No site Marruecos Digital há uma entrevista concedida por Mohamed Darif, em reportagem assinada por Sérgio Cebrián, a respeito do tema do terrorismo, aliado ao fundamentalismo religioso. Deve ter ocorrido entre maio de 2004 e maio de 2005. Mohamed Darif é um dos grandes especialistas marroquinos em conhecimento do islamismo e do terrorismo de origem islâmica e, na ocasião da entrevista, era professor na Universidade de Hassan II, em Mohammedia, perto de Casablanca. Ele tem acompanhado de perto a evolução dos grupos terroristas que se desenvolvem em Marrocos e que talvez tenham participado dos atentados de maio de 2003, em Casablanca, e de 11 de março de 2004, em Madrid.
Darif começa falando que na explicação do fenômeno terrorista islâmico está subentendida uma razão ideológica, em torno da interpretação que o chamado salafismo combatente faz da religião do Islã. Diz que o salafismo tem sido exportado pela Arábia Saudita. Reconhece que há grupos de terroristas do Islã, em Marrocos, mas acha que são distantes da organização Al-Qaeda, tanto em suas concepções como em seus propósitos. Mas, diz ele, nenhum país, como o próprio Marrocos, se encontra a salvo da expansão dessa ideologia, facilitada pelos diversos fatores do tipo político ou socioeconômico -- mas que não são os únicos que explicam o terrorismo. O salafismo tem se valido do fator internacional para seu crescimento, pois seus adeptos acusam as políticas cultural e religiosa de ocidentalização.
Qual é a origem do Grupo Islâmico Combatente Marroquino – GICM --, a quem se atribui a autoria dos atentados de Madrid? Esse grupo nasceu em 1998, inicialmente para facilitar à Al-Qaeda uma ajuda logística, como conseguir documentos válidos para a entrada na Europa e realizar casamentos com mulheres marroquinas. Porém, depois do 11 de setembro, isso mudou e eles passaram a realizar atentados. Até recentemente sabia-se muito pouco sobre esse grupo. Agora, quando se fala da Al-Qaeda, já não se trata mais de uma organização central, mas de um conjunto de grupos nos países árabes e também na Europa.
A respeito das possíveis relações entre os que chegam ao Marrocos, vindos de fora, e o crescimento do terrorismo, Darif acha isso muito difícil: à Al-Qaeda interessam, de preferência, pessoas estáveis no país, que não precisem estar fugindo da polícia por problemas de visto.
Quanto ao recrutamento de jovens para o terror, os melhores são aqueles que gostam de rezar. Se forem bons crentes, uma das respostas é dada pelo Corão: sabe-se que espera a morte. Fica mais fácil, então, convertê-lo a ingressar em grupos radicais.
Mais informações sobre o fundamentalismo religioso na próxima sexta-feira. Venha comigo!
blogqueéquasediário // témerececomentário
Neste final de semana foi intenso o movimento de artigos e comentários neste Blog, devido ao agito que promovi junto aos parentes e amigos, na comemoração do meu aniversário. Rolaram assuntos relativos à religiosidade dos homens do Islã, às dificuldades de se distinguir o salafismo e o wahhabismo do xiísmo e ao tempo de duração que resta ao império norte-americano – se é que ele está mesmo para cair.
Há prós e contras a esse respeito. Pelo que se lê nos jornais, na Internet, nas revistas e nos livros, o império já teve seus dias de glória. Suas frentes de batalha, a necessidade de manter exércitos, recursos materiais, armamentos sofisticados, porta-aviões e tudo o que haja relativo a poderio em várias frentes, mundo afora, sem dúvida acabarão por esgotar os recursos financeiros de que o país dispõe. Por outro lado, há uma esperança de que os democratas possam suceder-se ao governo de W. Bush, no próximo ano, e pôr um pouco de ordem na casa.
Uma notícia de ontem, na Internet, dá conta de que W. Bush pediu ao Congresso norte-americano cento e oitenta e nove bilhões de dólares para custear as guerras no Afeganistão e no Iraque. Sob o comando da oposição, a Câmara tem tentado condicionar a concessão da verba a um cronograma de saída (das tropas do Iraque?), o que esbarra no veto do presidente.
É interessante o número elevado de notícias dizendo que W. Bush gostaria de invadir o Irã. Não se sabe direito se isso é para valer ou se são só ameaças. Porém, quando se vê o que foi feito junto ao Afeganistão e ao Iraque, em pleno século XXI, não se tem motivo para duvidar das intenções dessa nova investida. Por outro lado, um artigo do Der Spiegel, traduzido e apresentado no Uol, em 16 de outubro passado, traz uma entrevista com Gabriel Kolko, de Amsterdã, historiador militar e autor de livros. Já na primeira resposta, ele diz que “os militares americanos estão no limite de seus recursos. Estão perdendo as duas guerras, no Iraque e no Afeganistão”. E vai por aí afora. Vale a pena ler a entrevista.
No fundo, de tudo o que refleti com meus amigos e parentes no final de semana, ficou-me um gosto amargo na boca: não sei por que me preocupo tanto com a queda do império norte-americano, se todos sabemos que, ao cair, ele verá a ascensão de dois ou três outros países fortes que, reproduzindo a História, trarão seus ditadores, fundamentalistas, figuras intolerantes, que nos maltratarão tanto quanto ou mais do que seus antecessores. Afinal, quem está em jogo é o sistema – capitalista, neurótico, avassalador, genocida, ávido por sangue – e não simplesmente a figura de homens maus.
Na próxima quarta-feira, mais informações e material para reflexão sobre a Era Bush. Venha comigo!
blogqueéquasediário // témerececomentário
HOMENS NO ISLÃ
Norma, em seu comentário, você chamou minha atenção para o grande número de homens que pertencem ao Islã, ao contrário das religiões nossas conhecidas, em que se vêem muito mais mulheres do que homens nas igrejas. Você tem toda razão, é mesmo grande o número de homens nas mesquitas, mas eu não saberia dizer a razão disso. Posso tentar inferir, a partir do que tenho visto, lido e ouvido.
Trata-se de uma sociedade machista, em que os homens dão pouco espaço às mulheres para aparecer. Eu sei que no tempo do Xá do Irã havia uma grande liberdade de movimentos e de expressão no país; e li também que o Afeganistão conheceu tempos muito melhores, quando as mulheres saíam às ruas, estudavam nas universidades e lecionavam em escolas -- coisas que foram proibidas com os Talebãs e não se normalizaram, nas mãos da Aliança do Norte.
Eu assisti a um documentário passado no Iraque e foi puro documento masculino/machista, pois o câmera só entrevistava homens -- e as poucas mulheres que apareceram se viam ao fundo, andando na rua ou trabalhando em frente às casas. Quando mostrava as mesquitas, só se viam os homens rezando.
Eu sei que, na mesquita, é proibido as mulheres rezarem junto com os homens. Eles estão sempre na parte da frente e elas, meio que escondidas, separadas, na parte de trás. Sei também que em alguns países muçulmanos está havendo um grande esforço por parte das mulheres em dar as cartas -- e mesmo no Afeganistão há uma organização feminina, poderosa, com duas mil mulheres e o apoio das feministas, jornalistas e escritoras, de fora do país. Porém, a discriminação é grande.
Posteriormente, você agregou a informação de que, mesmo em termos de fora das mesquitas, a religiosidade masculina do Islã é muito forte. E aqui me ocorreu que talvez seja porque o Islã não é apenas uma religião, mas um modo de vida. Como a submissão a Alá deu aos árabes um desenvolvimento militar e político fantástico, expandindo-se o Islã rapidamente pelas regiões vizinhas, já durante o primeiro século de existência; e tendo em vista que o Islã atinge a vida toda dos indivíduos, tendo ditado as leis e os costumes vigentes entre as populações, faz sentido que a figura masculina tenha grande destaque nesse sistema religioso-político-econômico-militar-cultural.
Obrigada pelas reflexões e um abraço,
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
Alberto está relatando suas experiências profissionais junto a empresas e grupos de empregados, durante seus muitos anos de trabalho. Neste artigo, ele dá seqüência à síntese das descobertas mais importantes de sua carreira ao longo desses anos – e destaca hoje a importância das emoções.
As emoções são reais, acompanham todos os pensamentos e ações do ser humano e influem freqüentemente neles. Não se pode separar a emoção do pensamento, como se fossem etapas diferentes de um processo. A pessoa pensa e sente, reage, tem uma idéia, se emociona, continua pensando, tudo parte do mesmo processo. Em minha vivência, ao lado de homens e mulheres, presenciei grandes transformações de atitude naqueles que compreenderam como se dá o funcionamento das emoções. A ansiedade exacerbada pode atrapalhar um bom raciocínio, a impulsividade não controlada pode, às vezes, ter um mau efeito, percepções incorretas de si mesmo podem conduzir a ações e resultados desagradáveis, grandes medos geralmente paralisam a ação, além de que o corpo acaba mostrando as caretas, as ironias sussurradas, que pensamos estar escondendo -- tudo isso tem a ver com o campo das emoções e as relações interpessoais.
Os gerentes têm, geralmente, grande responsabilidade nesse processo de se lidar adequadamente com as emoções, facilitando ou dificultando sua expressão por parte de seus subordinados. É comum as pessoas se preservarem e guardarem demais para si aqueles sentimentos que atrapalham, como o de se sentirem rejeitadas ou sentirem que estão rejeitando o outro, uma raiva que assomou pelo que o outro disse, uma baixa auto-estima reforçada pela colega, arranhões que se trocam nos corredores..., sentimentos que, se expressados quando ainda no início, poderiam evitar o crescimento do mal-estar e a transformação do esbarrão em ferida. Costumo dizer que as faíscas às vezes estão tão presentes que, se alguém acender um fósforo, pode pegar fogo.
Isso tem a ver com as emoções, os sentimentos, o afeto. Negar determinados sentimentos, fazer de conta que não se está sentindo nada quando a dor foi aguda, desabafar junto a um terceiro que não teve a ver com isso, geralmente só fazem protelar o processo de cura. Quando, pelo contrário, há um clima acolhedor e se consegue pôr para fora o que se está sentindo, mesmo que haja um pouco de choro de ambas as partes, é comum sair o ressentimento por uma porta, o perdão entrar por outra -- e as pessoas até se esquecerem de que aquele incidente ocorreu um dia.
Espero que a teoria da Administração esteja revendo com carinho esse capítulo de sua história, deixando de negar a existência das emoções no ser humano, principalmente naqueles que trabalham o dia todo juntos, tecendo relações interpessoais na maior parte do tempo.
Na próxima segunda-feira, novas informações sobre as Relações Interpessoais. Venha comigo!
blogqueéquasediário // témerececomentário
Oi, pessoal,
A idéia de pedir aos amigos e parentes que me dessem de presente um comentário no blog foi muito boa. Valeu! Houve uma profusão de comentários, sugestões, perguntas, que aumentaram minha motivação e renovaram o prazer de dialogar com vocês.
Celua Carvalho gostou do tema das Relações Interpessoais, meu carro-chefe, e comenta a respeito da imposição de idéias e valores de algumas pessoas em relação a outras, principalmente quando isso se faz na forma de leis. Realmente, acho que, no terreno das relações interpessoais, não deveríamos forçar nada. A importância de se enfatizar o tema das relações interpessoais está no fato de nos sensibilizar para perceber melhor o que se passa conosco e à nossa volta, a maneira como abordamos as pessoas, como nos comportamentos em pequenos grupos, como acolhemos a fala do outro, as caretas e os trejeitos de nosso corpo, rejeitando o que o outro está falando, sem que nos percebamos disso -- ou a forma como interrompemos o outro, que não acabou de falar, mas que também não tem importância porque não estávamos mesmo ouvindo. O inconsciente é o porão de nossa casa, essa grande área que guarda tanto ressentimento, tanta frustração, tanto ódio, tanta mágoa. Então, quanto mais consciência tomarmos de nossos valores, crenças, jeito de ser, sentimentos, idéias, normas de conduta, melhor para nós, para nossas relações com os outros, para nosso comportamento em reuniões e grupos pequenos.
Já no terreno das leis, acho que é diferente. Mesmo reconhecendo que há leis injustas, leis feitas exclusivamente para beneficiar uma minoria, leis feitas apenas para inglês ver, como se diz na gíria, há aquelas que visam a beneficiar uma maioria da população. E acho que, para acelerar um processo de modificação de comportamento, você às vezes precisa de uma imposição legal para conseguir. Gosto, por exemplo, da lei que determina uma cota X de candidatas do sexo feminino nos partidos políticos, no Brasil. Acho que é uma forma de se acelerar um processo que, sem uma imposição de fora, poderia demorar muitos anos para acontecer.
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
Oi, Heliane,
Muito interessantes seus comentários. Eu também não sei muito sobre o salafismo, mas estou esbarrando nele, cada vez que vou estudar as origens do fundamentalismo muçulmano. E é de se notar que ele influencia todo o povo da Arábia Saudita. Da briga entre os sunitas e os xiitas eu entendo melhor, pois ela se encontra bem perto do ponto zero do Islã, pois teve a ver com a escolha dos sucessores de Maomé, no tempo em que seus parentes próximos eram vivos. Mas, com o passar dos tempos, um pouco de ódio foi-se agregando, de ambos os lados, e a tradição acabou endurecendo as facções, em vez de aproximá-las e ajudar a resolver os conflitos. É uma pena. Matam-se até hoje entre si, como no Iraque, por exemplo.
Um abraço,
blogqueéquasediário // témerececomentário
|
|
||||
|
||||
|
||||