Falando em fundamentalismo religioso, hoje tomei um táxi, em São Paulo, cujo motorista queria, por toda lei, me converter a uma religião que me aproximasse de Jeová. O homem não tem a sensibilidade necessária para perceber quem são os clientes que querem ser convertidos e quem são aqueles, que, como eu, preferem conversar sobre outro assunto. Eu estava sentada no banco da frente e não reforcei as duas ou três investidas que ele deu para conversar sobre religião.
Não convencido pelo meu silêncio, virou-se para o banco de trás, onde havia vários exemplares de revistas, como Sentinela e uma outra, cujo nome não me ocorre, defendeu que elas falavam também de outros assuntos que não apenas de religião e as pôs no meu colo, para que eu as visse. Apenas folheei uma delas e devolvi-as ao banco de trás. Nisso, a visita que me acompanhava puxou outro assunto e deixamos o interesse do motorista de lado. Pois, ao descermos do táxi, ele ainda disse: “Leiam a Bíblia”. A religião dele e as revistas são de Testemunhas de Jeová.
Esse é um exemplo típico do que considero como fundamentalismo religioso. É o homem estar tão convencido de que suas doutrinas são a expressão da verdade que ele precisa sair por aí e anunciá-las para o mundo. É a expressão das certezas de que ele está possuído que o leva a passar por cima de um preceito básico da área de negócios, que é respeitar que eu sou a cliente e ele está prestando um serviço. Não cabe a ele importunar-me com uma conversa que não estou interessada em manter e nem em me dar aulas de doutrina num percurso de trinta minutos de táxi dentro da cidade.
Que pena que as religiões incutam essa necessidade de conversão na cabeça de seus fiéis!
Na próxima sexta-feira, mais material para reflexão sobre o fundamentalismo religioso. Venha comigo!
blogqueéquasediário // témerecomentário
Meus amigos Giovana e Toni leram o último artigo sobre as relações interpessoais e deixaram ali seus comentários. Obrigada, fiquei muito contente. Esse tema é deveras importante, embora nem sempre a gente pense assim. Minimizamos a questão das relações interpessoais, mas depois vivemos cheios de problemas por causa disso.
Um abraço,
bloglqueéquasediário // témerececomentário
A questão do tratamento de presos sob a autoridade dos norte-americanos à base de tortura continua gerando muita polêmica. Desde 2004 e 2005, quando vieram à tona os problemas com os detidos na prisão de Abu-Ghraib, no Iraque, e, posteriormente, também na prisão de Guantánamo, base militar que os Estados Unidos mantêm em Cuba, o governo norte-americano ora diz uma coisa, ora diz outra. Agora, o New York Times de ontem, 30 de outubro, traz um artigo cuja manchete, traduzida, diz: “Mensagem dúbia do governo Bush em relação à tortura tem alto custo político”. As autoridades, na verdade, querem que a Al-Qaeda acredite que os Estados Unidos torturam e, ao mesmo tempo, pretendem convencer o resto do mundo de que não torturam.
Mas, diz o articulista, Scott Shane, os Estados Unidos têm sofrido interrogatório por parte das organizações de direitos humanos, aliados europeus e membros do Congresso, cada vez mais cheios de dúvidas. É claro que esse assunto tem a ver diretamente com as operações da CIA, por tudo o que já realizou de atividades dentro e fora do país, desde que foi criada.
Se puder, leia a matéria na íntegra. Eu a encontrei no UOL, na parte em que a equipe traduz alguns artigos dos jornais estrangeiros.
Na próxima quarta-feira, novos dados para reflexão sobre a Era Bush. Venha comigo!
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
Alberto está compartilhando com o leitor suas experiências profissionais, nas empresas pelas quais passou. Agora, quase no final do livro, que aqui está sendo transmitido em capítulos, ele dá um balanço e salienta as coisas que mais o marcaram, ao longo da vida profissional.
Entre uma vivência e outra, fui notando pequenas mudanças em minha vida. Mudanças pessoais, de comportamento, no modo de lidar com as pessoas e as situações. De repente, parece que fui amadurecendo, ficando mais compreensivo, mais cordato, menos polêmico, mais tolerante, accessível, disposto a negociar. Você, leitor, sente também essas mudanças em você mesmo, às vezes tão concretas que quase se pegam com a mão? Devem ser frutos da idade, da vivência, do convívio com as pessoas, do fato de se passar por determinadas situações. Por exemplo, fui percebendo certa mania que eu tinha de corrigir os outros. Uma coisa imperceptível, automática, obsessiva: Não foi em 68, papai, foi em 69. Não, Mário, não eram vinte pessoas, eram mais, umas trinta ou quarenta. Bem, dei-me conta de que havia uma necessidade inconsciente de corrigir os outros e mostrar que eu era melhor do que eles. Estou gradativamente abandonando essa mania. E quanto mais tomo consciência, mais tem sido possível corrigir-me.
Mania de dar palpite, de planejar com antecedência, de tomar conta das coisas, como se fosse necessário controlar para ter certeza de tudo. Bem, na verdade, não temos certeza de nada e controlar nos desgasta tanto! Com o tempo, fui aprendendo que poderia viver minha vida e deixar os outros viverem as deles. Ainda dou muito palpite, é claro, mas melhorei bastante. Os assistentes sociais têm um lema que me agrada: a melhor ajuda é aquela que se oferece a quem está pedindo.
Estou aprendendo. Faço minha auto-análise, olho para dentro de mim, procuro perceber minhas reações, meu modo de agir, meu jeito de interferir no ambiente e nas relações entre as pessoas. Tento não perder a espontaneidade, mas procuro mudar, ser mais flexível, mais tolerante, menos persecutório em relação às pessoas. E estou conseguindo!
No entanto, alguns comportamentos das pessoas ainda me incomodam bastante. O avestruz tem a mania de esconder a cabeça na areia, num gesto tão característico que, quando as pessoas querem fugir da realidade, nós as chamamos de avestruz. Talvez a dissimulação seja um traço cultural fortemente arraigado entre nós, uma estratégia aprendida como fujo-mas-não-encaro, à qual recorremos regularmente. É incrível como tendemos a ignorar nossos sentimentos e os manejamos mal! Negar a realidade e o que se está sentindo é o mecanismo de fuga mais primitivo do ser humano. Nego, não vejo, finjo que não vejo. Outros mecanismos são a dissimulação do que sentimos, a acusação do outro como o responsável pelo malfeito, o apoiar-nos na primeira mentira mal-inventada que aparece, o encher-nos de ilusões – de quantas formas nos servimos, homens e mulheres, para escapar – se pudermos! – do problema, da angústia, da desordem, da maldade, do erro!
E outro, é a mania de não dar retorno. Isso ainda me irrita bastante.
Na próxima segunda-feira, mais recordações do Alberto sobre as relações interpessoais. Venha conosco!
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
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