidos por alguns dias e foi preso por seis semanas, por causa disso. E, embora haja cláusulas nos acordos internacionais, dizendo que a embaixada de seu país deveria ser avisada dessa prisão, isso não ocorreu. Outro exemplo foi o de uma moça alemã, que ficou alguns dias a mais do que o visto permitia. Quando quis remediar isso, viu-se algemada, com os pés também amarrados, e levada para a prisão. Agora, ela enfrenta um processo de deportação e uma sanção de permanecer por dez anos sem voltar ao país norte-americano.
Zakaria relata que os Estados Unidos estão perdendo um número grande de turistas, que estão preferindo viajar para outras partes do mundo. Diz ele que o número de japoneses visitando aquele país caiu de cinco milhões, em 2000, para três milhões e seiscentos mil, no ano passado. Os números agora começaram a crescer, mas, numa projeção para o ano de 2010, eles ainda estarão 19% abaixo dos níveis de 2000. No entanto, nesse intervalo de tempo de 2000 a 2010, espera-se que o turismo global cresça 40%. A Discover America, uma organização que procura alavancar a área de viagens no país, estima que a queda do turismo, desde 11 de setembro de 2001, tenha custado aos Estados Unidos 94 bilhões de dólares nas perdas do que os turistas consumiriam, duzentos mil empregos e 16 bilhões em retorno de taxas.
Para muitos turistas, os problemas começam mesmo antes de viajar. Conseguir permissão para entrar nos Estados Unidos tem sido um processo laborioso. Leva, por exemplo, em média, 65 dias, em São Paulo, e 44 dias, em Xangai, para simplesmente processarem as solicitações de visto. Portanto, a ilusão de uma viagem rápida para os Estados Unidos é coisa do passado.
A administração e o Congresso norte-americano têm dito alguma coisa a esse respeito, adotaram algumas medidas de melhoria da situação e dizem que os problemas estão sendo resolvidos. Mas não estão. O problema básico permanece: nenhum burocrata quer ser apontado como tendo sido o responsável pela liberação do passaporte do terrorista, se e quando houver um novo ataque. É por isso que, ao mais leve sinal de irregularidade, já maltratam, prendem e deportam as pessoas.
Na próxima quarta-feira, novas informações e reflexões sobre a Era Bush. Venha comigo!
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Alberto está compartilhando com o leitor alguns pontos importantes, que o ajudaram a melhorar as relações interpessoais, ao longo de sua carreira profissional junto a empresas e grupos de trabalho.
Apaixone-se pela voz do outro
Quem gosta de ouvir a própria voz de repente fala sozinho, pois bastaria olhar à sua volta para perceber que ninguém está interessado. Descubra que a voz dele ou dela pode ser mais bonita do que a sua!
Deixe quem ligou falar primeiro
Atender ao telefone e já sair falando não é uma boa forma de manter o relacionamento. Quem ligou deve falar primeiro.
Saber ouvir não é simplesmente calar-se. Não basta ouvir o outro sem interrompê-lo. Ser um bom interlocutor é interessar-se pela conversa com o outro e expor-se, expressar-se, dar sua opinião.
Quando você se sente muito só, corre o risco de desabar o peso do corpo em cima dos amigos, o que leva as pessoas mais próximas a fugirem de você. Ao telefone, aprenda a perceber quando o outro está querendo desligar e você não deixa.
Ele nem terminou de falar e você já entendeu tudo: sabe porque ele disse aquilo e a vingança que está antegozando. Se você simplesmente ouvisse o que ele tem a dizer, não chegariam a um melhor entendimento?
Quando você usa o telefone e ouve a secretária eletrônica, já sabe que ela está apenas gravando seu recado. Por que não diz, simplesmente, que aqui é fulano/fulana e pede que a pessoa lhe ligue de volta?
Tente controlar sua fala
De repente, você tem dificuldade de controlar sua fala. É sempre tempo de aprender a ser direto e objetivo. Nas conversas informais não cabem discursos. Ceda a palavra rapidamente e melhore a qualidade de suas relações.
Na próxima segunda-feira, Alberto voltará com novo material para reflexão sobre as relações interpessoais. Venha conosco!
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