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Blog da margamoura


AQUILO QUE NÃO SE QUIS CONTAR

 

 


Há um filme em cartaz em São Paulo, O Silêncio do Céu, um filme de Marco Dutra, construído em cima daquilo que as personagens não quiseram contar, uma para a outra.  Isso me trouxe à lembrança a importância da comunicação.

 

Não é tudo que é preciso contar para o outro ou a outra.  O companheiro/companheira desfruta de uma vida a nosso lado, é uma pessoa amiga, solidária, cordial, mas não é tudo o que fazemos e pensamos que é necessário contar para ela.  Deve ter vindo da religião católica e da importância da confissão essa obrigação que se fixou em nossa mente de que era preciso contar ao outro o mal que fizemos, a rata que demos, os escrúpulos que tivemos, o gasto que foi feito quando se tinha concordado que não se gastaria – e assim por diante.

 

Não, há coisas que escondemos porque é preciso, porque irão gerar uma briga desnecessária se relatarmos, porque são de pequena importância ou porque só interessam a nós mesmos.  Porém, há coisas, situações, fatos que valem a pena compartilhar com o outro, com a companheira, com o amigo, sob pena de só agravarmos uma situação que já, em si mesma, parece grave.

 

 

O que nos reprime? O medo da bordoada, do castigo.  Meu esposo ou meus filhos ou aquela grande amiga poderão ficar sem falar mais comigo, se souberem o que fiz.  Meu companheiro poderá abandonar-me, depois disso.  Meu professor me dará uma nota muito baixa.  A justiça poderá vir correndo atrás de mim.

 

Os medos.  As inseguranças.  Os sentimentos de culpa. Os remorsos.  Os desejos de vingança.  Os preconceitos.  As hipocrisias.  Quanta fantasia, quanto mau sentimento, quantos desejos e divagações, imagens, dores de cabeça, se escondem atrás do mal-feito.  No entanto, mesmo assim, seria necessário juntar forças e contar.

 

Num clima de afeto e acolhimento, a desgraça será sempre menor.  As pessoas que ouvem o relato estarão mais propensas a ouvir, entender e perdoar do que numa situação em que as relações já estavam tensas e provavelmente irão piorar.  Quando não há aceitação entre as pessoas, é muito mais difícil haver acolhida positiva do mal-feito.  No entanto, com habilidade, jeito, ternura, pode até ser que se consiga que a pessoa ou o grupo de pessoas acabe por entender por que foi que aquilo aconteceu, quais eram as intenções que estavam por detrás de tal ato, porque não foi contado antes.

 

Por mais duro que seja, mesmo correndo o risco de perder a companheira ou os amigos ou os colegas ou os parentes, lida-se melhor com uma situação relatada com honestidade do que com o objeto escondido, com as inúmeras fantasias nossas e dos outros sobre o que aconteceu, podendo-se, sempre, remediar o que sobrou do ocorrido, em vez de passar-se a vida lidando com fantasmas.

 

Conte, mas sem mentiras, sem dar voltas, sem calúnias, sem envolver outras pessoas que não tiveram nada com isso.  Conte, se houver arrependimento real e desejo intenso de não deixar acontecer de novo.  Caso contrário, não conte e siga sempre adiante, com seus devaneios, delírios, fantasias e mentiras.  Um dia... quem sabe?

 

Estarei de volta na próxima quarta-feira.  Venha comigo!

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Escrito por margamoura às 11h34
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DA BERLIM DE ONTEM E DE HOJE

 

 


Interessada em escrever sobre Berlim, continuo lendo livros incríveis e me informando sobre essa cidade maravilhosa, que desabrochou no século XIX quando, já capital da Prússia, tornou-se também a capital do Reich alemão, símbolo da unificação da Alemanha, que se deu em 1871.

 

Ainda ontem à tarde eu lia, da estante da livraria, dois capítulos iniciais do livro “O Estado Popular de Hitler”, publicado no Brasil pela Texto Editores, em 2009, em que o autor Götz Aly parece particularmente interessado em saber como se deu na Alemanha tudo aquilo que a gente sabe que aconteceu no século XX.  Essa perplexidade não tem sido explicitada apenas por ele.  Inúmeros historiadores, cientistas, escritores, professores e jornalistas têm feito essa pergunta e especulam sobre as possíveis respostas, como aquele cubo mágico que a gente retorcia nas mãos durante horas, tentando decifrar seus códigos, sem resultado.

 

Ao refletir sobre as diferentes formas como o governo nazista lidou com a falta de dinheiro, de bens materiais, de suprimentos para matar a fome e de recursos para continuar a produzir armamentos, o autor defende que Hitler, em determinados momentos, priorizou o bem-estar dos pobres e das famílias dos que guerreavam, prejudicando as demais classes sociais. E dirá, também, que os nazistas tiraram de fora para dar para os seus, de dentro.  Há uma frase em que alguém teria dito: “Podem passar fome os dos outros países, mas os nossos, não”.

 

E o curioso é que justamente ontem, pela manhã, eu tinha visto as inúmeras fotos da Berlim de hoje, postadas por André Felipe em “Álbum de Viagem”, no jornal de Turismo da Folha de São Paulo.  E lá está ela, a Berlim revigorada, do século XXI, com suas marcas do passado e seus símbolos do presente, o portão de Brandenburgo à noite, a ponte belíssima, em estilo neogótico sobre o rio Spree, a Ilha dos Museus e a belíssima catedral berlinense, entre outros.  Uma cidade que se debateu muito contra seu destino ingrato, mas que o venceu, demonstrando que ela era mais forte do que ele.  E, como diz o articulista, os que chegam hoje para visitar a cidade não querem ver apenas seu modernismo, mas conhecer seus pontos históricos e ver de perto as marcas do que a estigmatizou tanto durante as décadas do século XX.

 

Assim é Berlim.  O livro que comecei a ler vai demorar para acabar.  Mas, sem dúvida, é muito rico aprender com ele.

 

Estarei de volta na próxima segunda-feira.  Venha comigo!

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Escrito por margamoura às 16h41
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DA PINTURA DE PORTINARI

 

 


Cândido Portinari, um dos mais importantes artistas brasileiros, nasceu em Brodowski, no Estado de São Paulo, em 29 de dezembro de 2003 e faleceu no Rio de Janeiro, em 1962.  Pintou bastante, quadros pequenos e grandes murais, e teve seu foco principalmente na retratação da vida rural do povo brasileiro.  Em relação ao cultivo do café estão suas melhores obras e o que se diz, nesta exposição de seus trabalhos que se encontra no MASP, Museu de Arte de São Paulo, na avenida Paulista, é que seu pai havia trabalhado em fazendas de café – daí a convivência do artista com o tema desde criança.

 

A exposição reúne diferentes representações de temas populares, recorrentes na obra de Portinari, ao longo das décadas.  Nos quadros ali expostos podemos ver trabalhadores de milho, cana de açúcar e café, favelas do Rio de Janeiro, mulheres trabalhando, o cangaceiro, a baiana, o índio Carajá e, o que parece ser o melhor da exposição, sua tela Retirante, de 1944, uma família pobre que carrega nos braços um bebê cadavérico e onde se veem crianças e um ancião bastante magros e passando fome.

 

A pintura de Portinari tem traços firmes e suas figuras humanas são, em sua maioria, pessoas grandes e fortes, o que nos faz lembrar a arte de Fernando Botero, um figurativista colombiano, só que trinta anos mais novo do que o autor paulista.

Quem não conhece as obras de Portinari deve ir até o MASP para ver uma parte de seus trabalhos.  Haveria muito mais, porém, foi o que a exposição “Portinari Popular”, que começou em 12 de agosto e irá até 15 de novembro de 2016, pôde reunir.

 

Está de parabéns o Museu por trazer sempre obras importantes de artistas brasileiros consagrados para a visitação pública.

 

 

Estarei de volta na próxima sexta-feira.  Venha comigo!

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Escrito por margamoura às 13h12
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