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Blog da margamoura


A PAIXÃO QUE CEGA

 

 


É interessante esta palavra paixão.  Ela dá margem a vários significados, em contextos diferentes.  É mais comum pensar em duas pessoas que se amam e pensam que não podem viver uma sem a outra.  É muito simples: se podem, juntam os trapinhos e vão viver sua história de amor.  Porém, costuma ser mais difícil: uma delas está comprometida com outra pessoa, quando esse novo amor entra em sua vida.  É paixão – e paixão não se explica.  É amor, é união, é vontade de estar junto, é a troca de beijos abalados, é o suor frio pelo corpo.  Paixão não se explica.  Ela é.  Ela nasce de repente e se instala.  Fico surdo e mudo, não penso em mais nada. O olhar fica enevoado, a vida perde o encanto que tinha antes, agora é o amor que surgiu em minha vida, é o desejo exasperado, não sei o que se passa comigo.  É a paixão. 

 

Mas ela não precisa surgir de repente.  Pode ser cultivada.  Seu time de futebol preferido, e pelo qual você desenvolveu uma paixão, surgiu em sua vida desde pequeno, quando em casa seus familiares torciam por ele.  Cresceu e aninhou-se em seu peito.  Evoluiu, virou gigante.  Não só é o time de seu coração, como você não suporta que alguém perto de você possa demonstrar interesse por outro time.  Você fica possesso.  Ele é seu, é tudo o que você tem na vida, é ele que prende seus olhos na TV ou no estádio, duas ou três vezes por semana.  E, no trabalho, você não deixa os outros esquecerem que você torce para aquele time.  Aliás, todos em sua casa.  Unidos, esses ingredientes compõem sua vida.  São sua paixão.

Parece bonita essa lealdade, essa sensação de pertencer ao objeto da paixão e de ele, por outro lado, ser seu.  Mas isso tem seu lado perverso.  Na medida em que a paixão toma conta de uma pessoa, ela corre o risco de parar de enxergar a realidade como ela é.  Os olhos enevoados, a que me referi, não a deixam ver mais nada, a não ser o objeto da paixão.  Não vê seus defeitos, seus lados ruins, as circunstâncias que envolvem o objeto, os aspectos ilícitos ou ilegais que essa possessão pode envolver.  Os sentimentos são o colorido da vida, as cores que envolvem as ações.  Quando, porém, a vida fica de uma só cor, quando não se veem mais o amarelo, o verde, o azul, só o vermelho, perde-se a dimensão da razão, porque as cores tomaram conta de tudo.  Passa a ter supremacia a ação emocional, aquela que vem do instinto, cega, que não pensa.  E a pessoa age como um autômato, sem perceber a quem seus passos estão seguindo.

 

É por isso que se diz que a paixão dura pouco.  É geralmente isso que a experiência tem demonstrado.  Aquelas duas pessoas que não podiam ficar juntas porque havia um empecilho correm o risco de tomar ações precipitadas e virem a arrepender-se depois.  Porque não é bom você só ver o amarelo ou o azul a sua frente: num universo tão colorido, seria bom que você enxergasse o conjunto das cores, antes de tomar uma decisão. Se você se render plenamente ao objeto de sua paixão, sem parar para pensar, sem ouvir os outros, sem olhar a sua volta, periga de você fazer uma escolha má. Porque a paixão, em si, não é o amor, não é o bem, não é o talento que veio salvá-lo, mas um objeto de desejo tão forte que impede você de enxergar.  Porém, os olhos foram feitos para ver, não?

 

“Ah! Mas a paixão é algo irrefreável”, dirá você. “E eu navego nessas novas ondas que apareceram em minha vida!”  Então, vá fundo.  E não se queixe, depois, se não der certo.

 

MargaMourablogueiraduradoura

Estarei de volta na próxima quarta-feira.  Venha comigo!



Escrito por margamoura às 11h55
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21/04/2017

E QUE FERIADO!

 


O dia de hoje é feriado em homenagem a Tiradentes, o Mártir da Inconfidência.  Tantos foram os que conspiraram em Minas Gerais, naquele final de século XVIII, mas apenas Joaquim José da Silva Xavier, o que extraía dentes, foi punido severamente: enforcado, teve sua cabeça exposta em praça pública, seus bens apreendidos e sua família, execrada até a quarta geração.  (Noutro dia, faz tempo, li na Internet que suas descendentes reivindicavam uma compensação financeira junto ao governo brasileiro).

 

De fato, era para conspirarem, mesmo, porque o desaforo era grande.  Uma parte do ouro descoberto em Minas Gerais ia diretamente para a Coroa portuguesa.  Por quê?  Com que direito?  Corriam os anos de 1770, época em que os imigrantes dos Estados Unidos já preparavam sua independência da Inglaterra.  Eram os peregrinos que lá tinham chegado em 1612 e, cerca de 150 anos depois, já lutavam para se tornar independentes da Coroa inglesa. E isso dava ensejo a um grupo, no Brasil, de também sonhar com a independência de Portugal.  Não deu certo, houve delação, não devia ser coisa fácil de se esconder, um grupo de homens tramando no meio da noite.  Deu no que deu: Tiradentes enforcado em 1782, vários conspiradores degredados, vários encarcerados, alguns deles mortos na prisão.

 

Muitos anos depois, o 21 de abril foi palco de uma iniciativa brasileira, quando o presidente Juscelino Kubitschek resolveu levar a capital brasileira para o centro-oeste do Brasil.  Audácia, engenho, tino político e financeiro, visão por antecipação e muita coragem, e eis que Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960.  Comemora hoje 57 anos – quem diria!

 

Mas o Brasil iria homenagear na data outro grande político brasileiro, Tancredo Neves, que escolheu o dia importante para morrer, depois de uma grande agonia no hospital, vítima de uma diverticulite (doença nos intestinos), que o impediu de tomar posse como presidente da República, em 1985.  Após uma campanha gloriosa pelas “Diretas Já”, quando o povo brasileiro se reunia em massa nas ruas do país, vieram as eleições indiretas, indicando-se Tancredo Neves como presidente.  Porém, não pôde tomar posse, em 15 de março, pois, na véspera, foi direto para o hospital, em caráter de urgência.  Todos já sabíamos que ele estava doente, mas tudo indica que ele tenha protelado demais as providências de saúde, esperando primeiro tomar posse.  Não deu tempo.

 

Vítima de uma infecção generalizada, faleceu em 21 de abril de 1985.  Até hoje se fala disso. Grande estadista, não teve o desgosto de ver como o Brasil veio a se apresentar, politicamente, nos anos de 2013 em diante.

 

MargaMourablogueiraduradoura

Estarei de volta na próxima segunda-feira.  Venha comigo!



Escrito por margamoura às 11h54
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A VIDA EM OUTROS PLANETAS

 

 

Na semana que passou, as notícias foram assustadoras.  O Jornal Nacional, da TV Globo, nas noites de 3ª. a 6ª. feira, noticiou a relação de políticos delatados pela construtora Odebrecht e que fazem parte da lista que o ministro Edson Fachin efetuou, indiciando-os como passíveis de investigação posterior pela justiça brasileira.  Entrou em detalhes sobre nomes, motivos de indiciamento, possibilidade de virem a sofrer julgamentos por recebimento irregular de dinheiro, obstrução de licitações, superfaturamento de obras, apropriação indébita de dinheiro público e formação de quadrilha.  Houve a demonstração de vídeos em que o presidente, os diretores e ex-diretores daquela empresa expõem as propinas doadas, os pagamentos e os benefícios que prestaram durante muitos anos aos políticos que os procuraram e aos partidos políticos que solicitaram contribuições financeiras para as campanhas eleitorais de seus candidatos. Sempre em troca de favores, como ganhar determinada licitação ou receber o projeto de uma usina para construir. Isso tudo misturado às denúncias de doações retiradas do Caixa 2 da referida empresa e informações a respeito de como as licitações eram fraudadas.

 

Mas não foi só o Jornal Nacional.  Heródoto Barbeiro, na Record News, também tratava desse assunto, chamando especialistas para prestarem esclarecimentos aos espectadores.  Foi um impacto muito grande.

 

Não que não se soubesse disso, antes.  Apenas, não se tinha tanta noção e tanto esclarecimento sobre como essas transações financeiras eram negociadas.  O presidente da construtora disse que há trinta anos esse repasse de dinheiro é feito no Brasil, que isso é uma praxe, que não caberia espanto diante disso; ao que um dos diretores acrescentou que “não há político eleito no Brasil que não tenha recorrido ao Caixa 2”.  E, em meio a tudo isso, os nomes dos deputados, governadores, ex-governadores, senadores, assessores políticos e outras pessoas do Legislativo e do Executivo, de hoje e de anos atrás, denunciados na relação que veio a público.

 

Foi uma semana e tanto.  Os telejornais davam essas notícias em sequência, enquanto as televisões, as rádios e os jornais não nos deixavam esquecer que a delação havia sido feita.  Os vídeos corroboravam as denúncias, enquanto alguns articulistas e pessoas afetadas pelas informações vinham a público para contestar a validade da lista ou a veracidade das delações ou a possível manipulação dos vídeos ou a provável mentira por parte dos que veicularam denúncias.  Ao mesmo tempo, os porta-vozes dos atingidos ou suas secretárias continuavam dizendo ao telefone que tudo isso é invenção, que confiam em que a justiça brasileira saberá separar o joio do trigo; que nunca participaram de nada que fosse ilegal; que nunca autorizaram ninguém a receber dinheiro em seu nome, que nunca estiveram na tal reunião denunciada ou, ainda, que saberão provar que o que se disse a respeito deles são mentiras.

 

Na mesma semana em que isso ocorria, vimos na televisão e lemos na Internet as mensagens trocadas entre os porta-vozes da Coreia do Norte, de um lado, e do governo norte-americano, de outro, por conta de testes nucleares que estão sendo feitos pelos coreanos do norte, que devem ser suspensos imediatamente, sob pena de uma intervenção dos Estados Unidos, enquanto que o presidente norte-coreano respondeu que não se deixará intimidar – e que, se necessário, saberá jogar uma bomba atômica sobre o país governado por Donald Trump.

 

Diante de tudo isso, comecei a dar mais atenção às notícias que tenho lido ultimamente no UOL da possibilidade de existência de água em Marte e de vida em outros planetas.  Vou averiguar melhor.  Quem sabe me inscreva para a primeira viagem interplanetária que surgir.  Conhecer uma nova galáxia talvez fosse uma boa medida, nos tempos que correm.

 

MargaMourablogueiraduradoura

Estarei de volta na próxima sexta-feira.  Venha comigo!



Escrito por margamoura às 19h26
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