FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO

 

São fundamentalistas todos aqueles que, nos dias de hoje, querem retroceder a uma época sem modernidade (não confundir com modernismos) e voltar às origens, na esperança de que, despertados e reanimados por uma nova fé, os seres humanos possam ser melhores, mais éticos, mais amorosos e, por conseguinte, mais felizes.  É a falta de confiança em Deus, é o afastamento de Deus, é a vida desregrada que leva nossa juventude... e vão por aí afora os pensamentos de desolação dos fundamentalistas em relação às populações que desfrutam de todos os sinais de modernidade, tecnologia, conforto, o máximo que podem.

 

Alguns pontos interessantes nessa pregação fundamentalista, sobre os quais poderíamos refletir: de que Deus se trata, quando essas pessoas religiosas querem que homens e mulheres dele se aproximem? Para encontrar o quê, no seio de Deus, se esses anos todos e décadas e séculos não têm sido suficientes para abrir a cabeça dos governantes, para permitir que a imensa população que vive na terra encontrasse paz, conforto, moradia, comida para se alimentar, agasalho para vestir?  Que tipo de proteção e amparo Deus tem concedido, nesse sentido?  E de que Deus estamos falando?

 

De que Deus trata essa pregação fundamentalista, quando se sabe que, em países onde há muçulmanos, como o Paquistão, entre outros, se preparam as crianças e os jovens para assumir a morte pelo suicídio, ensinando-lhes que, ao morrer lutando por uma causa, verão a Deus na eternidade?  Essa violência desses homens-bomba que se arrebentam em praça pública também contém um pedido de retorno à origem, de aproximação de Deus, de desenvolvimento de uma sociedade melhor?  Os palestinos se defendem como podem e alegam que sua luta e as mortes que provocam são apenas em retaliação ao mal que lhes causam os israelenses.  Que se deixarem de lutar serão fatalmente engolidos por eles.  Eu compreendo isso.  Mas esse tipo de retaliação não é, por sua vez, um prolongamento dessa luta sem fim?

 

O fundamentalismo religioso é a pregação daqueles que já enxergaram mais longe e viram a luz.  São os possuidores da verdade.  Em nome de Deus – do que Deus disse um dia, ou do que se escreveu que Deus disse, ou do que se pensa que Deus um dia possa ter dito – eles sabem tudo, o que serve e o que não serve para nós, como é bom proceder-se de tal e tal maneira. São os fundamentalistas, os intolerantes, os que viram a Luz.  Que Deus tenha compaixão deles (mas que Deus?), porque acabam produzindo um mal muito maior do que o mal que eles pensam que existe no mundo.  Credo, cruz!

 

Na próxima 6ª. feira, novas reflexões sobre o fundamentalismo religioso.  Venha comigo!

umblogquasediário // témerececomentário

A ERA BUSH

 

As manchetes dos jornais brasileiros e estrangeiros vivem carregadas de referências ao presidente W. Bush, geralmente num tom de crítica.  Ele parece ser, realmente, o grande vilão da história atual, uma figura fisicamente um tanto quanto apagada, longe de ser um orador brilhante e que, no entanto, tece seus pauzinhos diariamente para imprimir à política e à economia norte-americanas suas próprias decisões – e as do interesse de seus pequenos grupos, of course.

 

Isso nos remete a uma reflexão sobre a figura que governa: numa democracia como a norte-americana e também como a nossa, o presidente, sozinho, é responsável por tudo, ou deveríamos sempre referir-nos a um grupo de pessoas, que são as que geralmente estão no poder?  Por definição, a democracia não seria o governo de uma só pessoa, mas de um conglomerado de pessoas em seus respectivos cargos que, unidas e atuando em conjunto, seriam as responsáveis pelas decisões mais importantes do país.  No entanto, seja porque é mais fácil atribuirmos os erros e os acertos a uma única pessoa, seja porque, de fato, a figura do presidente detém, inegavelmente, uma grande parcela de poder, fala-se de W. Bush como se só ele decidisse, assumisse as responsabilidades, tomasse as decisões e errasse ou acertasse sozinho. 

 

Quando se governa uma nação, quando se gerencia uma cúpula de ministros, assessores, conselheiros ou se entra em contato com deputados e senadores ou em uma reunião com prefeitos, estão sempre presentes as visões de mundo e de ser humano dos dirigentes, suas crenças pessoais e grupais, sentimentos, idéias, visões religiosas, lastro cultural, objetivos educacionais, bem como objetos simbólicos, projeções, imagens, desejos, expectativas, tudo isso numa mescla de fatores que agem em cada pessoa e, por tabela, nos grupos, de modo consciente ou inconsciente, sempre com vistas a fazer valer suas posições, a implantar suas idéias, a parecer mais fortes que seus oponentes.  Em suma, com o intuito de ganhar poder, aumentar seu prestígio pessoal e grupal, lucrar com novos convênios, aumentar suas riquezas, sempre visando ao bem-estar pessoal e de pequenos grupos.  É muito raro que esses subgrupos que governam pensem em primeiro lugar na população, nos que sofrem, nos que não têm renda para pagar os impostos.

 

Há um modo de pensar entre nós, pouco explicitado, mas bastante difundido, de que os republicanos, nos Estados Unidos, são de uma linha mais dura, mais à direita, e de que os democratas são mais light, mais preocupados com o bem-estar da população.  Pode ser mesmo.  Mas não nos iludamos: quando se trata de encarar os interesses que estão em jogo, os dois grupos têm comportamento semelhante. Clinton pode ter sido mais tolerante e nem um pouco fundamentalista, mas ele pertence a um sistema político, econômico, social, geopolítico, cuja causa é preciso defender e do qual não pode escapar. 

 

A era Bush dura mais de seis anos e está difícil de engolir.  Mas, sem dúvida, ele não governa sozinho.

Na próxima quarta-feira, novas reflexões sobre a Era Bush.  Venha comigo!

margamourablogadora // rimatambémcomescritora

RELAÇÕES INTERPESSOAIS
 A SIPAT RENOVADA

 Alberto está relatando suas experiências junto às empresas e grupos de gerentes, em seus muitos anos de vida profissional e na Consultoria de Salomão.  Hoje ele vai contar os preparativos para a implantação de uma SIPAT Renovada.

 

A Segurança e a Medicina do Trabalho são duas áreas importantes de Recursos Humanos, responsáveis pela prevenção de acidentes e doenças profissionais e  melhoria da qualidade de vida. Assessoram a organização da CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, dão atendimento preventivo aos empregados, encaminham-nos para tratamento e colaboram na realização da SIPAT – Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho, uma exigência legal, de responsabilidade da CIPA, realizada uma vez por ano.  Em minhas andanças pelas empresas, sempre me interessei por essas áreas, dadas as inúmeras possibilidades de trabalho que permitem realizar. Quando me tornei Presidente da CIPA, então, resolvi aproveitar a oportunidade com as duas mãos e com muito prazer me dediquei àquela tarefa.

Sabedor da ojeriza que o assunto da segurança desperta entre os trabalhadores, reuni-me com o pessoal da CIPA e alguns colegas de Recursos Humanos e trocamos idéias sobre um plano de ação.  Ao final, tínhamos decidido a realização de várias atividades leves, ao longo das semanas, tentar envolver o maior número possível de empregados e empregadas nas atividades ligadas à segurança, transformar as reuniões de CIPA em verdadeira prevenção e não em sinônimo de acidente e fazer da SIPAT um happening, um acontecimento que ficasse marcado durante anos.

A primeira medida foi mudar o painel da entrada, aquele que diz há quantos dias a empresa está sem acidentes, mediante um concurso de frases. A vencedora foi: Segurança se Constrói, Não se Espera por Ela.  E, com o objetivo de transformar a SIPAT, resolvemos que seria uma semana sem conferencistas de fora, sem os  tradicionais vídeos dos acidentes violentos e sem os indefectíveis pulmões negros de cigarro, conservados no formol.  Seria um evento preparado e realizado pelos próprios empregados da Companhia.

Com alguns meses de antecedência, criamos uma Comissão Organizadora, composta dos Cipeiros, dos Amigos da Cipa e de outros empregados e empregadas que quiseram participar. Aproveitaríamos as reuniões mensais da CIPA e faríamos reuniões-relâmpagos, no horário do almoço, além de fortalecer as decisões entre nós com comunicados escritos.  Era nossa hipótese que, se as diferentes seções da organização se apresentassem e relatassem o trabalho que realizam, os riscos a que se expõem diariamente e como lidam com eles, todos ficariam conhecendo melhor o trabalho dos colegas e, em conseqüência, aprenderiam um pouco mais sobre as tarefas que realizam, os riscos a que estão sujeitos e as respectivas medidas de prevenção.

E como conseguir tamanho envolvimento?

 

Veja, na segunda-feira que vem, os passos que Alberto e sua equipe deram.  Venha comigo!

margamourablogadora // rimatambémcomescritora




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