FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO

O Le Monde, em 31 de julho passado, trouxe um artigo a respeito do Iraque, cuja manchete foi: “Para os grupos salafistas, o Iraque é uma terra impura que precisa ser purgada”.

 

Quem são os salafistas?  Consultando a Internet, a gente encontra uma série de matérias relativas aos salafistas, que são grupos religiosos pertencentes às tradições do Islã.  Nesse artigo do Le Monde, o diretor de estudos na Escola Prática de Altos-Estudos da Sorbonne, Mohammad Ali Amir-Moezzi, passa em revista as divergências culturais e religiosas fundamentais das quais são oriundos os grandes conflitos que dilaceram  atualmente países do Oriente Médio, como o Irã e o Iraque.  Há um passado de violência no Islã, de massacres, tanto de xiitas pelos sunitas como de sunitas, pelos xiitas.  E há a influência do salafismo mortífero, que se reclama do wahhabismo, um sunismo puro e duro, que é uma religião de Estado na Arábia Saudita, e para o qual os xiitas não passam de heréticos.  Os movimentos salafistas e as redes da Al-Qaeda estimam que o Iraque, um país onde os xiitas são amplamente majoritários, é uma terra impura que é preciso purgar sem concessões, nem clemência.  E, continua ele, o xiismo nasceu dentro de um contexto de guerras fratricidas, mas não cultiva nenhum gosto em particular pela morte.  Ele foi pulverizado em múltiplas seitas -- uma centena, durante os primeiros séculos do Islã.  Essas rebeliões foram pretextos para massacres em grande escala.  Sem demora, os xiitas passaram a considerar a si mesmos como uma minoria de eleitos perseguidos.

 

O diretor Mohammad dá mais explicações: O Irã era majoritariamente sunita mas, sob a influência de mudanças de caráter político e religioso que se deram no século X, quando os xiitas dominavam o Islã; e tendo em vista que a dinastia dos Safávidas assumiu o poder no Irã, no século XVI, o país converteu-se em maioria xiita.  Frente aos turcos otomanos, em 1501, o Irã declarou o xiismo como a religião do Estado, fez do persa a língua oficial e criou um clero de Estado, composto por juristas e teólogos.  Um clero que se tornará cada vez mais poderoso.

 

Abdelwahab Meddeb, professor de Literatura Comparada, na Universidade de Paris X – Nanterre, escreveu um livro que foi publicado no Brasil pela Editora UFMG, em Belo Horizonte, em 2003, intitulado A Doença do Islã.   Nele, o autor relata o quanto o Islã tem sido influenciado por diferentes correntes de pensamento, algumas delas, como o wahhabismo, marcadas por pensamentos rígidos e intolerantes.  É sob a luz dessas influências que se pode estudar o salafismo, que, por sua vez, influencia ações fundamentalistas.

 

Na próxima sexta-feira, mais informações sobre o salafismo.  Venha comigo!

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A ERA BUSH

O New York Times trouxe, na semana passada, um novo artigo sobre a questão da tortura de presos políticos, nos Estados Unidos.  O assunto não é novo, mas volta e meia ele torna às manchetes, devido a seu alto teor explosivo. De acordo com a terceira Convenção de Genebra, escrita em 1929, os prisioneiros de guerra têm o direito de ser tratados humanamente, sendo proibidos a tortura e quaisquer atos de pressão física ou psicológica.  Têm direito à satisfação das necessidades básicas de higiene e de alimentação, além do direito de terem sua religião respeitada. É reconhecido como prisioneiro de guerra todo combatente capturado: um soldado do exército, um membro de uma milícia ou até mesmo um civil, como os resistentes.  Ditas deliberações devem ser acatadas pelo mundo todo e é difícil que sejam explícita e publicamente contrariadas, mas é certo que os Estados Unidos têm utilizado métodos próprios no tratamento de seus prisioneiros de guerra. É comum aparecerem artigos relativos a Guantánamo, em Cuba, e à prisão de Abu-Ghraib, no Iraque.

 

A baía de Guantánamo fica localizada no sul da ilha de Cuba e foi concedida aos Estados Unidos como estação naval, em 1903, em troca do pagamento de dois mil dólares por ano.  É aí, numa ilha desabitada, Navassa, situada entre a Jamaica e o Haiti, que se encontra a base naval americana – e é nela que estão detidos os prisioneiros das guerras do Afeganistão e do Iraque.  A wikipedia, que me fornece essa notícia, pela Internet, dá conta de que Fidel Castro tentou em vão desfazer essa concessão, sem sucesso – e que em sinal de protesto não utiliza esse pagamento du aluguel. “A manutenção da base de Guantánamo não encontra amparo em nenhuma convenção internacional e, por isso, não há como fiscalizar o que acontece em seu interior.  Os presos muitas vezes não possuem direito a advogados, visitas ou sequer a um julgamento.  Há denúncias de tortura”.

 

O artigo do New York Times, a que me referia, relata que, às escondidas, os Estados Unidos permitiram, a partir de 2005 e com o apoio do então Procurador-geral da Justiça, Alberto R. Gonzales, que os indivíduos suspeitos de serem terroristas fossem tratados por meio de uma combinação de táticas físicas e psicológicas dolorosas, bem distantes do tratamento proposto pela Convenção de Genebra.  Os pareceres sigilosos, nunca antes revelados, são um legado secreto do segundo mandato do presidente W. Bush e da administração de Gonzales no Departamento de Justiça. O Congresso e a Suprema Corte dos Estados Unidos intervieram repetidamente nos últimos dois anos, com o objetivo de impor limites para os interrogatórios, e o governo respondeu de forma política, abandonando algumas das técnicas mais violentas.  Mas os memorandos que se conhecem hoje revelam como a Casa Branca conseguiu preservar a maior margem possível de manobras legais para aplicar as táticas mais brutais.

Gonzales deixou o cargo, em setembro de 2007, tendo sido substituído por Michael Mukasey.  Mas, de novo, é uma questão de homens ou de sistema?

 

Na próxima 2ª. feira, novas informações sobre a Era Bush. Venha comigo!

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RELAÇÕES INTERPESSOAIS

Alberto vem relatando suas experiências profissionais há vários meses neste Blog, em capítulos sintetizados, extraídos de um livro que se intitula “Como as Relações Interpessoais Afetam o Desempenho”, mas agora seu relato está quase chegando ao fim.  Hoje, ele repassa os pontos que mais chamaram sua atenção, ao longo desses quase quarenta anos de vida profissional.

 

Recapitulando tudo o que vivi, as experiências pelas quais passei e o tanto que aprendi, destacaria aqui os seguintes tópicos que mais me chamaram a atenção:

v                        a importância do trabalho em grupo;

v                         processos que se interligam;
v                        a realidade das emoções;

v                        a reformulação de meu eu interior.

 

 O trabalho em grupo exerceu uma grande influência em minha vida, tanto nas relações interpessoais familiares e de amizade, quanto nas organizações em que trabalhei. De grande valia, deu-me as ferramentas de trabalho.  Foi tamanha sua importância que não hesito em propor aos colegas integrantes das equipes de RH que formem grupos e vivam em grupos, em seus ambientes de trabalho. O produto do grupo não é o somatório dos esforços de cada um, mas um resultado original, que só se cria e se molda nas relações em grupo. E, justamente porque é vantajoso e difícil, vale a pena passar por um treinamento.

 

Mas nem só de vantagens vive o trabalho em grupo e as empresas têm motivos para não querer implantá-lo. A prática mostra as dificuldades de se pôr uma equipe em ação, produzir, manter um clima gostoso de trabalho e o grupo se manter vivo. Sobrepujar o clima de competição é uma tarefa gigantesca, porém, quando o grupo se auto-regula e começa a produzir corretamente, torna-se poderoso e isso pode não ser interessante para a organização.  Outros motivos que dificultam o trabalho em grupo são:

  • o individualismo como um valor;
  • dificuldade de administração do processo;
  • currículos incompletos nos cursos superiores;
  • dificuldade em lidar com conflitos; 
  • medo de crescimento dos subordinados; 
  •  delegar pode parecer perda de poder;
  • deve ser difícil lidar com empregados poderosos;
  •  democratizar informações pode não ser conveniente;
  • mandar é mais fácil do que dialogar.

 

Na próxima segunda-feira, novas informações e reflexões sobre as relações interpessoais.

margamourablogadora // rimatambémcomescritora

COMENTÁRIOS

Na semana que passou, dois comentários de amigos. 

Oi, Renato.  Você tem toda razão.  É muito ruim haver um país, como os Estados Unidos, com supremacia sobre os demais, dizendo que quer salvar o mundo, quando há nitidamente uma série de interesses por detrás -- e sempre de minorias.  Mas, como você pode ver ao longo da História, esse tipo de predomínio sempre houve.  Mudam os nomes dos países, das nações, dos dominadores e das lideranças políticas e econômicas, mas parece que a situação de subordinados e de liderados dificilmente mudará.

Toni, é bom vê-lo de volta ao Blog.  Sim, se a prevenção dos acidentes do trabalho se fizesse nas empresas com o carinho que todos merecem, não haveria necessidade nem de SIPAT, nem de SIPAT Renovada.  Infelizmente, nossa realidade ainda é de muito descuido, muita desinformação sobre a matéria e, conseqüentemente, muitos acidentes do trabalho por dia, por mês, por ano.

Obrigada pela participação de vocês e um grande abraço,

margamourablogadora // rimatambémcomescritora




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