De acordo com a Wikipedia, um site bem conhecido da Internet, o salafismo – palavra árabe que significa literalmente predecessores ou primeiras gerações – é um movimento reformista muçulmano surgido no Egito, em fins do século XIX, sob a onda do renascimento cultural árabe. Seu objetivo era reformar a doutrina islâmica para adaptá-la aos novos tempos. É produto do intenso contato que se produz entre os mundos muçulmano e ocidental e pretende encontrar um caminho de modernização especificamente islâmica.
Os salafistas demonstram sua vontade de buscar na doutrina original da fé os elementos para a reforma do Islã, recusando, em maior ou menor medida, a tradição islâmica posterior. Sob esse aspecto, o salafismo é precursor dos movimentos posteriores chamados de islamistas, embora esses tenham um caráter mais especificamente político e tenham evoluído às vezes até em posições opostas às dos salafistas.
Há também os wahhabies, um movimento ligado à dinastia dos Saud e cuja doutrina é oficial na Arábia Saudita atual, que também se chamam de salafistas. A coincidência da denominação se deve à etimologia da palavra, já que os wahhabies também pretendem remeter-se ao Islã dos primeiros tempos, mas não têm relação alguma com as doutrinas citadas acima.
Em outro site da wikipedia, se diz que o wahhabismo é uma subseita religiosa fundamentalista muçulmana da corrente majoritária do sunismo e, em especial, da escola hanbali. Criada pelo reformador religioso Muhammad Ibn Abd Al-Wahhab, que viveu no século XVIII, seu auge se deveu ao relacionamento com a dinastia Al-Saud e ao apoio que se deram mutuamente. É a forma religiosa do Islã que tem mais influência sobre os muçulmanos sunitas da Arábia Saudita, que lá são a maioria. A teologia wahhabi é puritana e legalista, em matérias de fé e práticas religiosas.
Essas definições nos dão uma idéia de como o Islã se subdividiu em ramos, ao longo desses séculos, com metas às vezes semelhantes, às vezes, diferente, umas organizações mais rígidas do que outras. Se bem é verdade que as demais religiões monoteístas também se subdividiram, o que chama nossa atenção no caso dos muçulmanos é a capacidade de influência que tiveram e ainda têm sobre os povos algumas figuras de destaque, como Muhammad ibn Abd Al-Wahhab, citado acima, Muhammad Abduh e Yamal ad-Din al_Afgani, ligados ao salafismo, Sayyd Qutb e Ayman al-Zawahiri, no Egito do pós-guerra, e Khomeini, no Irã, só para citar alguns. Homens geralmente devotos, acreditando que é a falta de fé em Deus que está deixando o mundo desse jeito, cônscios da verdade e desprezando o diálogo, com o ideal máximo de conversão dos infiéis. Esse endurecimento de coração, aliado à aceitação das armas, tem concorrido enormemente para a instalação do fundamentalismo religioso.
Na próxima sexta-feira, mais sobre o fundamentalismo religioso. Venha comigo!
Oi, turma,
Enquanto a Heliane me cumprimenta e se expressa a respeito do fanatismo religioso e do que se passa no Irã, César de Lofiego me brinda com uma quadrinha, fazendo votos de que minha lavoura cresça, floresça e se multiplique. Muito bom, muito gostoso. Fico contente com essas expressões de afeto que, embora ocorram ao longo do ano, vêm em dose maior no dia do aniversário -- e isso é muito bom.
O dia está quase chegando ao final, já anoiteceu, e não consegui publicar até agora um artigo sobre o fundamentalismo religioso, meu tema básico de sexta-feira. Mas, com um pouco de esforço, chegarei lá ainda hoje. É que a tarde esteve um tanto tumultuada, falando ao telefone com pessoas que há tempos eu não via, nem ouvia a voz. Decididamente, é muito bom fazer anos e haver um dia que seja da gente, bem da gente!
Obrigada,
quebomvocêestarcomagente // euadoreiseupresente
Oi, turma,
Estou muito satisfeita com o volume e a qualidade dos comentários que encontrei no meu blog. É verdade que estou fazendo anos e pedi de presente comentários no blog. Mas isso não tira o mérito do carinho e da qualidade dos comentários recebidos. O Renato Amorim é exceção, pois está comentando bastante e não sabia que era meu aniversário.
Dulce, Célia, Yara, Violeta, Renato, Toni, Giovana, Beth Fadel, todos eles pessoas a quem quero muito bem, me brindando com muito carinho. Obrigada.
Dulce querida, respeito seu ponto de vista, mas discordo. Acho que o 11 de setembro será apontado, no futuro, como o início da derrocada do império, cujo fim já distingo ao longe. Pois, embora seja possível que os democratas invadam a Casa Branca, no próximo ano, em minha opinião, há questões básicas de manutenção e sobrevivência do império contra as quais eles não podem ir contra, nem que queiram. Porque tudo isso faz parte do sistema.
Violeta e Renato, vocês perguntam por que não pesquiso matérias sobre o que acontece no Brasil. É que o blog nasceu de um desejo de compartilhar com vocês, leitores, um pouco do que eu estava lendo em jornais, Internet, revistas e livros -- e meus interesses atualmente estão voltados para o que acontece nos Estados Unidos, no Irã, no Iraque e na Palestina, temas que me abalaram e abalaram o mundo após o 11 de setembro. E, como exceção, estou publicando, em capítulos resumidos, o primeiro livro que escrevi, mas não publiquei, sobre as Relações Interpessoais.
É isso aí. Ainda hoje, 6a. feira, publicarei um artigo sobre o Fundamentalismo Religioso.
Um grande abraço,
quebomqueestácomagente // eatémedáumpresente
Há tantos assuntos sobre a Era Bush que eu gostaria de enfocar que praticamente me perco. A mídia é pródiga em manchetes e artigos, falando sobre todas as mazelas que os Estados Unidos vêm enfrentando – ou dos pontos em que eles saem vencedores, of course.
A empresa Blackwater. Há várias firmas de segurança privada no Iraque, norte-americanas, britânicas, canadenses – mas o tiroteio em que se envolveu recentemente a norte-americana Blackwater, narrado pelo jornal Der Spiegel e divulgado na Internet pelo UOL, em 25 de setembro passado, é de causar muita raiva. Após meia hora de tiroteio, entre aquela empresa e os que trafegavam de carro pela rua, pelo menos onze pessoas (ou teriam sido vinte?) estavam mortas nas ruas e em seus carros. A notícia diz que a Blackwater usa uma estratégia de alta visibilidade e que a atitude agressiva de seus homens lhes deu o apelido de “monstros da testosterona”. E, apesar de uma declaração do governo iraquiano, em alto e bom tom, de que iria tirar do país as empresas de segurança privada, todo mundo sabe que isso é impossível.
A retirada das tropas. Há uma grande discussão a respeito de retirar ou não as tropas norte-americanas do Iraque. O primeiro-ministro britânico, Brown, já avisou que irá mandar de volta para casa no ano que vem cerca de dois mil e quinhentos soldados, que são a metade do contingente militar que mantém no Iraque. E Hillary Clinton, uma dentre os candidatos à Casa Branca, no próximo ano, também disse que deverá retirar grande número de soldados daquele país. Há prós e contras nessa decisão. Embora haja muita gente querendo que a guerra chegue ao fim e os soldados norte-americanos possam livrar-se dessa, há quem pondere que a confusão que já existe hoje no Iraque seria triplicada, movida pela desordem e pela sensação de “casa-de-ninguém”.
A questão da tortura. A Folha de ontem comenta, no Editorial, que pode-se ler a atribuição do Prêmio Nobel a Al Gore como uma demonstração, mais uma vez, de má vontade dos responsáveis pelos prêmios em relação a W. Bush. Em 2002, ele assistiu à indicação do ex-presidente Jimmy Carter, severo crítico da atual gestão, e a segunda foi em 2005, quando foram agraciados a Agência Internacional de Energia Atômica e seu chefe, Mohamed El Baradei. Mas pode-se, também, fazer outra leitura: o presidente está deixando de ser importante e Al Gore e o IPCC mereceram o prêmio. Assim, apesar de W. Bush, a mudança climática entra definitivamente na agenda mundial.
Mas o mais sério de tudo me pareceu a reportagem de capa da Carta Capital, de 17 de outubro do corrente, chamada “Império com pés de barro”. Ali se diz que David M. Walker, controlador-geral dos Estados Unidos, compara o império norte-americano ao romano, que caiu por várias razões, entre elas o declínio dos valores morais e políticos, o excesso de confiança, a ostensiva invasão de terras estrangeiras e a irresponsabilidade fiscal do governo.
Na próxima quarta-feira, novas reflexões e informações sobre a Era Bush. Venha comigo!
blogqueéquasediário // témerececomentário
Uma das coisas que aprendi e que muito me influenciaram foi a constatação de como os processos de socialização e de individuação se complementam, ao longo da vida. Cada indivíduo constrói sua personalidade, que é única, diferente de qualquer outra no planeta. Embora a matéria-prima da construção dos seres humanos seja a mesma – o caldo cultural em que são todos mergulhados –, o resultado final é um processo individual, com rosto próprio, fruto da transformação de cada pessoa do material que recebeu, de suas vivências e de sua elaboração interior. Então, é como se um processo se construísse dentro do outro, de modo interdependente: a pessoa torna-se única no todo, a pessoa torna-se o todo, sendo única. E essa massa sociocultural de que são feitas, fruto da interação do patrimônio genético com o acervo cultural – acaba deixando perceber duas faces: a individual e a social.
Significa, então, que cada pessoa é feita de grupos, por grupos, que carrega os grupos e sua influência consigo para qualquer lado que se vire. Porém, numa ideologia cheia de valores individualistas, de visões de mundo e de homem à base do self made man, como se cada qual fosse mesmo dono de seu próprio destino, como se querer fosse poder, é muito mais fácil iludir-se com a figura do eu do que efetivamente promover uma vida com o predomínio do nós. Fazer essa distinção é fundamental, caso se queira compreender a realidade em que se vive. São efetivamente dois planos de pensamento, de ação, de idealização, de realidade social. Quem não enxerga essa diferença passa a vida confundindo um plano com o outro. A maneira mais fácil de se ver o plano social é situar cada fato no contexto em que ele se dá: histórico, político, geográfico, econômico, cultural, social, religioso.
Quer um exemplo de diferenças entre esses dois planos? É comum a empresa incentivar seus empregados a promoverem o autodesenvolvimento. Moças e rapazes, então, esforçam-se para progredir nos estudos e na vida profissional, chegando a dormir apenas cinco horas por noite, pois trabalham durante o dia e à noite vão para a Faculdade ou cuidam das crianças. Por conta própria, estudam inglês e informática. Esse é o campo da visão individual. Mas isso, por si só, não basta. Estudar é muito bom, mas não leva, incondicional e necessariamente, ao sucesso perseguido, porque as empresas estão inseridas num contexto geográfico, político e econômico que, por sua vez, se prende a um mundo globalizado, de quem recebem as diretrizes; porque há um contexto sociocultural mais amplo e mais poderoso, que afeta profundamente as vidas desses jovens esforçados; porque há os condicionamentos sociais, restringindo a ação dos indivíduos, provando-lhes que querer não é poder. O empenho individual pode, excepcionalmente, fazer uma ou outra pessoa chegar ao alvo, mas isso é circunstancial e não pode ser tomado como regra para todo um grupo de jovens que deseje crescer.
Na próxima 2ª. feira, mais informações a respeito das relações interpessoais. Venha comigo!
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
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