O blogdamargamoura está fazendo um ano e estamos todos de parabéns. O blog, porque conseguiu cumprir bem sua jornada de doze meses, sem deixar a peteca cair. Você, leitor, porque se beneficiou de informações, relatos, indicações de livros e material para reflexão. E eu, porque adorei o que fiz e continuo fazendo, sem perceber que já se havia passado um ano.
No início, escrevi a esmo, sem uma direção. Depois, Mário me sugeriu que escolhesse um tema, um livro, uma seqüência, e publicasse os artigos
Bem, se escrevo às segundas-feiras com regularidade, que tal começar a fazê-lo também às quartas e sextas? E foi o que fiz, de abril para cá, o que tem sido muito bom, porque aí peguei ritmo de verdade.
Não sei se você, leitor, gosta dos temas que escolhi: Relações Interpessoais, O Afeganistão, Fundamentalismo Religioso e A Era Bush. Alguns os acham sérios demais, com exceção do tema das relações, e outros não vêem muita utilidade neles, já que são ocorrências do outro lado do mundo. Bem, eu discordo. Acho que são acontecimentos diários, debaixo do nosso nariz, aos quais valeria a pena darmos um pouco mais de atenção. Outros, ainda, comentam que escrevo textos longos, que seria bom escrever um pouco menos. Mas não consigo. Quando embalo no tema, vou longe. Acho até que o espaço é curto.
Mas não tem sido um blog de sucesso, isso, não. Faltam os comentários dos leitores. Meus amigos entram no blog, lêem alguns artigos, mas não se animam a deixar aí suas considerações. Precisaria ser um blog mais dinâmico, talvez, com assuntos mais leves, divertidos. Vai melhorar o dia em que eu me animar a relatar, em capítulos, como vejo as Copas do Mundo de Futebol, desde a de 1958: o quanto torci contra o Brasil, em 1978, por exemplo, o quanto me indignei em 1994, com a conquista do tetra, e o quanto gostei da de 2002, na Ásia. Diverti-me muito, em 1998, com a vitória da França, mas sofri muito no Desastre de Sarriá, em 1982. Mas raiva, mesmo, raiva, eu passei em 2006, quando o Brasil entrou em campo sem entrar e deu a festa na bandeja para a França. Fazer o quê?
Um dia vou iniciar A Crônica da Semana, talvez às quintas-feiras. Aí vai ser muito bom, porque poderei escrever sobre tema livre e dar vazão à minha veia de escritoraduradoura. Quando esse dia chegar.
Até lá, vou remando e tocando o barco, do modo como está estruturado. Fechei hoje 1678 visitas ao blog. É um bom começo! Vejamos o que acontecerá nos próximos 12 meses. Obrigada pelo apoio e estímulo que tenho recebido de todos vocês que me acompanham e um grande abraço,
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
Estou de saída para Águas de São Pedro, onde ficarei até o domingo, dia 16. Por isso, estou suspendo os artigos que têm dia marcado.
Desejo a você, leitor, um bom feriado pelo Dia da Pátria e voltaremos a nos encontrar no próximo dia 17, quando retornarei com um novo capítulo do meu livro Como as Relações Interpessoais Afetam o Desempenho.
Até lá e um abraço,
margamoura
umblogquasediário // témerececomentário
Estou lendo o livro American Vertigo, de Bernard-Henri Lévy, publicado pela Companhia das Letras, em 2006. Trata-se de um relato comentado sobre a viagem que Bernard fez aos Estados Unidos, a convite da revista Atlantic Monthly, visando a refazer a viagem que Alexis de Tocqueville havia feito, cento e setenta e três anos atrás, de que resultou sua obra A Democracia na América.
Começa por lamentar-se de não ter descoberto antes Alexis de Tocqueville, esse apóstolo do livre-pensamento e precursor de Hannah Arendt. E, antes de encetar a viagem, pôs-se a estudar tudo o que encontrou sobre o escritor e seu companheiro de viagem, Gustave de Beaumont.
Bernard passa a arrolar os pontos que considera importantes observar nos Estados Unidos: o triunfo da igualdade sobre a liberdade, que no tempo de Tocqueville não estava claro. A ditadura da chamada maioria ou opinião. A pressão do espírito de todos sobre a inteligência de cada um, do espírito do grupo ou da etnia sobre o livre-pensamento dos indivíduos. A transfiguração do individualismo que, quando vai ao fundo de si mesmo, corre o risco de se dissolver numa tirania cujo poder imenso e tutelar tão absoluto fixa as pessoas na infância e acaba por lhes tirar até mesmo o transtorno de pensar – conforme comentários de Tocqueville.
Mas Bernard-Henri vai além dessas indagações e formula perguntas que são próprias de seu tempo. Primeiro, sobre o anti-americanismo: uma coisa é atribuir toda a culpa do que acontece no mundo aos Estados Unidos e outra, diferente, é avaliar no próprio local o corpo e o rosto dos Estados Unidos concretos de hoje – o que, pelo menos, já não será mais imaginário. Em seguida, a questão da Europa: quanto o país terá conservado da cultura européia de suas origens, de seus valores, em sua constituição. E, em terceiro, saber a quantas anda, hoje, essa democracia da qual os norte-americanos sempre se orgulharam e de que querem fazer um exemplo para o mundo. E o autor pincela exemplos do que se ouve dizer: Que os direitos constitucionais têm sido desrespeitados, na luta contra o terrorismo. Que pequenos desajustes, mesmo antes do 11 de setembro, começam a afetar o equilíbrio entre os três poderes. Que está havendo a instalação de minuciosas máquinas de vigilância. Que a imprensa norte-americana passa por uma crise, em que não se sabe o que pesa mais, se a submissão ao lobby do dinheiro ou se a tentação de auto-censura diante das potências da propaganda. Que há um Terceiro Mundo interno, esse câncer da pobreza que assola tantas cidades americanas e que o governo federal não parece ter os meios nem a vontade de enfrentar. Que há uma ofensiva dos valores morais, essa onda neopuritana, esse novo civismo dos ativistas do pensamento correto, dessas milícias da virtude e da ordem, que vêm pregar o fim não da História, mas do mundo e, na perspectiva desse fim, a mobilização geral, o alinhamento dos espíritos e, em suma, a guerra santa interna.
Estou muito curiosa para ver o que Bernard apreendeu, durante sua viagem. Mas uma das coisas que mais me ficaram, de tudo o que li até agora, foi seu apelo ao leitor para que não saia julgando os Estados Unidos a priori, por preconceito ou pelo que ouviu dizer, sem primeiro informar-se, elaborar o que vir, ouvir ou ler, para depois formar seus pontos de vista. E eu concordo com ele!
Às quartas-feiras, mais reflexões sobre a Era Bush. Venha comigo!
margamourablogadora // rimatambémcomescritora
Alberto está relatando suas experiências na Consultoria e hoje vai encerrar o capítulo sobre a Era da Qualidade Total .
Abracei a questão da qualidade total cheio de reservas, pois via nisso mais um modismo, agravado pelo fato de estarmos importando um modelo pronto. Excelência de qualidade, afinal, não era novidade, era obrigação. Os Estados Unidos tinham sido os pioneiros em tudo, até ali. Então, o que havia acontecido com eles? Após a segunda guerra mundial, os norte-americanos intensificaram enormemente os produtos, as fábricas, os escritórios, a prestação de serviços, e tornaram-se definitivamente os mais fortes do mundo. Consolidou-se o processo de admissão das mulheres no mercado de trabalho, o que afetou profundamente as relações de gênero, com as mudanças no desenho dos papéis de homem e mulher, além da invenção da pílula, que redundou na redução da natalidade. A supremacia norte-americana era evidente e mesmo a Europa, com suas grandes empresas, sabia que a liderança no mercado organizacional e econômico era norte-americana. No entanto, duas décadas depois, quando os profissionais dos Estados Unidos olharam para os lados, estavam sendo suplantados.
Os japoneses saíram da Segunda Guerra humilhados e abatidos financeiramente. Mas, nos anos que se seguiram, receberam ajuda dos Estados Unidos para se levantar e acredito que sua tradição cultural, diferente da deles, tenha feito a diferença na hora em que o povo japonês se uniu para reagir. De uma tradição milenar de submissão, estavam habituados a trabalhar em colaboração.Na década de 1970, quando eram eles que viajavam aos Estados Unidos para aprender, era comum que os presidentes japoneses de empresas concorrentes almoçassem juntos e trocassem idéias sobre uma possível colaboração numa determinada área, para ganharem a hegemonia no mercado. Então, os empregados dessas empresas eram orientados pelos gerentes a se aproximarem, trocarem idéias, deixando por ora de lado a competição existente entre eles. Já essa camaradagem, no Brasil, sempre achei difícil de acontecer, dada nossa tradição cultural de forte competição. Era preciso que os gerentes dessem poder a seu pessoal, coisa de que duvidei bastante. Como esperar que o gerente facilite e promova o desenvolvimento de seus subordinados, se na empresa só faltam furar seus olhos para tomar seu lugar? Será que nossos gerentes, que nem sempre têm a formação que gostaríamos, poderiam desenvolver realmente os programas da Qualidade Total? E não digo isso apenas dos gerentes brasileiros. Desconfio que os norte-americanos também sofram desse mal.
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