Tenho lido muita coisa a respeito dos muçulmanos e do que acontece no mundo, depois do 11 de setembro, e, mesmo assim, não consigo ter idéias claras a respeito do assunto. Quando falamos em fundamentalismo religioso, não significa necessariamente que estejamos discutindo sobre o terrorismo; podem, na verdade, ser dois assuntos distintos, um do outro. Por outro lado, o terrorismo está tão em moda e tão vinculado a um tipo de fanatismo religioso, que as duas expressões acabam se confundindo.
Ainda ontem, li uma frase que me fez parar para pensar: o Islã já nasceu terrorista. Essa é uma afirmação forte, mas, de fato, faz algum sentido, quando se pensa que o Alcorão já determinou todo um modo de vida, as normas de conduta, as noções de certo e errado, o que se pode e o que não se pode fazer. Isso, eu imagino, deve cercear bastante a vida dos indivíduos. Outra interpretação que se pode dar àquelas palavras é o fato de o Islã ter se desenvolvido à base da ponta da espada. Entre Maomé ter ouvido a palavra de Deus e sair pregando e o rápido desenvolvimento do Islã pelo mundo, começando pelas regiões em torno da Arábia, como o Egito, a Palestina, a Mesopotâmia, a Síria, o Império Bizantino e a Pérsia, para citar alguns, não se passaram cem anos. É porque os novos religiosos, sob o comando de Maomé, organizaram-se sob a forma de um exército militante e, nesse caso, o líder religioso acabou sendo também o líder político e militar da região.
Mas a verdade é que há muitos muçulmanos que não são nem fanáticos, nem terroristas. Há grupos, tribos, populações inteiras que não pretendem sair convertendo os infiéis. Porém, o que me intriga, é que o Islã está crescendo no mundo ocidental, isto é, está trazendo suas características culturais, religiosas, sociais, políticas, para o mundo em que nós crescemos – e nós não estamos preparados para conviver com eles. São tão grandes nossas diferenças de crenças, de pensamentos, de sentimentos e de ideais, que estamos com dificuldade de negociar com eles, de deixar-nos aculturar, de transmitir-lhes nossas crenças e nossos sentimentos. E aí nós nos deparamos com o problema do ovo e da galinha: quem começou essa dificuldade de aproximação? Quem foram os primeiros a distanciar essas culturas umas das outras?
A Europa está com problemas nesse sentido. A França, recentemente, quis impedir as mulheres muçulmanas de irem de véu à escola e a Inglaterra também está querendo baixar umas leis nesse sentido. Então, o fosso que nos separa tende a crescer, porque não vejo possibilidade de diálogo, à vista. Vamos continuar gerando novos Afeganistões e novos Iraques?
Na próxima sexta-feira, novas informações para reflexões, a respeito do fundamentalismo religioso. Venha comigo!
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
Declínio da violência no Iraque
Notícias publicadas pelo jornal El País, pelo Uol, em 03 de novembro do corrente, dão conta de que, pela primeira vez, em semanas, houve uma significativa diminuição da violência no Iraque. Isso pode dever-se às medidas estratégicas tomadas pelo governo norte-americano ou a outra série de circunstâncias – mas é difícil afirmar se será uma tendência sólida ou um mero alívio passageiro. Não estamos cantando vitória, é cedo demais para isso, advertiu o coronel Steve Boylan, porta-voz do general David Petraeus, chefe das forças norte-americanas no Iraque.
Isso pode ser conseqüência da nova estratégia dirigida por Petraeus. Mas também pode estar relacionado a diversos motivos que não têm a ver com a política norte-americana. Bagdá está transformada em verdadeira fortaleza, muitas pessoas abandonaram o país e parece estar havendo uma trégua entre as milícias xiitas e sunitas. Também não é certo que essa tendência seja a garantia de que a Al-Qaeda esteja mais frágil. De qualquer modo, assumir que a nova estratégia norte-americana esteja correta significa assumir que a presença de 170 mil soldados em campo é necessária e será necessária durante muito tempo.
Guerra no Afeganistão
Garanto que o governo de W. Bush, quando invadiu o Iraque, em 2003, tinha certeza de que tinha a guerra do Afeganistão sob controle. Se os combates lá ainda fossem tão intensos quanto são hoje, talvez a cúpula do governo norte-americano tivesse aguardado um pouco, antes de atacar e manter duas frentes de guerra para controlar. O fato é que os Talebãs voltaram com tudo, a partir de 2005, e a guerra, lá, está a todo vapor. A manchete de um artigo de David Rohde, do New York Times, na Folha de São Paulo, de 31 de outubro do corrente, diz que cresce o fluxo de estrangeiros para o Talebã. São centenas de militantes estrangeiros chegando ao país para combater nas fileiras do grupo fundamentalista islâmico Talebã.
Incompetência científica
Deu na Folha de São Paulo, do mesmo 31 de outubro, que John Marburger, o conselheiro científico do presidente W. Bush, participou da edição de um testemunho dado ao Congresso do país sobre os efeitos do aquecimento global para a saúde. Diz a notícia que ele pediu que fossem feitos cortes num documento original de doze páginas, que ficou reduzido à metade. Foram extraídas, entre outras, frases como: “... esses problemas ainda não foram atacados”. Aliás, eu li, recentemente, em artigo de jornal traduzido pela Uol, que a área científica não estava sendo privilegiada, no governo de W. Bush.
Na próxima 4ª. feira, novas informações para reflexões sobre a Era Bush. Venha comigo!
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
Olá, Marisa, bem-vinda ao blog.
De fato, minha cara, não é fácil agüentar certas falas ou pessoas importunas, mas reconheço que fazem parte de nosso dia-a-dia e que, quanto mais desenvolvermos uma atitude de tolerância, melhor será para convivermos numa boa.
Hoje amanheci com uma frase na cabeça: "Perdoar é uma condição básica do viver bem", mas não sei por que exatamente pensei nisso.
Um grande abraço,
margamourablogadora
Alberto está conversando com o leitor, repassando as coisas mais importantes que aprendeu ao longo da vida profissional, junto aos clientes, na área das Relações Humanas.
Não somos treinados a encarar os fatos de frente e tentar resolvê-los. Temos a tendência de negar os fatos, esconder-nos, buscar bodes expiatórios, mas a escola e a família poderiam inverter essa inclinação e começar a ajudar nossas crianças e jovens a olhar de frente e encarar: Fiz, sim, fulano, você me desculpe, eu não sabia que isso era tão importante para você. Me desculpe, eu prometo que da próxima vez vou prestar mais atenção. Me perdoe, minha amiga, eu não queria ofender você, eu fiz sem querer. Mas que grande asneira eu fui fazer! Logo com você, um dos meus melhores amigos! Ora, mamãe, não vamos fazer um drama! Eu não fiz por mal e prometo que não faço mais. Vamos, pronto, não chore, eu prometo!
Costumo dramatizar junto aos participantes, nas palestras, representando o marido acusado, a mãe aborrecida, a filha mal-criada. Gesticulando e fazendo caretas, vou pedindo perdão, vou expondo os motivos da falha, fico enternecido, vou pedindo que me desculpem e chego até a pôr a mão no ombro do participante mais próximo. É incrível o olhar das pessoas na platéia, o espanto, a admiração – e a certeza que me passam de que nunca lhes ocorreu ter um comportamento desses! Saber perdoar. Passou, passou, já foi reconhecido, os envolvidos choram um pouco, abraçam-se, assoam o nariz e a vida continua. Mas não. Em vez disso, a gente finge que não percebe a dissimulação do outro, que finge que não nos está enganando. E passamos a vida a fazer de conta.
Outro comportamento das pessoas que tenho dificuldade em compreender é a falta de retorno às nossas ações do dia-a-dia. Telefonei a um amigo e deixei um recado em sua secretária eletrônica, porque queria vê-lo com uma certa urgência. A neta de uma grande amiga soube que eu dispunha de artigos de um autor de quem ela precisava na escola e me pediu se podia enviá-los a ela. Pus no correio, via sedex. A filha de um amigo telefonou e pediu a minha esposa que lhe mandasse alguns endereços de amigos que temos em comum, no que foi rapidamente atendida. Um primo muito querido me pediu o empréstimo de um dinheiro até o fim do mês e depositei-o de imediato em sua conta corrente. Você acredita que nenhuma dessas pessoas me contatou de volta, acusando o pedido urgente que fiz, o recebimento dos artigos, dos endereços ou do dinheiro?
Estou pesquisando os motivos dessa falta de reconhecimento e não os encontrei ainda. Por favor, se você, leitor, tiver hipóteses a respeito desse comportamento inusitado tão em voga entre os profissionais e os amigos das classes média e alta das cidades grandes, não deixe de me passar um e-mail! Obrigado.
Na próxima segunda-feira, Alberto dará material para mais reflexões sobre as relações interpessoais. Venha conosco!
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
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