A CRÔNICA DO DIA

Não é fácil você escrever uma matéria para o blog a cada dois dias.  Há algum tempo, li um artigo do Antônio Maria, jornalista e compositor boêmio, que nas décadas de 1950 e 60 escrevia diariamente para um jornal carioca.  Ali ele dizia que muitas vezes chegava às 5:00 h da manhã em casa, ia dormir, levantava poucas horas depois e, sonolento, escrevia sua crônica diária – com sacrifício.

 

Não é fácil.  Há dias em que tenho inspiração e escrevo rapidamente e com gosto um artigo no blog.  Outros, como hoje, sento-me aqui e nada me vem à cabeça.  Nada de real importância.  Defronto-me, então, com esse vazio que me invade – e isso é o importante, para mim.

 

A cabeça se encheu de jogos da Olimpíada e sempre demora dois ou três dias para você se desintoxicar.  Dei preferência aos jogos coletivos e vi todos os de vôlei: masculino, feminino e de praia.  E vi o futebol, tanto masculino, quanto feminino.  De passagem, zapeando na TV, fazendo hora, acabei vendo alguma outra coisa.  Ou, então, tive que ver o que a televisão mostrava, interrompendo os jogos a que eu estava assistindo.  Então, entraram as regatas, o judô, o box, a esgrima, o pentatlo, o tênis de mesa, o basquete e uma infinidade de modalidades que nem dá para enumerar.  Essas, então, eu assistia, quisesse ou não quisesse.

 

Agora, vem o mês de setembro, com toda sua campanha eleitoral, nas ruas, na praça pública e na televisão, não apenas com horário marcado, mas aquelas entradas rápidas, nos intervalos dos programas.  Conversas sobre eleição nos bares, nas esquinas e com os motoristas de táxis, pois a todos eles, invariavelmente, eu pergunto em quem vão votar.  E dou me voto, também.  Mês de outubro, aqui em casa, é mês da Mostra Internacional de Cinema, uma coisa boa, rica, bem-feita, a que eu não assisto, mas sobre a qual fico sabendo de tudo.  E, como nos anos anteriores, 30 de outubro já é Natal, pois é quando as lojas armam suas primeiras árvores.  Eu acho uma pena, mas não posso impedi-las.

 

Curtindo, então, as próximas emoções eleitorais e natalinas, deixo a você meu abraço pouco inspirado.  Prometo estar mais consciente e desperta, na próxima sexta-feira.  Até lá!

 

margamourablogadora // rimatambémcomescritora

TERRA SANTA

Na sexta-feira passada, fui ver a exposição dos “Tesouros da Terra Santa”, no Masp, do rei David ao cristianismo.  A exposição foi organizada pelo Museu de Israel, de Jerusalém.

 

A partir do momento em que Jerusalém foi tomada dos jebusitas, pelo rei David, ela tornou-se a capital do então reino de Israel.  Para os judeus, a cidade é a essência da existência e continuidade espiritual e nacional. Para os cristãos, ela é associada à vida de Jesus.  Para os muçulmanos, que conquistaram a cidade em 640, o Monte do Templo é identificado como o santuário de onde o profeta Maomé subiu aos céus.  Para essas três religiões, essa área assumiu grande importância e se tornou conhecida como a Terra Santa.   E os objetos em exposição falam da arquitetura e do modo de vida daqueles tempos, trazendo à lembrança um pouco dessas origens de nossa vida cultural, no ocidente.                                                  

 

Gosto de ler e refletir sobre os primórdios da existência humana, repassando informações sobre a Mesopotâmia, onde tudo começou.  Havia também o Egito e a Índia, como as primeiras civilizações, mas a região dos rios Tigre e Eufrates foram riquíssimas no desenvolvimento das primeiras levas de homens, primeiro apenas colhendo o que encontravam pronto e, depois, plantando e colhendo para viver.  Aí se desenvolveram as primeiras religiões, os primeiros cultos, as primeiras guerras entre os homens.  Dali nos veio a primeira escrita, a cuneiforme, em barras de tijolo.  Ali os homens traçaram as primeiras normas de conduta, os “pode” e os “não pode” da vida.  Dali nos veio o Código de Hamurábi, o conjunto de leis que regulavam o dia-a-dia das populações, sempre a partir do que se achava que Deus queria que os homens fizessem.  Já naquele tempo ficava clara a diferença entre os homens e as mulheres e entre os patrões e os empregados.

 

Na Mesopotâmia se localiza o Jardim do Éden, o local onde viveram Adão e Eva, isto é, um lugar que apresenta as características descritas na Bíblia como tendo sido o Éden.

 

Escavações arqueológicas na Mesopotâmia, desde fins do século XIX, têm um significado fantástico, na medida em que desvendam pedaços de cidades enterradas na areia, templos sobrepostos uma, duas, três vezes, com o passar dos séculos, construídos uns em cima das ruínas dos outros, comprovando o que já se sabia, pelos livros de história.  É uma pena que, justo nesta antiga Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, berço do Iraque atual, a guerra que se prolonga ali desde 2003 esteja aniquilando verdadeiras relíquias de nossa antiguidade – sem se falar, é claro, nos outros estragos imensos que ela provoca.  É realmente uma pena.

 

Volto na próxima quarta-feira.  Venha comigo!

 

blogqueéquasediário // témerececomentário

SAUDAÇÕES

Toni e Sílvia,

Obrigada pelo comparecimento ao blog.

Oi, Toni, agora você me pegou.  Não sei quem é Afonso Alves.  É um jogador de verdade ou é uma brincadeira?

Sílvia, como praticamente não vi o jogo, pois estava atenta às outras programações e desliguei a TV quando a Argentina bateu o pênalti, não sei de que apelação você está falando.  Terá sido durante o jogo, fazendo muitas faltas, ou quem sabe, uma briga após a partida?

Toni, a respeito de Israel e Palestina, você afirma que a escola brasileira não está tratando do assunto.  Posso acreditar?

Obrigada pelos pitacos e um grande abraço,

margamoura

AGOSTO, MÊS EM QUE AS COISAS ACONTECEM

Agosto, mês do cachorro louco.  Alguém poderia me dizer o motivo de se vacinarem os cachorros contra raiva sempre no mês de agosto?  Não entendo do assunto, mas me lembro, desde pequena, que a vacinação ocorre sempre nesse mês.

 

Agosto, 24 = Foi em 1954 que Getúlio Vargas se suicidou com um tiro no coração, no palácio do Catete.  Acontecimento que repercutiu muito no Brasil e bastante no exterior, o presidente era considerado o pai e protetor dos pobres e o fato de acabar com a própria vida abalou sensivelmente os brasileiros. Na carta-testamento que deixou, dizia: “(...) saio da vida para entrar na História (...)”, que foi o que efetivamente aconteceu.

 

Agosto, 25 = Em 1961, outro suicídio de presidente da República, só que dessa feita não com um tiro no coração: Jânio Quadros, achando que poderia chamar para si toda a turba de brasileiros que o elegeu, ameaçou dar o golpe no Congresso, com uma carta-renúncia que, entregue antes do prazo delimitado por ele, foi aceita pelos congressistas e o tiro lhe saiu pela culatra.  Renunciou e fraudou os brasileiros, não como Getúlio, a quem o povo amava, mas como um imaturo, que não conseguiu segurar em Brasília a barra de ser presidente.  Além de atraiçoar João Goulart, que estava na China, sua saída pôs o mundo em polvorosa e as forças do estrangeiro se aproveitaram para pôr lenha na fogueira.  Derrubado João Goulart, em 1964, por um golpe militar, as Forças Armadas tomaram o poder.  Que grande desserviço prestou Jânio Quadros, com sua eleição espetacular e sua não menos espetacular renúncia!

 

Agosto, 25 = Dia do soldado.  Data em que se comemora o Dia do Soldado e o Exército, cujo patrono é o Duque de Caxias, que fez seu nome na Guerra do Paraguai, no século XIX.  Porém, como o significado das palavras e dos atos muda, com o passar do tempo e das gerações, ser soldado, hoje em dia, não significa o mesmo do que naquele tempo.  Fomos educados a prezar a Pátria, a bandeira, a honra, o serviço militar, e até a dar a vida pela causa.  Houve muita guerra no mundo cujo alistamento de homens e mulheres foi sincero, espontâneo, feito com orgulho.  No entanto, nos tempos de hoje, em que quem decide que haverá guerras são os governantes, com motivos às vezes pouco convincentes, como foram as Guerras do Vietnã e do Iraque, por exemplo, quando os soldados se recusam a alistar-se e sair para morrer já não se pode acusá-los de covardia.

 

Agosto, 2008 = Final da Olimpíada em Pequim. Aberta com todo o brilho que uma nação é capaz de proporcionar a milhares de espectadores, o mundo todo assistindo pela TV, ela chega ao fim no próximo domingo, arena de verdadeiras guerras entre os atletas, as equipes, os times, as duplas, mas guerras diferentes daquelas que mencionei acima.  Você tanto pode contar as medalhas a partir das de ouro (China na frente) como pode, de acordo com o que noticia o New York Times, computá-las pelo número total, como fazem os Estados Unidos.  E nesse simples cômputo de medalhas também se entrevê uma guerra, não é mesmo?

                                                                                             

Volto na segunda-feira.  Até lá!

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