FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO

Passou na 31ª. Mostra Internacional de Cinema, em São Paulo, em outubro último, o filme Persépolis, de Marjane Satrapi, de que fala Elke Schmitter no jornal Der Spiegel, de 16 de novembro último, que se pode ler traduzido no Uol.  Diz ele que o filme é um comovente relato em quadrinhos da vida da autora, que viveu no Irã, antes, durante e depois da Revolução Iraniana, de 1979, e que foi adaptado para o cinema e promete torna-se um sucesso internacional de bilheteria.  De fato, quem o viu, gostou.

 

Marjane Satrapi fez um álbum em quadrinhos, relatando os momentos mais significativos de sua vida, desde o tempo em que morava com a família em Teerã, onde cresceu, até as peripécias por que passou na adolescência e em sua vida adulta.  A autora cresceu em Teerã como parte de uma família amorosa de classe média crítica do regime do Xá e depois testemunhou a derrubada dele, em 1979, quando subiu ao poder o Aiatolá Khomeini, que implantou a ditadura fundamentalista, a que se seguiu a guerra entre o Irã e o Iraque.  Levada para fora do Irã, para estudar em Viena, ela voltou a seu país de origem, voluntariamente, casou-se e viveu uma vida de amor breve e infeliz, após o que emigrou definitivamente para a França.

 

O caminho que a autora escolheu para elaborar suas mágoas e tensões foi a arte: expressou graficamente o que sentia, para que o ódio não tomasse conta de si.  Seu álbum em quadrinhos é realmente uma forma de literatura. A história é contada em imagens contrastantes em preto-e-branco com uma quantidade relativamente grande de texto ao lado de imagens fortes, que lembram entalhes em madeira.  O fato de essa obra ir para a tela é um fato importante, pois, além de dar a conhecer o trabalho de uma artista, permite que mais gente possa refletir sobre os embates de sua vida pessoal, de um lado, e do Irã, sob o fundamentalismo islâmico, de outro.

 

A solidão da adolescente e o medo terrível de ser feia não são tratados como triviais nos quadrinhos e no cinema. O artigo fala de seus sentimentos quando perambulava pelas ruas do consumismo, em Viena, em contraste com tudo o que tinha sofrido no Irã.  E eu imagino como deva ser, mesmo, uma sensação estranha, depois de viver sob o proibido, o negado, as ameaças constantes de punição e, de repente, respirar o prazer da liberdade e do consumismo, na Europa.  Principalmente, se se é uma adolescente.  E o articulista termina, dizendo: “Subversiva, encantadora e cheia de humor, Satrapi criou uma obra de arte realmente grande”.

 

 

Na próxima sexta-feira, mais reflexões sobre o fundamentalismo religioso.  Venha comigo!

 

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A ERA BUSH

Deu na Folha de São Paulo, de domingo passado, que os soldados norte-americanos assistem aos programas da Al Jazeera em inglês, em Cabul, no Afeganistão.  Essa rede, que é uma emissora de televisão do Catar, foi descrita certa vez por Rumsfeld, então Secretário de Defesa dos Estados Unidos, como “mal-intencionada, imprecisa e imperdoável”.  Mas a verdade é que a rede está expandindo seu campo de atenção e é ouvida por várias populações, de vários países, muito mais do que o governo dos Estados Unidos gostaria de reconhecer.

 

De acordo com a Wikipédia, a Al Jazeera tinha uma atuação internacional com sucursais e correspondentes espalhados pelo mundo, mas somente começou a chamar a atenção do Ocidente ao mostrar manifestações populares anti-americanas, após o ataque de 11 de setembro de 2001.  Diz essa mesma fonte que o governo Bush proibiu seus membros mais graduados de falarem à emissora, mas, clandestinamente, tentou destruir suas instalações e mandou hackers invadirem seu site oficial na Internet.  De fato, nos primeiros dias da invasão do iraque, duas sedes provisórias da Al Jazeera naquele país foram atingidas pela artilharia da coalizão, matando quatro jornalistas.  Na ocasião, a emissora recebeu um prêmio por sua resistência à censura.  O grupo britânico Index on Censorship concedeu-lhe uma homenagem por causa de sua independência e sua reputação de divulgar notícias confiáveis.  A audiência da emissora está em constante crescimento.

 

A manchete do jornal da Folha é “Estados Unidos precisam ver o mundo real na TV”.  Isso porque é falso pretender ignorar que a Al Jazeera existe ou pretender virar-lhe as costas.  Seria muito bom que os norte-americanos conhecessem a emissora, vissem de que assuntos trata e discutissem sobre isso.

 

Diz o articulista, Roger Cohen, que faz um ano que a Al Jazeera está sendo veiculada em inglês e já é vista por cem milhões de residências espalhadas pelo mundo.  Há momentos em que é muito tendenciosa, mas, de forma geral, parece ser genuíno seu esforço por reportagens equilibradas.  E o autor diz que os Estados Unidos precisam assistir à Al Jazeera para entender como o mundo mudou.  E enumera três mudanças básicas:

 

Na próxima quarta-feira, novas reflexões sobre a Era Bush.  Venha comigo!

 

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.RELAÇÕES INTERPESSOAIS

Alberto está relatando o que mais chamou sua atenção em sua vida profissional, ao longo de muitos anos de trabalho, junto a empresas, gerentes e grupos de pessoas.  Agora, já nos últimos capítulos do livro, ele dá umas dicas sobre como aperfeiçoar as relações interpessoais entre familiares, amigos, colegas de trabalho, companheiros de clube, sócios de empresa.

As relações interpessoais são muito mais importantes do que se pensa.  Nossa tendência é valorizar o produto final, o conteúdo, o resultado de um trabalho, o final de uma viagem, o último capítulo da novela -- quando, na verdade, há um processo de construção entre as pessoas que é tanto ou mais rico do que a revelação do produto acabado.  Construímos em grupo nossos sonhos, nossas fantasias, nossos desejos, nossas idéias, nossos sentimentos, nossos objetivos e compartilhamos em grupo nossas tristezas, decepções, frustrações, perdas e fracassos.  Se essas elaborações coletivas forem bem-feitas, encontrarem um campo afetivo, compreensão e consolo, muito se poderá construir em cima disso.  Se, pelo contrário, o clima for de competição, inveja, desafio, necessidade incrível de vencer, é pouco provável que as elaborações individuais e grupais cheguem a bom termo.  Este item fala em cheio das relações entre as pessoas.

Expressar emoções.  Saber escolher o melhor momento para uma confrontação.  Ter a habilidade necessária para abordar um tema delicado, antes que as angústias e as tristezas se cristalizem em defesas.  Tudo isso se pode aprender, não é preciso que seja procurado apenas pelo processo de ensaios e erros.  Expressar o que se está sentindo, pedir desculpas, obter o perdão, conceder o perdão, acolher mais do que julgar, compreender mais do que avaliar -- verbos fáceis de se dizer, mas difíceis de se executar.  Fazer o quê?  Procurar treinar-se para um desempenho adequado, aprender com os próprios erros, tentar controlar-se de uma próxima vez -- tudo isso levando-se em conta que temos um inconsciente enorme dentro de nós mesmos, que responde por parte das nossas ações e nos leva a dizer coisas que não queríamos.  Fazer o quê?  Buscar aumentar o campo do consciente, de modo a minimizar a ação do inconsciente.

Tudo isso é passível de ser feito.  Sim, porém, nada fácil.  Um certo empenho e vontade de acertar ajudam bastante.

Na próxima segunda-feira, novas reflexões com Alberto, sobre as relações interpessoais.  Venha conosco!

margamourablogadora // rimatambémcomescritora

 




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